Coronéis defendem a saída de Rodney

Coronéis da ativa da Polícia Militar defenderam nesta segunda-feira a saída do delegado federal Rodney Miranda da frente da Secretaria de Estado da Segurança Pública.
“Particularmente, não vejo mais ambiente para ele (Rodney Miranda) continuar sendo o secretário da Segurança”, disparou o coronel Renato Duguay, em entrevista exclusiva ao blog do jornalista Elimar Côrtes (elimarcortes@blogspot.com)
Outro coronel, ouvido pelo blog, deu o mesmo tom, mas preferiu o anonimato. “Este é o sentimento de todo o coronelato. E creio que seja dos demais oficiais e praças também”.
“Se há algo paliativo que o secretário possa fazer para contornar esse problema, eu desconheço. Deve estar no paletó dele”, completou Duguay.
O clima de insatisfação – que poderá provocar uma crise institucional – está rolando dentro dos quartéis da Polícia Militar capixaba há pelo menos uns dois meses, quando o secretário Rodney Miranda e o juiz Carlos Eduardo Lemos Ribeiro começaram a falar sobre o livro que lançaram, há um mês, em que abordam, segundo os autores, bastidores das investigações do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho.
Um dos motivos da insatisfação dos oficiais e praças – soldados, cabos e sargentos – é que os autores do livro teriam, no entender deles, manchado “a honra dos militares e a instituição”.
Em alguns trechos do livro, Rodney Miranda e Carlos Eduardo – o livro teve a colaboração do sociólogo Luiz Eduardo Soares – acusam um graduado oficial da PM de ter, entre outras coisas, recebido a arma furtada do juiz Alexandre das mãos do sargento Heber Valêncio (condenado por suspeita de envolvimento no assassinato do juiz, como suposto intermediário da contratação dos assassinos), manuseando-a num posto de gasolina a caminho da Secretaria de Segurança, e forjado “uma farsa” ao “montar” a diligência da descoberta da pistola.
Na página 36 do livro, os autores escreveram: “O tenente-coronel Carmelo (nome fictício do oficial usado no livro), irmão do capitão a quem a Dint confiou a operação de resgate da arma, precisava livrar-se da suspeita de que estivesse de posse da arma de Alexandre. A solução imaginada foi fazer com que a pistola preta do juiz fosse achada em algum lugar distante, envolvendo personagens diferentes e desviando o foco das investigações.”
Os oficiais publicaram uma nota no jornal A Tribuna, na edição de domingo (25/10), em que colocam sua posição de insatisfação com parte do conteúdo do livro, que, segundo eles, denigre a imagem dos bons policiais e de toda a instituição militar.
“Rodney diz no livro que a PM é aliada do atraso. Como a nossa PM pode ser aliada do atraso se, recentemente, ela ganhou o título de bicampeã de Polícia Comunitária, com mais de 200 votos, durante a 1ª Conferência Nacional dos Agentes de Segurança Pública?”, questiona um coronel. O encontro foi em Brasília.
 

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