Amigo de coronel Ferreira assassinado em Colatina matou síndica de edifício de luxo em Vitória

Assassinado com dois tiros em Colatina, o acusado de pistolagem José Maurício Cabral, que era compadre do coronel da reserva da Polícia Militar Walter Gomes Ferreira, foi o mesmo que matou a síndica de um prédio de luxo no bairro Praia de Santa Helena, em Vitória, nos anos 90.
José Maurício foi encontrado morto na terça-feira, no interior de Colatina, no mesmo dia em que seria julgado como um dos envolvidos no assassinato do empresário e fazendeiro Antônio Costa Netto, ocorrido em 22 de maio de 2002. O julgamento foi adiado porque Ferreira não pôde comparecer por supostos problemas de saúde.
O coronel Ferreira também seria julgado pela acusação de ser o mandante do crime. Também seriam julgados, pela acusação de ligação com o assassinato, Vilma Aparecida Tesch e Adilson Araújo do Nascimento.
O homem que atirou em Costa Netto, um policial militar, já foi condenado e está preso. Ele foi preso pela PM horas depois do assassinato, ao tentar fugir de Colatina em uma moto.
O assassinato de José Maurício provocou uma reação do governador Paulo Hartung (PMDB): “A onça está magra, mas não está morta", disse o governante, segundo o site Gazeta Online, na manhã desta sexta-feira (20/11).
Ele deu a declaração em referência a uma possível associação do crime organizado à morte de José Maurício. Hartung, segundo o site, prosseguiu:
"Nós avançamos muito, mas não podemos brincar com o fogo. Nós temos que ter muita atenção. O Espírito Santo já viveu momentos muito difíceis em função da ação de maus capixabas e de gente corrupta e violenta. Isso já angustiou muito a sociedade capixaba".
Segundo o Gazeta Online, o governador Paulo Hartung informou que acredita no trabalho do secretário de Estado da Segurança Pública, Rodney Miranda:
"Eu tenho certeza que a parte responsável por essa área, o secretário Rodney já deve ter tomado ou já está tomando as providências cabíveis num caso tão grave como esse."
Hartung disse ainda que os envolvidos “nesse tipo de organização estão conectados o tempo todo”. Alegou, porém, que preferia não falar muito sobre o assunto para não parecer 'paranoia'.
"Não podemos subestimar a ação de gente que não tem limite que gente que haja com violência e com truculência ao arrepio das normas legais, não podemos nunca brincar com o fogo. Esse é o conselho que dou para a sociedade capixaba"
Segundo o Gazeta Online, Hartung lembrou da época “em que o Estado estava sob forte influência dos atores do crime organizado” do Espírito Santo.
"Um passado que nos angustiou e que infernizou a vida dos capixabas. Retrocesso nunca mais! Precisamos ter muita clareza e não subestimar essas forças ao mesmo tempo não cair em encanto de sereia. De vez em quando usando argumentos e artifícios mais diversos tentam ludibriar a boa fé de muita gente", finalizou Hartung.
Ele tem razão ao lembrar da ligação existente entre os vários assassinatos ocorridos no Estado nas últimas décadas. José Maurício matou a síndica de um prédio na Praia de Santa Helena quando a vítima saía do edifício, junto com uma amiga, que é médica.
Na ocasião, a Delegacia de Crimes contra a Vida de Vitória, então chefiada pelo hoje chefe de Polícia Civil, delegado Júlio César de Oliveira, esclareceu o assassinato praticamente no mesmo dia.
Concluiu que a síndica teria sido vítima de crime de mando e o mandante seria um secretário de Estado do governo Albuíno Azeredo. O motivo do crime seria ciúme.
O secretário acreditava que sua mulher tivesse um caso amoroso com a síndica. Por isso, teria contratado José Maurício para executar o assassinato. José Maurício foi preso logo após o crime.
Anos mais tarde, entretanto, a Justiça desclassificou a acusação de crime de mando, inocentando, assim, o ex-secretário estadual – por isso o nome dele não está sendo divulgado.
A Justiça manteve, porém, a condenação contra José Maurício, considerando que a síndica teria sido vítima de latrocínio (roubo seguido de morte). Nada foi levado da vítima. Antes de praticar o assassinato, Jose Maurício era mais conhecido como estelionatário.
 

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