Ex-militares do Rio formam milícias em bairros da Grande Vitória

Denúncia exclusiva obtida pelo Blog do jornalista Elimar Côrtes dá conta de que ex-policiais militares do Rio de Janeiro estão formando milícias em bairros da Grande Vitória.

Expulsos da Polícia Militar carioca, por causa de envolvimento com traficantes e assassinatos em favelas do Rio, alguns dos ex-militares estariam encontrando refúgio em bairros como Feu Rosa, Vila Nova de Colares e Jacaraípe, na Serra; na Grande Terra Vermelha e Guaranhuns, em Vila Velha; em Flexal, Castelo Branco e Morro do Gama (região de Mucuri e Piranema), Cariacica; e na Grande São Pedro, em Vitória. A ação dos grupos se estende a bairros de Guarapari, principalmente no favelão que liga a praia do Ipiranga a Nova Guarapari.

Os milicianos se aliam a ex-PMs capixabas e até mesmo a policiais militares da ativa do Espírito Santo, com o objetivo de cobrar por serviços e segurança, além de criar cartéis para a venda de botijas de gás e água mineral.

Os milicianos também estariam se aliando a traficantes de algumas regiões da Grande Vitória e à máfia que controle as máquinas de caça-níqueis.

Denúncias já chegaram ao Serviço Reservado de Informação (P-2) de batalhões da Grande Vitória e repassadas à Diretoria de Inteligência (Dint) do Comando Geral da Polícia Militar.

As investigações correm em sigilo. Os agentes da Dint acreditam que, a qualquer momento, poderão desarticular alguns desses grupos de milicianos.

Há dois meses, a Polícia Civil já havia desarticulado um dos braços da milícia, em São Pedro, na capital, quando prendeu um policial militar que dominava a venda de gás na região.

Esse mesmo PM foi preso pela acusação de ligação com a máfia dos caça-níqueis. Ele já havia sido expulso da PM pela mesma acusação, mas voltou graças a um mandado de segurança obtido na Justiça.

Há dois anos, o depósito de gás do PM foi alvo de uma explosão, quando fogos de artifícios destruíram todo seu estoque de gás, além de destruir veículos – carros e motos. Logo depois, ele – que não tinha seguro, conforme declarou à imprensa na época – abriu novo depósito no local. A polícia suspeita que a explosão tenha sido praticada a mando de traficantes de São Pedro.

Segundo um agente da P-2 do 1° Batalhão da PM (Vitória), em algumas regiões da Grande Vitória os milicianos enfrentam problemas com traficantes de drogas. Por isso, os traficantes tentam, às vezes, colocar os milicianos para correr.

“Geralmente, os traficantes não conseguem, porque os milicianos, com experiência de táticas militares, estão sempre mais atentos e bem armados”, disse um agente da P-2.

Nos bairros onde conseguem impor seu domínio, os milicianos são responsáveis pela maioria dos depósitos de gás. Eles costumam comprar um bujão de gás, nas distribuidoras, por R$ 24,50 e revendem para moradores desses bairros por até R$ 40,00.

Não aceitam que outro vendedor repasse o gás por valor menor. Tanto que, na semana passada, o jornal A Tribuna publicou reportagem em que a dona de um depósito de gás em um bairro de Cariacica denunciou que teria sido ameaçada de morte por outros vendedores de gás de seu bairro porque o preço praticado por ela era de R$ 30,00 e o deles, R$ 40,00.

“Os milicianos formaram um verdadeiro cartel. Eles impõem o preço da botija de gás e, quem vende mais barato, é ameaçado de morte ou até assassinado”, disse um outro agente da Dint.

Os milicianos praticamente obrigam donos de supermercados, padarias, farmácias e bares a contratar seguranças da confiança deles (milicianos). Eles cobram preços até abaixo de mercado. Em determinado bairros da Grande Vitória, há comerciantes que pagam R$ 30,00 por mês para que seu estabelecimento não seja alvo de assaltantes.

Segundo denúncias que chegaram à P-2 de Cariacica, é comum os milicianos que controlam a venda e gás em alguns bairros do município comprarem cargas roubadas em outros estados.

“É comum o roubo de caminhões de gás no Rio e Bahia. Parte dessa carga vem para a Grande Vitória, para ser vendida a preço irrisório para os milicianos”, informou um militar que atua em Cariacica.

A Dint investiga também, de acordo com um oficial, a denuncia de que alguns policiais militares do Estado estão ligados aos ex-PMs que viraram milicianos. Policiais criminosos, segundo o oficial, ao tomarem conhecimento de uma blitz, passam informações para os comparsas e avisam até mesmo quando sabem que há mandados de prisão para algum miliciano.

“É um ou outro policial que faz isso, mas, mesmo que seja apenas um, já coloca todo o nosso serviço a perder, por mais que o serviço reservado aja com sigilo total em suas investigações”, disse um oficial.
 

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