Governador não leu o livro de Rodney

O governador Paulo Hartung não leu o livro “Espírito Santo”, escrito pelo secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, o delegado federal Rodney Miranda, com a co-autoria do juiz Carlos Eduardo Lemos Ribeiro e do sociólogo Luiz Eduardo Soares.

A revelação foi feita por Hartung a um grupo de assessores. Segundo fontes palacianas, a justificativa de Hartung é que, como governador, ele teria que ficar numa posição de magistrado diante das polêmicas que o livro iria criar – e criou.

No livro, os autores revelam o que chamam de bastidores das investigações do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido em março de 2003, em Itapoã, Vila Velha.

O livro causou uma crise institucional entre um grupo de coronéis e o secretário Rodney. Os oficiais alegam que o livro denigre a imagem da PM. Na semana passada, 14 coronéis da ativa pediram, em nota, o afastamento de Rodney da Secretaria da Segurança.

Nesta quarta-feira, A Gazeta publica reportagem informando que o governo do Estado está disposto a voltar atrás na decisão de levar o coronel Renato Duguay – que, por ser o mais antigo, é o porta-voz dos coronéis da ativa nas críticas a Rodney – para ser assessor técnico do secretário.

Esta garantia já havia sido dada por Hartung na reunião emergencial que ele teve com 14 coronéis da ativa, na sexta-feira, no Palácio Anchieta. O encontro aconteceu horas depois que os coronéis colocaram seus cargos à disposição do comando geral da PM. Os coronéis, depois da reunião com o governador, decidiram se manter em seus cargos.

O “negócio” dos oficiais, ao se reunirem com o governador, era “lavar a honra da instituição”, o que eles teriam conseguido com a decisão de Paulo Hartung em não levar mais o coronel Renato Duguay para ser assessor técnico na Sesp, o que seria uma punição para o oficial. O próprio Duguay já havia garantido que iria recusar o cargo, por não ser obrigado a aceitá-lo.

De acordo com fontes mais próximas do governador, por mais de quatro horas Hartung ouviu o que cada coronel tinha a dizer. O governador também falou, assim como Rodney. Para alguns de seus principais assessores, Paulo Hartung foi um estrategista e, assim, acabou com a crise instalada na PM por causa do livro “Espírito Santo”.
 

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