Oficiais reforçam ataques a secretário

Depois de duas horas e meia de reunião, oficiais da Polícia Militar decidiram, na tarde desta quarta-feira, aumentar o tom de críticas ao secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Rodney Miranda.

Em entrevista coletiva, o coronel da reserva da PM Carlos Augusto de Oliveira Ribeiro, que presidiu a assembleia dos oficiais, disse que a Associação dos Oficiais da PM – que representa tenentes, capitães, major, tenentes-coronéis e coronéis da ativa e da reserva – vai entrar na Justiça contra os autores do livro “Espírito Santo” por danos morais.

Também pedirá ao Ministério da Justiça a federalização das investigações do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido em março de 2003, e decidiu ainda espalhar out door pela Grande Vitória pedindo o afastamento de Rodney Miranda da Secretaria da Segurança. Um dos dizeres da peça publicitária a ser feita será “Fora, Rodney!”

Eles criticam o secretário Rodney porque ele é um dos três autores do livro “Espírito Santo” – os outros são o juiz Carlos Eduardo Lemos Ribeiro e o sociólogo Luiz Eduardo Soares. O livro, segundo os oficiais, denigre a imagem da PM.

“Focamos no secretário porque ele é o chefe das polícias e manchou nossa instituição. Ele feriu o Código de Ética dos servidores públicos”, disse o coronel Carlos Augusto.

Os oficiais decidiram que não vão reconhecer mais a autoridade do secretário da Segurança. Segundo eles, Rodney Miranda teria jogado a PM “na lata de lixo”.

Na semana passada, 14 coronéis da ativa já haviam solicitado, em nota, o afastamento de Rodney Miranda da Secretaria da Segurança. Chegaram a colocar seus cargos à disposição do comandante-geral da PM, coronel Emerich Oberacy Júnior, mas recuaram diante da decisão do governador Paulo Hartung de retirar a punição dada por Rodney ao coronel Renato Duguay – porta-voz dos coronéis –, que havia sido retirado da Diretoria de Informática da PM para trabalhar como assessor técnico de Rodney Miranda.

A assembleia geral desta quarta-feira, realizada no Clube dos Oficiais, em Camburi, contou com a participação dos 14 coronéis que iniciaram a revolta contra Rodney Miranda. Mas eles não quiseram dar entrevista. Os jornalistas não puderam assistir a assembleia dos oficiais.

Na ação judicial, os oficiais vão requerer a retratação pública dos autores do livro; pedirão indenização por danos morais; e vão solicitar que os nomes dos militares de “boa idoneidade” sejam retirados do livro.

Neste tópico, os oficiais se referem ao corregedor geral da PM, coronel Capita, o capitão Roberto Campos e o soldado Ivan Júnior. Eles teriam sido citados no livro, com nomes fictícios, como prováveis militares que teriam tentado impedir parte das investigações no dia do assassinato do juiz Alexandre Martins.

Os demais militares citados no livro e que estejam sendo processados ou condenados por suspeita de envolvimento no assassinato não fazem parte da reclamação dos oficiais.

Os oficiais decidiram que pedirão ao ministro da Justiça, Tarso Genro, que autorize a Polícia Federal a iniciar novas investigações do assassinato do juiz Alexandre Martins, por entender que, com as revelações do livro “Espírito Santo”, o processo que envolve os acusados de serem os mandantes poderá ficar prejudicado.

“Eles (autores) divulgaram aquilo que ainda está sendo alvo de processo judicial. Isso é muito arriscado para um julgamento justo”, disse o coronel Carlos Augusto.

O coronel Carlos Augusto entende que, quando os oficiais decidem, em assembleia, não reconhecer a autoridade do secretário da Segurança passam um recado para a sociedade de que a crise poderá provocar mais estragos. “A crise gerada pelo secretário (Rodney) vai piorar ainda mais a nossa segurança”.

Na prática, segundo o coronel da reserva, não haverá aquartelamento e nem descumprimento de ordem. Segundo ele, todos vão continuar trabalhando normalmente. “Os oficiais vão obedecer às ordens do secretário, mas não vão respeitá-lo”, afirmou Carlos Augusto.

Ele garantiu ainda que os oficiais têm todo respeito pelo comandante geral da PM, coronel Emerich, e o governador Hartung. A assessoria de imprensa do secretário Rodney Miranda disse que o secretário não vai comentar a decisão dos oficiais.
 

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