Rodney reage à revolta dos militares e diz que crítica dos oficiais é para atingir o governador

O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, o delegado federal Rodney Miranda, falou sobre a crise institucional instalada na Polícia Militar contra sua administração por causa do livro “Espírito Santo”.

Em entrevista na tarde desta quinta-feira (26/11) e publicada ainda há pouco no site Gazeta Online e divulgada também pela TV Gazeta, o secretário afirmou que enxerga as críticas dos coronéis da ativa e da reserva da PM como uma forma de atingir todo o governo do Estado.

Os oficiais e praças – soldados, cabos e sargentos – da PM o que decidiram em assembleia no início de novembro e colocaram cinco outdoors nos principais acessos a Vitória, com críticas a Rodney, com o seguinte texto: : "Secretário vende livro e falta segurança. A Polícia Militar exige respeito".

Os militares alegam que o livro “Espírito Santo”, que revela os bastidores das investigações do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, ocorrido em março de 2003 – a obra foi escrita por Rodney, o juiz Carlos Eduardo Lemos Ribeiro e o sociólogo Luiz Eduardo Soares –, acusa militares que sequer foram investigados pelo crime e denigre PM.
O coronel da reserva Walter Gomes Ferreira responde a processo pela acusação de ser um dos mandantes do assassinato, junto com um juiz e um ex-policial civil. Dois sargentos foram condenados como suspeitos de intermediar a morte do juiz Alexandre.

Rodney Miranda alega, segundo o Gazeta Online, que as críticas dos militares são uma forma de oposição ao governador Paulo Hartung. Ele disse que no futuro esse mesmo grupo de oficiais que faz critica a sua pessoa vai se retratar.

"Aqueles que, quando colocarem a mão na consciência, verem que este tipo de atitude não vai levar a nada, só tende a prejudicar o atendimento à sociedade, espero que voltem a trabalhar. Com relação ao comando da PM, ao subcomando, eu estou muito tranquilo. A lealdade deles, tanto a mim quanto ao governo, está sendo reconhecida pela sociedade", ressaltou Rodney Miranda, segundo texto posta no Gazeta Online.

O secretário da Segurança prosseguiu sobre os outdoors de repúdio instalados nas ruas da Grande Vitória.

"Eles (militares) colocaram uma opinião, assim como eu coloquei uma opinião no livro. Eu acho que eles estão errados, totalmente errados. O trecho do livro que eles citam é bem claro quando diz que se refere à 'banda podre'. Volto a insistir; aqueles que estiverem utilizando esse recurso para proteger alguém da banda podre, estão participando de um movimento infrutífero".

Em sua edição impressa desta quinta-feira (26/11), o jornal A Gazeta trouxe reportagem principal de página com o seguinte título: “Insatisfação de PMs com secretário Rodney ganha as ruas”. Trata-se a uma alusão a instalação dos outdoors.

Segundo o jornal, Rodney, na ocasião, não quis dar entrevista, mas liberou uma nota através de sua assessoria de imprensa. Na nota, Rodney dizia que não considerava “oportuno se pronunciar sobre as críticas dos coronéis da Polícia Militar ao livro ‘Espírito Santo”.

No entanto, na nota, o secretário afirmou que não ofendeu a PM no livro.

“Não há no livro demérito algum à Polícia Militar. Reitero que um trecho do terceiro capítulo é absolutamente claro quanto a este fato. Há acusação sim, mas apenas à banda podre da corporação. E eu vou continuar combatendo a banda podre, doa a quem doer”, afirma o secretário.

Segundo a Gazeta, o trecho do livro citado pelo secretário está contido na entrevista ficcional do juiz Alexandre Martins, na página 48, onde faz referências a quem apertou o gatilho e contratou o serviço do assassinato do juiz.

Os oficiais e praças da PM têm deixado claro em suas manifestações que a revolta e as críticas são direcionadas somente ao secretário Rodney Miranda. Eles colocaram essa posição em reunião com o governador Paulo Hartung, no Palácio Anchieta, logo no início da crise, em carta enviada ao governador e em todas entrevistas que dão à imprensa.

Os coronéis, que no início da insatisfação colocaram seus cargos de diretores à disposição do comandante geral, coronel Oberacy Emerich Filho, garantem que continuam trabalhando normalmente. Eles têm dito que, apesar da revolta com Rodney, ninguém na PM deixou de trabalhar.

Afirmam, porém, que todos militares – dos praça aos coronéis – irão se retirar de qualquer recinto em que esteja presente o secretário Rodney Miranda, seja em blitz nas ruas ou em seolenidades.
 

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