A segurança precisa de paz

Depois de uma semana de crise, os gestores da segurança pública do Estado têm tudo para chegar ao caminho da paz nesta quarta-feira (04/10), quando haverá uma assembleia geral no Clube dos Oficiais, na avenida Dante Michelini, em Camburi.

Oficiais de todas as patentes – do tenente ao coronel – foram convocados para a assembleia, prevista para começar às 14 horas, e que vai ser presidida pelo coronel da reserva Paulo José Serpa.

Na semana passada estourou a crise entre um grupo de 14 coronéis da ativa e o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, o delegado federal Rodney Miranda. Os oficiais, revoltados com o que chamaram de “infâmia e calúnia”, chegaram a pedir o afastamento de Rodney da secretaria.

A insatisfação foi motivada pelo livro “Espírito Santo”, que Rodney escreveu junto com o juiz Carlos Eduardo Lemos Ribeiro e o sociólogo Luiz Eduardo Soares, retratando, segundo os autores, os bastidores das investigações do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho.

Os coronéis alegam que no livro os autores estariam denegrindo a imagem da Polícia Militar e acusando militares sem qualquer prova. Os escritores se defendem, alegando que o que consta no livro está nos autos do processo judicial.

O final de semana com chuva, porém, serviu para que os dois lados da questão refletissem sobre o atual momento e concluíram que a segurança pública do Estado precisa de paz.

Antes dessa conclusão, entretanto, o secretário Rodney causou mais descontentamento na PM, ao nomear o coronel Renato Duguay – que, por ser o mais antigo, é o porta-voz dos coronéis na insatisfação com o secretário – para ser seu assessor técnico. A nomeação foi entendida como forma de punição a Duguay e teria o objetivo, segundo os militares, de calar os demais coronéis.

Duguay recusou o convite – a lei orgânica dos militares não o obriga a aceitar o cargo. Os demais coronéis, solidários com a Duguay, colocaram seus cargos à disposição do comandante-geral da PM, coronel Oberacy Emerich Júnior. Mas nenhum deles abandonou o barco e todos estavam trabalhando normalmente nesta segunda-feira (03/10).

Na assembléia geral de hoje, os oficiais vão discutir todo o andamento da crise. E tudo indica que, assim como a chuva forte que vinha caindo sobre quase todo o Estado desde quarta-feira passada deu um tempo, a crise dos militares com o secretário Rodney também vai dar uma trégua, porque a polícia capixaba precisa de paz para trabalhar.
 

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