Soldado sugere como deveria ser salário de PM no Rio

O Blog do jornalista Elimar Côrtes está publicando na íntegra uma mensagem postada no blog do coronel da reserva carioca Jorge Da Silva, com quem tivemos o prazer de almoçar, há cerca de uns seis anos, em Vitória. Leiam com atenção e vejam se essa possibilidade poderia ser implementada aqui no Espírito Santo:
“Publico abaixo mensagem enviada a mim pelo leitor José dos Santos. Apresenta-se como um soldado PM que pensa em buscar outro caminho, aparentemente em função do fato de não vislumbrar futuro na PM, apesar de cursar o 3º ano de direito da UERJ.
Alguém poderá dizer que se ele não está satisfeito, e se pode procurar outro caminho, que o faça. Quem pensa assim, no entanto, descarta a hipótese de que ele possa ter procurado a PM por vocação.

Na tabela que sugere, parece que continuaria na PM se um soldado ganhasse R$ 4.650,00, ou seja, pouco mais de 1/3 do que, a seu ver, deveria ganhar um coronel (R$ 15.550,00).
Alguém poderá alegar que não é razoável, em comparação com os trabalhadores brasileiros em geral. Porém é preciso compreender que os policiais, e não só os PMs, fazem parte de um sistema (Sistema de Justiça Criminal), em que, no geral, a maioria dos seus integrantes aufere salários 20 (vinte) vezes maiores do que os auferidos por um Soldado PM, e o triplo do que percebe um coronel PM.

Pergunta-me ele se concordo com a tabela que sugere. Concordo. Mas acho mais importante perguntar: Quanto a sociedade (o Governo é parte da sociedade…) acha que alguém que arrisca a vida para oferecer segurança à população; alguém a quem o Estado entrega uma arma, um distintivo de poder e uma viatura com os símbolos da autoridade estatal deveria ganhar? O que se espera, quando a eles se paga um salário aviltante, como é o caso? A sociedade tem que se decidir.

Coronel Jorge da Silva: O senhor lutaria por este tema?Quanto deveria ganhar um PM no Rio:
TABELA DE VENCIMENTOS - PMERJ/CBMERJ:
CORONEL —————- R$ 15.500,00
TENENTE-CORONEL —- R$ 14.700,00
MAJOR ——————- R$ 12.800,00
CAPITÃO —————– R$ 10.700.00
1º TENENTE ————— R$ 9.300,00
2º TENENTE ————— R$ 8.700,00
SUBTENENTE ————– R$ 9.000,00
1º SARGENTO ————– R$ 7.900,00
2º SARGENTO ————– R$ 7.000,00
3º SARGENTO ————– R$ 6.200,00
CABO ———————— R$ 5.300,00
SOLDADO ——————- R$ 4.650,00

A Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro merece respeito!
Com esses salários posso afirmar que o BEP vai fechar as portas.
Aquele abraço
Soldado raso, 24 anos 3 º Ano da Faculdade de Direito UERJ.
( Mulato) e sem cotas!
Sabe Coronel? Minha mãe está pagando meu Glioche - Vou me mandar ! Antes que eu pare no BEP-
O senhor se ligou não?.
7 de novembro de 2009 às 21:12”

PERFIL

Nascido e criado no hoje chamado Complexo do Alemão, Zona da Leopoldina do Rio de Janeiro, Jorge Da Silva entrou para a Polícia Militar aos 17 anos, tendo atingido o último posto, o de coronel.
É doutor em Ciências Sociais (Uerj), com pós-doutorado na Universidade de Buenos Aires (Equipo de Antropologia da Faculdade de Filosofia e Letras (2006)). Professor-adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é atualmente coordenador de estudos e pesquisas em Ordem Pública, Polícia e Direitos Humanos, e pesquisador convidado do Núcleo Fluminense de Estudos e Pesquisas (Nufep) da Universidade Federal Fluminense.
Graduado em Direito e em Letras, com Mestrado em Ciência Política e em Língua Inglesa (Letras).
Na vida pública, além dos altos cargos na Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro, como os de subsecretário de Estado e chefe do Estado Maior Geral, foi coordenador setorial de Segurança, Justiça, Defesa Civil e Cidadania do Governo do Estado (2000 - 2002), presidente do Instituto de Segurança Pública/ISP (2003) e, posteriormente, corregedor (interino) da Corregedoria Geral Unificada das Polícias Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros, e secretário de Estado de Direitos Humanos (2003 - 2006).
Seis livros publicados; dezenas de artigos em publicações coletivas nacionais e estrangeiras; participação como conferencista, expositor ou debatedor em dezenas de seminários, simpósios e mesas redondas no Brasil e no exterior.
Áreas de interesse: segurança pública, direitos humanos, relações etnorraciais, semiótica.
 

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