Governo capixaba pode reativar policiamento integrado para melhorar combate à criminalidade

Como foi destacado em artigo postado anteriormente, sob o título “Modelo do Pro-Pas reduz criminalidade em outros estados, mas é ignorado no Espírito Santo”, Minas Gerais dá aos capixabas um exemplo de como uma das células do Pro-Pas deu certo por lá. Tanto que o governo capixaba pode repatriar o projeto para a Grande Vitória para tentar melhorar o combate à violência.
Em Minas Gerais, o governo criou a Superintendência de Prevenção à Criminalidade (Spec), que é, no âmbito da Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds), a responsável pela implementação de todas as políticas públicas relacionadas à prevenção da criminalidade.
Um dos programas mais importantes da Seds tem como base um dos itens do Programa de Planejamento de Ações de Segurança Pública (Pro-Pas), único programa de segurança que o Espírito Santo experimentou e que durou do final de 1999 a 2002. O Pro-Pas serviu de base para vários estados e até o governo federal, mas por aqui foi ignorado – pelo menos por enquanto.
Esse item abraçado pelo governo mineiro são as Zonas de Policiamento Integrado (ZPIs). As ZPIs capixabas foram instaladas em vários bairros da Grande Vitória e demais municípios do Estado.
Nela, deveriam estar trabalhando juntos policiais civis e militares, sob a coordenação de um delegado e um capitão, respectivamente. Essas duas autoridades máximas deveriam ser responsáveis pela gestão do policiamento em sua área. Deu certo em algum momento, mas depois de 2003 foram extintas. Em tempos recentes quase que o governo capixaba repatriou a ZPI instalada em Minas.
Lá em Minas está dando certo. Cabe ao vice-governador mineiro, o professor Antônio Augusto Junto Anastasia, cobrar de todas as autoridades envolvidas na ZPI resultados positivos em suas áreas.
Vale ressaltar que em recente encontro de alunos dos Cursos de Administração no Brasil, por indicação de Anastasia, o modelo capixaba foi apresentado na Universidade de Ouro Preto.
Uma vez por mês, Anastasia se reúne com o chefe de Polícia Civil, comandante da PM mineira, secretários de Estado (incluindo o da Segurança Pública) e os delegados e oficiais da PM responsáveis pelas ZPIs. Também participam dos encontros secretários municipais das cidades onde estão instaladas as ZPIs. Todos os problemas que surgem para impedir o combate à violência são resolvidos nessa reunião. É também o que Giulianni fazia em Nova Iorque com o seu “Compstat”.
Se, por exemplo, um tipo de delito ocorre numa determinada região porque tal localidade é mal iluminada, o prefeito ou secretário desse município é cobrado e instigado a iluminar a rua ou todo o bairro.
Esse é só um exemplo para ilustrar um dos maiores problemas enfrentados por moradores da Grande Vitória, principalmente de quem mora na periferia, cujas maioria das ruas é mal iluminada (ou tem iluminação deficiente), propícias, portanto, para a ação de marginais, o que passa a ser um problema dos prefeitos, e não do governo do Estado.
Por isso é que, lá em Minas, o vice-governador Anastasia senta à mesa e, com sua autoridade, cobra dos gestores da segurança e dos prefeitos melhorias na segurança de determinada região.
O vice-governador capixaba, Ricardo Ferraço (PMDB), chegou a ir a Belo Horizonte com o então secretário da Segurança Pública, Ivan Rosa, e um ex-comandante geral da PM, para conhecer o modelo de ZPI adaptado pelos mineiros.
Viu, gostou e convidou o coordenador Geral do Centro de Estudos da Criminalidade e Segurança Pública (Crisp) da Universidade Federal de Minas Gerais, o professor Cláudio Chaves Beato Filho, a elaborar um projeto científico para ser implantado no Espírito Santo levando em consideração a realidade dos bairros e da criminalidade da Grande Vitória.
Beato visitou Vitória por três vezes, reunindo-se com a cúpula da Segurança Publica. O professor elaborou um estudo técnico e científico, que serviria de base para a retomada do funcionamento das ZPIs. Mas, na primeira reunião que teve com o hoje secretário da Segurança Pública, Rodney Miranda, seu trabalho teria sido descartado, segundo fontes do Palácio Anchieta.
Rodney estava voltando de Caruaru, em Pernambuco, onde foi secretário municipal de Segurança Pública. Ele havia sido também secretário da Segurança de Pernambuco, depois de ter sido exonerado do cargo aqui no Espírito Santo, por causa do escândalo do grampo telefônico ilegal conta a Rede Gazeta de Comunicação.
Segundo fontes do Palácio Anchieta e de deputados estaduais e federais próximos ao governador Paulo Hartung, Rodney queria evitar mais gastos financeiros e teria ficado de dar sequência ao projeto com sua equipe.
Outras fontes dos palácios Anchieta e da Fonte Grande informam que o vice-governador Ricardo Ferraço ainda não desistiu da idéia de restabelecer aqui o modelo mineiro de ZPI – copiado do Pro-Pas capixaba. Essa disposição começaria a se configurar a partir de abril, quando ele deverá assumir, definitivamente, o governo do Estado, caso o governador Paulo Hartung saia do cargo para disputar uma vaga no Senado.
 

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