Coronéis se reúnem para analisar mudanças que poderão levar a PM ao retrocesso

O comandante geral da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel Oberacy Emmerich Júnior, anunciou no final da tarde desta terça-feira (28/09) a transferência do coronel Julio Cezar Costa da Diretoria de Apoio Logístico (DAL) para a Diretoria de Informática.

Já o coronel João Antônio da Costa Fernandes está sendo transferido da Corregedoria Geral da PM para a Diretoria de Ensino, Instrução e Pesquisa. A transferência dos dois coronéis de seus postos poderá significar um retrocesso do ponto de vista de modernização e de moralização da PM. Nesta quarta-feira (29/09), um grupo de coronéis se reúne para analisar as mudanças anunciadas por Emmerich.

No final da manhã desta terça-feira, a TV Gazeta havia informado que os dois coronéis tinham sido afastados por um período de 30 dias enquanto o comando da PM fizesse a investigação em torno de um diálogo que o coronel Julio Cezar travou com um capitão operador do Centro Integrado e Defesa Social (Ciodes), no dia 12 de julho deste ano.

Segundo reportagem publicada pelo jornal A Gazeta desta terça-feira (28/09), uma gravação do Ciodes revela uma suposta tentativa do coronel Julio Cezar de tomar conhecimento sobre uma ocorrência de trânsito envolvendo um amigo dele - o advogado Johnny Stefano Ramos Lievori.

O coronel garante que não interferiu na ocorrência. “Tanto é verdade que o advogado foi multado e perdeu 12 pontos em sua Carteira de Habilitação”, afirma o oficial.

Segundo a TV Gazeta – atribuindo a informação à assessoria de imprensa da PM –, o Comando Geral da PM iria afastar Julio Cezar e o também coronel João Antônio da Costa Fernandes de seus cargos por 30 dias. O coronel Costa é citado na gravação feita pelo Ciodes como cliente do advogado Johnny Lievori.

O comandante Emmerich negou que os dois oficiais estejam sendo punidos. Garantiu que será aberta uma sindicância para apuração dos fatos. A informação sobre o afastamento pode ter saído da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp), onde fica instalado o Ciodes, que gravou, de maneira clandestina, a conversa entre o coronel Julio Cezar e um capitão operador do órgão.

A saída do coronel Julio Cezar da DAL pode representar um retrocesso na corporação. Em sua passagem pela diretoria, o oficial foi responsável pela modernização de toda corporação e de melhoria de infraestrutura para os policiais – praças e oficiais – trabalharem.

Com um ano à frente da DAL, o coronel Julio Cezar já mandou reformar unidades militares e alojamentos dos praças; construiu uma sala para os motoristas que dirigem viaturas no Quartel do Comando Geral, em Maruípe; criou o Centro de Recuperação e Documentação da PM; está instalando ao Policiamento Eletrônico e o sistema de Videoconferência na PM; comprou fardas novas para praças – soldados, cabos e sargentos), o que não era feito há mais de cinco anos; etc.

À frente da Corregedoria Geral da PM, o coronel Costa impôs um ritmo mais ágil e rigoroso nas apurações de denúncias contra policiais militares. Ele é apontado como um oficial linha dura, que não permite passar a mão na cabeça de militares acusados de desvio de conduta.

Nesta quarta-feira, coronéis vão se reunir no QCG para analisar as mudanças anunciadas pelo comandante Emmerih e tomar providências caso o grupo conclua que a transferência dos coronéis Julio Cezar e Costa tenha sido uma retaliação aos dois oficiais.

“Não podemos aceitar que forças ocultas, que sempre representaram o atraso de nossa corporação e os interesses do crime organizado, voltem a dominar a PM capixaba”, comentou um oficial.

O coronel Julio Cezar Costa pediu desculpas aos praças – sargentos, cabos e soldados – da PM pelas palavras, segundo ele, que possam ter atingido a categoria. É que, em determinada parte do diálogo gravado pelo Ciodes, Julio Cezar teria dito: “Os soldados estão assim, é fora do normal. Soldado é igual leão em cima de carne”.

“Se alguma palavra minha atingiu os militares, peço desculpa. Não tive a intenção de humilhar ninguém. Peço desculpas também ao meu pai, o cabo Lastênio”, disse o coronel Julio Cezar Costa.
 

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