Diretoria de Saúde da PM anuncia projetos para melhorar atendimento no HPM

O diretor de Saúde da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel-médico Jorgean Grego Gonçalves, está elaborando uma série de projetos que permitirão, caso sejam autorizados pelo governo do Estado, ampliar e melhorar o atendimento no Hospital da Polícia Militar (HPM) e demais centros médicos da corporação.

A declaração foi dada pelo oficial ao tomar conhecimento da enquete realizada pelo site da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo (ACS/PMBM/ES) que apontou que a maioria dos internautas que responderam a pergunta disse estar insatisfeita com o HPM.

Segundo o site, pelo menos 88,9% dos internautas que participaram da enquete promovida pela ACS/PMBM/ES disseram estar insatisfeitos com o atendimento no HPM, localizado em Bento Ferreira, Vitória. Do total de votantes, 11,1% aprovam o atendimento no HPM. Dos que estão insatisfeitos, 50,7% entendem que o HPM deveria ampliar seu atendimento. Já 31,6% revelaram que a valorização dos servidores ajudaria a melhorar o hospital, enquanto 17,8% apostam na contratação de mais profissionais como forma de reverter o atual quadro do HPM.

De acordo com o coronel PM Jorgean, a insatisfação demonstrada pela enquete faz sentido, “porque há 17 anos a corporação não contrata profissionais para a área de saúde”. Jorgean Grego, que é responsável pelos cinco centros (incluindo o HPM) subordinados à Diretoria de Saúde, lembra que o governo do Estado promoveu reposição nos quadros de militares combatentes da PM e do Corpo de Bombeiros, mas especificamente a Diretoria de Saúde (DS), que mais sofre com a demanda, não contrata profissionais desde 1993.

“O setor de saúde atende cerca de 50 mil usuários, entre militares da ativa, da reserva, pensionistas e os dependentes dos policiais”, lembra o coronel.

Projetos que visam melhorar o atendimento realizado pela Diretoria de Saúde já estão sendo elaborados pelo coronel Jorgean Grego e sua equipe. Um deles é o que prevê a criação nos Batalhões da PM as Unidades Básicas de Saúde (UBS), para realizar diagnósticos epidemiológicos referentes a saúde no trabalho e atendimento básico à saúde dos militares e dependentes, com equipes multidisciplinares, e o aumento do efetivo do setor, contratando mais profissionais (médicos, enfermeiros, dentistas) para atender, principalmente, no HPM.

A Diretoria de Saúde da PM engloba cinco centros: HPM, Policlínica, Farmacêutico/Bioquímico, Odontológico e Apoio Administrativo. Todos esses setores se reportam ao Diretor de Saúde e estão instalados em Bento Ferreira, no mesmo complexo onde fica o HPM.

“Quem passa por aqui tem a falsa ilusão de que o nosso hospital é gigantesco. Na verdade, todo esse complexo comporta os cinco centros da Diretoria de Saúde”, afirma o coronel Jorgean Grego.

Na reestruturação da DS, em um primeiro momento está sendo proposta a recomposição do quadro de saúde, preenchendo os claros existentes. Em uma segunda fase, é proposta a ampliação do quadro nos diversos Centros da DS, e cria nos BPMs as UBS multidisciplinares.

O aumento do efetivo se dará com a contratação de pessoal, através de concursos públicos para médicos e enfermeiros. Hoje, a Diretoria de Saúde conta com 38 médicos (o quadro prevê 71 médicos) que atendem em Vitória e outros dois que fazem atendimento no Centro de Formação e Aperfeiçoamento, em Cariacica, e no 9° Batalhão, em Cachoeiro de Itapemirim. São também 22 oficiais-dentistas. Todos são responsáveis pelo atendimento de 50 mil usuários – só da família militar. O setor tem também programas específicos para militares e a comunidade em geral, como um centro de tratamento para dependentes de drogas.

No projeto de reestruturação da Diretoria de Saúde, o coronel Jorgean Grego planeja dar ênfase à medicina do trabalho e à preventiva, sem abandonar a medicina assistencial. “Estamos fundamentando projetos na assistência psicológica e social”, garante o coronel-médico.

A ideia é ampliar os serviços da Diretoria de Saúde para os batalhões da PM e Corpo de Bombeiros, para atuar de forma preventiva com médicos, dentistas, psicólogos, professores de Educação Física e nutricionistas.

“O professor de Educação Física e o profissional de nutrição podem ser civis. Já os demais têm que ser militares. Os exercícios físicos deverão ser voltados principalmente para aqueles militares com problemas de saúde, acompanhados pela equipe de saúde das UBSs. Os psicólogos terão papel importante em orientar e fortalecer o sentimento de trabalho em equipe e manter fortalecida a auto-estima do policial militar, monitorando o estado emocional do militar que vai para as ruas”, destaca o doutor Jorgean Grego.

Antes mesmo, porém, de enviar projetos de melhoria no setor de saúde para o governo do Estado, a Diretoria de Saúde já oferece ampliação de especialidades para o público militar. Agora, a DS tem um convênio com a Faculdade de Medicina Univix que amplia o atendimento nos consultórios.

Professores-médicos e alunos de Medicina atendem nas especialidades de infectologia, endocrinologia, imunologia, reumatologia e dermatologia. No próximo ano, segundo o coronel-médico Jorgean Grego, esses serviços serão ampliados com cardiologia, pneumologia e gastroenterologia. Os militares e seus dependentes só precisam marcar consulta e o atendimento é na área do HPM.

O coronel Jorgean lembra, entretanto, que em 2011 a PM ganhará mais mil novos soldados, que acabam de realizar concurso:

“Se não tivermos condições de ampliar o atendimento, o serviço na área de saúde vai ficar cada vez mais congestionado. Estamos trabalhando, junto com o comando geral da PM, uma forma de mostrar aos candidatos ao governo do Estado a necessidade de se investir na segurança pública através da saúde do policial, seja a saúde física, mental e social. O governo deve perceber que o investimento na saúde do policial é uma forma de também melhorar a segurança dos cidadãos”.

O coronel Jorgean Grego recorda que desde o primeiro mandato do governador Paulo Hartung – que começou em janeiro de 2003 –, a PM está expondo a situação do HPM e dos demais setores atendidos pela Diretoria de Saúde da corporação. Ele acrescentou que toda a DS ficou comprometida em seus serviços com a evasão de profissionais civis e militares, em especial com o grande número de oficiais médicos que deram baixa, além daqueles que foram para a reserva.

O Hospital da Polícia Militar completa neste mês de setembro 18 anos. Para uma parcela da sociedade e até mesmo para alguns setores do governo do Estado, o HPM é um privilégio para os militares. O hospital, entretanto, atende o público civil e, atualmente, em seu anexo, funciona o Hospital São Lucas, cuja sede, no Forte São João, encontra-se em obras para ampliação.

Por isso, um dos maiores desafios hoje do comando da PM é mostrar à população capixaba a importância dos cuidados que a corporação precisa ter com a saúde dos militares. O coronel PM médico Jorgean Grego chega até a se emocionar quando fala do assunto:

“Hoje, o grande desafio da PM é esclarecer para a sociedade e para setores do governo do Estado que a Diretoria de Saúde, com seus diversos departamentos, não é privilégio para os militares. É uma necessidade. Garantir saúde ao militar é importante, sobretudo, para a segurança da população. O militar precisa estar saudável física e mentalmente. A corporação não pode perder a referência, diante de seus homens, de ser exigente na cobrança da disciplina, mas também ser firme e comprometida na assistência à saúde, quando ele está ferido ou doente, pois a legitimidade do comando é exercida quando se atua nessas duas ações no cotidiano. No cumprimento do dever, durante os momentos de doença específica aos seus militares, ela corre um risco muito grande. Outros servidores públicos também têm problemas de saúde, mas não sofrem conseqüência trágica como o militar, que quando doente em serviço, se houver desequilíbrio de saúde, pode provocar situações trágicas na rua”, diz o coronel Jorgean, que completa:

“Quando a sociedade, e mesmo setores do governo, se colocam favoráveis a se suprimir da PM assistência à saúde específica para os militares, estão colocando em risco a população e a credibilidade na segurança pública. Se a segurança pública é hoje uma questão nevrálgica para o governo, ficará muito mais grave com um policial doente nas ruas. O cidadão espera sempre que o policial esteja equilibrado física e emocionalmente para protegê-lo”.

Por sua vez, ao analisar o resultado da enquete, o diretor de Pessoal da ACS/PMBM/ES, Clemilson da Silva Pereira, salientou que se a Polícia Militar e o Corpo de Bombeiro – do aluno-soldado ao coronel – não se unirem em busca de melhorias para o hospital, grande parte da tropa das duas corporações ficará sem atendimento médico nos próximos anos.

“Se nós militares, da PM ou do Bombeiro, entrarmos no conformismo com a situação do HPM, em breve teremos que encarar os filões do SUS”, sentenciou Clemilson Pereira, que é cabo PM lotado no HPM.

Segundo o diretor Clemilson, pelo menos 60% dos cabos e soldados não têm plano de saúde particular. Ele lembra que nos editais dos concursos públicos para a PM e o Corpo de Bombeiros o governo do Estado garante que dá assistência médica e odontológica aos candidatos aprovados que se tornarem militares das duas corporações:

“Só que esta assistência médica e odontológica a que se refere o governo do Estado é o HPM. Não se trata de nenhum plano de saúde”, afirma Clemilson Pereira.

Ele entende ainda que se os militares capixabas não pensarem em um outro modelo de saúde mais eficiente, o HPM vai acabar. Clemilson Pereira é favorável que se volte a discutir dentro da família militar capixaba o Fundo de Saúde como forma de investimento no HPM, contando com a contrapartida do governo do Estado. Porém, com uma gestão fiscalizada pelas entidades de classe da PM e dos bombeiros militares, com a participação de toda a categoria militar, que vai dos praças aos coronéis.

“Esse novo modelo precisa ter gerência de pessoal técnico”, sintetiza Clemilson Pereira.

Ele lembra que durante um período os militares contribuíam para o Fundo de Saúde. Esta contribuição, no entanto, foi extinta há 20 anos. Hoje, os militares que queiram pagar de seu próprio bolso, podem ter um plano de saúde particular, que é gerenciado pela Associação de Saúde dos Policiais e Bombeiros.

“Mas esse plano é pago”, disse Clemilson, informando que um associado do plano que é casado e tem dois filhos, hoje paga mais de R$ 300 mensais para ser atendido por médicos conveniados ao plano, que é considerado bom, segundo avaliação da Agência Nacional de Saúde. Na última avaliação, recebeu nota entre 0,60 a 079.

“Este plano está no patamar, por exemplo, da Unimed, mas ele é caro para os cabos e soldados”, disse Clemilson Pereira.
 

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