Grampo telefônico clandestino atinge coronéis da PM

O grampo telefônico ilegal instalado dentro da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo acaba de derrubar dois coronéis da Polícia Militar capixaba.

Na manhã desta terça-feira (28/09) foi afastado pelo comando da Polícia Militar o coronel Julio Cezar Costa do cargo de Diretor de Logística da corporação por 30 dias por conta das declarações dadas por ele contra a instituição. Também foi afastado o corregedor geral da PM, coronel João Antônio da Costa Fernandes.

O jornal A Gazeta publica em sua edição desta terça-feira um diálogo travado entre o coronel Julio Cezar Costa e um capitão operador do Centro Integrado e Defesa Social (Ciodes) instalado dentro de Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp). A gravação do Ciodes mostra a reação do coronel à demora do capitão em enviar ao local de uma ocorrência de trânsito, em Jardim Camburi, um oficial.

O coronel alegava na gravação que havia sido contatado por um advogado, que acabara de ser abordado por policiais militares dentro de um supermercado, por supostas irregularidades no trânsito. O coronel Julio Cezar diz que não interferiu na ocorrência policial. Tanto que o advogado acabou sendo multado por excesso de velocidade.

Porém, Julio Cezar pediu a presença de um oficial ao local da ocorrência porque o advogado alegava que estaria sendo “pressionado” pelos militares.

De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Militar, o Comando Geral da corporação vai instaurar um inquérito policial militar para apurar os fatos. "Por fim, o Comando Geral comunicará à Procuradoria Geral de Justiça das providências tomadas e solicitará apoio do Ministério Público no acompanhamento dos fatos", diz a nota.

O coronel Costa foi afastado também por 30 dias porque, na gravação seu colega Julio Cezar diz que o advogado que estaria sendo multado pelos militares seria também advogado do Costa.


O que está em jogo, entretanto, não é a truculência verbal do coronel Julio Cezar com o capitão operador do Ciodes. O que intriga a sociedade é como a Sesp permite que conversas entre cidadãos e operadores do Ciodes sejam gravadas.

E pior, de maneira clandestina, porque somente uma ordem judicial pode autorizar a polícia a gravar (grampear) conversas entre cidadãos, com base em suspeitas de crime. Mais grave: como a Sesp permite que essa conversa gravada (grampeada ilegalmente) entre um coronel e um operador do Ciodes se torne pública.
 

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