ACS-ES defende exames antidrogas para policiais militares

Com o objetivo de ajudar as Corporações Militares a cuidar cada vez mais da saúde de sua tropa, a Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo (ACS/PMBM/ES) defende a realização periódica de exames toxicológicos para policiais militares e bombeiros militares.

“Nossa principal preocupação é com a saúde dos policiais militares. Realizando os exames periodicamente, as Corporações terão facilidade de detectar quem tem problema com álcool e drogas. Detectando os problemas, poderão encaminhar os policiais para tratamento médico”, ponderou o diretor da ACS/PMBM/ES, Flávio Gava.

Na noite de terça-feira (02/11) um cabo da PMES foi preso em flagrante pela própria Polícia Militar ao assaltar uma farmácia, em companhia de um cúmplice. Ao confessar o crime, o cabo declarou que queria dinheiro para pagar dívida de crack a um traficante.

“Esse cabo está doente. Ele precisa de tratamento químico, físico e psicológico. Tem que ser tratado como um doente”, disse Flávio Gava.

A dependência química em Corporações policiais não se restringe aos praças. Recentemente, um major da PMES passou a responder processo porque teria trocado sua pistola (que pertence à Corporação) por pedras de crack num ponto de vendas de drogas.

Também recentemente, um investigador da Polícia Civil foi assassinado a tiros, em Vila Velha, porque teria extorquido um traficante. O investigador, segundo apurações da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), seria usuário de drogas.

O diretor Jurídico da ACS/PMBM/ES, Moábio Washington Mendes, defende a mesma tese de Gava. Segundo ele, um projeto de lei deveria ser aprovado no sentido de obrigar as Corporações a realizarem os exames anualmente em toda a tropa.

“Detectando o uso de drogas, que é uma doença, o comando tem a obrigação de encaminhar o policial para tratamento médico imediatamente”, disse Moábio.

Em entrevista publicada na edição desta quinta-feira (04/10) no jornal A Tribuna, Flávio Gava assegurou que a Associação defende a obrigatoriedade dos exames:

“Colocamos essa proposta para que os deputados avaliem a possibilidade de fazer um projeto de lei. É uma forma de detectar os policiais que estão vivendo esse problema e encaminhá-los a tratamento”.

As Corporações Militares do Espírito Santo não têm a tradição de obrigar seu efetivo a fazer exames para detectar uso de drogas. Somente no último concurso público para ingresso de soldados, a PM adotou a prática do teste antidrogas.

Segundo o assessor de imprensa da PMES, capitão Almeida Júnior, não há uma lei que determine que os policiais se submetam ao exame toxicológico.

Ouvido por A Tribuna, o deputado estadual reeleito Josias Da Vitória (PDT) afirmou que é a favor da obrigatoriedade do exame. “Eu defendo a atenção do governo ao funcionário público que está nessa condição de dependente”, disse o parlamentar, que é cabo da reserva remunerada da PMES.

Para o diretor da ACS/PMBM/ES Flávio Gava, o teste antidrogas será um avanço dentro das instituições e, ao mesmo tempo, um grande serviço para os policiais dependentes e para toda a sociedade:

“Há policiais, com receio de serem discriminados ou punidos, que não revelam que têm dependência química ou alcoólica. Também há aqueles que são e não admitem. Isso é um problema que acontece não só na PM, mas em toda a sociedade”, ponderou Gava.
 

Blog do Elimar Côrtes Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger