Delegado dá exemplo de dignidade

A prisão de um acusado de estelionato em Vitória, no final de semana, fez surgir uma certeza: o Espírito Santo é dotado de bons servidores públicos. Mais do que isso: é dotado de policiais de caráter irretocável. E mais: demonstrou que a Polícia Civil capixaba é capaz de elucidar crimes que, a princípio, pareciam que ficariam impunes.

Enaltecer a serenidade do delegado Wellington Lugão, que no domingo à noite estava de plantão no Departamento de Polícia Judiciária de Vitória, no Bairro de Lourdes, é mais do que obrigação de qualquer comentarista ou articulista. Infelizmente os elogios na imprensa brasileira são uma raridade.

Lugão estava trabalhado quando foi procurado por sua colega, a delegada Ana Cecília Mangaravite, que havia sido vítima de um golpista. O criminoso, identificado como Guilherme Viruel, conseguiu clonar cartão de crédito da delegada e ficou mais de uma semana gastando em boates e outros estabelecimentos comerciais do Espírito Santo. A delegada descobriu, ajudou na investigação e prendeu o bandido, na Praia do Canto.

Achando-se dono do mundo, Guilherme Viruel até ameaçou de morte os policiais que o prenderam. Levado para o DPJ de Vitória, Guilherme chamou o delegado Lugão para conversar num canto da sala.

O delegado pediu a um investigador que ouvisse a conversa, do lado de fora. O estelionatário iniciou mais um crime, tentando subornar o delegado. Tirou de seu pulso direito um relógio da marca Rolex, que custaria R$ 12 mil, e ofereceu a Wellington Lugão.

Disse que daria mais dinheiro ao delegado caso fosse solto. Alegou que não poderia ficar no meio de bandidos, porque se considerava um cidadão do bem.

O servidor público capixaba é hoje conscientizado. Delegado de Polícia Civil é um agente público que conhece muito bem seu dever constitucional. Os delegados de Polícia Civil do Espírito Santo são, em sua maioria absoluta, dignos de respeito, competentes e merecedores de todos os elogios.

Infelizmente, a remuneração desses profissionais não condiz com a realidade financeira e econômica vivida hoje pelo Espírito Santo. O atual governo, liderado por Pulo Hartung, colocou nosso Estado entre os que mais cresceram no Brasil nos últimos anos. Tem liderado o PIB nacional, mas o salário dos delegados está desligado desse boom: hoje, o salário dos delegados de Polícia Civil do Espírito Santo é o 19º no País em relação ao pago a delegados de outros estados.

Nem por isso homens de bem, como o delegado Wellington Lugão, vestem a roupa do mal. O exemplo dele deve ser seguido, sobretudo, pela maioria dos políticos brasileiros.
 

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