Renato Casagrande revela como vai ser a segurança pública em seu governo


Em entrevista ao Blog do Elimar, o governador eleito do Espírito Santo, o senador Renato Casagrande (PSB), revela como vai ser a segurança pública em sua gestão.
Ele traça o perfil de seu secretário da Segurança, admite que vai cobrar resultados de comandantes militares e delegados de Polícia Civil e diz que os esforços e união de toda a sociedade civil, juntamente com órgãos púbicos e governos estadual e federal, serão fundamentais para a redução da violência em todo Estado.


Blog do Elimar
- A presidente eleita Dilma Rousseff declarou, um dia após a eleição, que vai convocar os governadores para uma reunião em Brasília, tão logo tome posse, para discutir questões da segurança pública e da saúde. Dilma quer formar um pacto contra a violência em todo o País. Em relação à segurança, o senhor vai levar alguma sugestão ou algum pleito ao governo federal?
Renato Casagrande - Vamos defender a importância de o Governo Federal ter maior presença em parcerias com os governos estaduais neste tema. Consideramos necessário um programa que oriente os órgãos federais, especialmente as Polícias Federal e Rodoviária, a se integrarem com as ações locais de prevenção e combate à criminalidade. É necessária uma atuação mais forte nas fronteiras no combate ao tráfego de drogas. Também compreendemos que a União deve contribuir financeiramente com os estados nos investimentos que são demandados para a construção de presídios e equipamentos para as polícias estaduais.


- O senhor concorda que o combate à violência é um dos maiores desafios do futuro governo capixaba?
- Prefiro pensar que a violência crescente na sociedade moderna é resultado de um conjunto amplo de causas. Formação histórica e cultural, cultura do consumismo, qualidade de vida dos cidadãos, nível educacional, conceitos sobre saúde, empregabilidade, distribuição de rendas, características da vida em grandes cidades, dentre outros. Assim, penso que o maior desafio para os governantes é inovar na implementação de ações que terão impactos sobre as causas. É claro que não podemos deixar de lado a repressão, mas isso é um desafio mais direto para agentes de segurança.

- Em entrevista publicada recentemente no jornal A Gazeta o senhor praticamente já traçou o perfil do futuro secretário da Segurança: deverá ser uma pessoa com trânsito livre em todos os setores da sociedade; alguém que entende não só de segurança, mas, sobretudo, de questões sociais. É por aí mesmo?
- Exatamente. O futuro secretário de Segurança deve ser alguém que tenha em mente um conceito amplo de segurança, que trabalhe de forma integrada com outras áreas, como a Secretaria de Justiça, de Direitos Humanos e que tenha capacidade de gerenciar programas de mudanças de paradigmas, além de saber lidar com a repressão para agir no curto prazo. Deve ser uma figura respeitada pelas polícias e pela sociedade.

- O combate à criminalidade passa pelo reforço das questões sociais? Ou seja, o Estado e a sociedade civil, juntos, têm mesmo a obrigação de dar condições, principalmente, aos jovens para que eles conheçam o caminho do bem?
- Conforme já mencionei, o aumento da criminalidade é um fenômeno social complexo e oriundo de um conjunto muito amplo de elementos característicos da evolução da sociedade moderna. Um fenômeno que não será compreendido e controlado se deixado apenas como problema do Governo e de governantes. É necessário que os mais diversos segmentos da sociedade se envolvam, desde os cientistas com pesquisas para identificação de causas e desenho de políticas, os agentes de segurança, as organizações sociais, que podem contribuir com o trabalho em diversas áreas, assim por diante.

- O senhor tem dito que vai cobrar, pessoalmente, da cúpula da segurança pública resultados. Vai cobrar do chefe de Polícia Civil, dos delegados e dos comandantes de unidades militares a redução da criminalidade. Como será essa cobrança? Haverá, por exemplo, punição para comandante de alguma unidade ou de delegacia da região onde a redução dos índices de criminalidade não for alcançada? Haverá, por outro lado, a adoção de uma política de incentivo, ou seja, premiação para as unidades que cumprirem suas metas?
- Nós já definimos que o nosso modelo de gestão será organizado com base em objetivos estratégicos, administração por projetos e voltada para resultados. Neste ambiente gerencial, todas as sugestões presentes em sua pergunta são possíveis e poderão ocorrer. Contudo, a metodologia, os detalhes e o momento certo de cada uma das ferramentas gerenciais ainda estão sendo desenhados pela equipe de transição e serão concluídos somente depois da posse para que todos os envolvidos possam participar, opinar e se comprometer com os projetos.

- Hoje a Polícia Civil tem um déficit de quase 150 delegados. O governador Paulo Hartung já mandou abrir concurso para contratar mais 25 delegados em 2011, o que é, pela necessidade da instituição, insuficiente. O senhor pretende anunciar novo concurso para delegados logo no primeiro ano de gestão?
- Nosso propósito é de manter os quadros de todas as categorias devidamente atualizados. Para isso vamos monitorar com todo aprofundamento necessário a demanda dos respectivos serviços. São tais estudos que determinarão o momento adequado para a autorização de novos concursos.


- Que nota o senhor daria hoje para a nossa segurança pública?

- Não creio que podemos tratar de assunto tão complexo como se fosse um simples teste para o qual podemos atribuir uma nota. Constatamos vários investimentos estruturantes para a área; evoluímos muito em capacitação de pessoas; avançamos na aplicação de novas tecnologias e investimentos significativos têm sido feito no sistema carcerário. Por outro lado, ainda temos índices de homicídios, por exemplo, bem acima da média nacional. E reduzi-los implicará em ações de toda a sociedade.

- O modelo de Polícia Comunitária adotado no Espírito Santo, lá atrás ainda no governo Vitor Buaiz, serviu de modelo para as polícias de vários outros estados. Por aqui, a Polícia Interativa somente voltou a ganhar força nos últimos seis meses, por decisão do atual secretário da Segurança, André Garcia. O senhor pretende manter esse modelo? Ou ampliá-lo para outras regiões, já que hoje a Polícia Interativa ocupa só cinco bairros da Grande Vitória?
- Este é um modelo de policiamento que apresenta muitas vantagens e que conta com a minha simpatia. Mas, como já disse nesta entrevista, vamos concluir as medidas que serão adotadas após termos a equipe em plena atividade.

- É certo que o Espírito Santo não produz armas e nem drogas, mas elas entram livremente no Estado seja por nossas fronteiras terrestres ou pelos portos. O senhor pretende mandar a Sesp voltar a realizar operações nas nossas divisas com outros estados? O senhor vai pedir ajuda da Polícia Federal e da Marinha para que melhorem a fiscalização nos portos, por onde costumam entrar também armas e cocaína, principalmente?
-
É verdade que o tráfego de drogas e várias conseqüências decorrentes são fatores fortes da criminalidade e formam um campo de atuação onde a presença dos órgãos federais é decisiva para que se alcance resultados positivos. Vamos ter uma grande articulação com os demais governadores de outros estados para que o Governo Federal tenha presença mais forte e mais articulada com o programa de segurança do Estado.
 

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