Nove em cada 10 brasileiros têm medo de assassinato

Uma pesquisa fresquinha que acaba de ser publicada pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) traz dados preocupantes – porém, importantes – para os operadores de segurança pública de todo o País.

Os números são do Sistema de Indicadores de Percepção Social (SIPS) sobre Segurança Pública.O Ipea é ligado à Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República.

A pesquisa do Ipea é dedicada às percepções da população brasileira sobre a segurança pública e seus principais órgãos – as polícias Militar e Civil dos estados, a Polícia Federal e as Guardas Municipais.

Os entrevistados de todo o Brasil responderam a cinco séries de perguntas. Em primeiro lugar, expressaram o grau de medo em relação aos seguintes eventos: assassinato, assalto a mão armada, arrombamento da residência e agressão física.

Em segundo lugar, responderam sobre o grau de confiança nas instituições policiais e nas guardas municipais. Em terceiro, avaliaram vários itens ligados às policias e seus serviços.

Por fim, os entrevistados que já passaram pela experiência em contato com a polícia fizeram uma avaliação dos serviços prestados e forneceram informações sobre possíveis problemas ocorridos na interação com os agentes policiais.

O primeiro bloco de questões teve por objetivo avaliar a sensação de insegurança dos entrevistados, que expressaram o grau de medo em relação a assassinato, assalto a mão armada, agressão física e arrombamento da residência.

Segundo a pesquisa do Ipea, a grande maioria dos entrevistados, 78,6%, afirmou ter muito medo de ser vítima de assassinato. Em cada 10 entrevistados, nove têm medo de ser assassinados.

O mesmo acontece em relação ao medo de assalto a mão armada: 73,7% têm muito medo de ser assaltados, mas, somando todos os entrevistados com algum grau de medo, 90,4%
dos entrevistados tem medo desse tipo de crime.

No que diz respeito à confiança da população nas instituições policiais, uma triste constatação: apenas 4,2% confiam muito na Polícia Militar; 4% dizem confiar muito na Polícia Civil; 13% confiam muito na Polícia Federal; e 4,4% dizem confiar muito na Guarda Municipal.

Somados todos os itens da pergunta desse quadro (Confia muito; Confia; Confia pouco; Não confia), o resultado demonstra que a Polícia Federal conta com o maior grau de confiança por parte da população: 82,5%
dos entrevistados confiam na instituição, enquanto 74,1% apresentam algum grau de confiança na Polícia Civil e 72,3% confiam na Polícia Militar.

As Guardas Municipais mostraram-se menos confiáveis, segundo o Ipea, na visão dos entrevistados: 68,1% deles indicam algum nível de confiança nelas.

Quando indagados a respeito da qualidade dos serviços prestados pelas instituições policiais, a maior parte dos entrevistados manifestou insatisfação com sua forma de atuação, além de identificar elementos como preconceito e desrespeito aos direitos dos cidadãos no atendimento policial em geral.

A avaliação geral dos serviços normalmente prestados pelas instituições policiais é negativa. De acordo com os resultados da pesquisa, 61,7% dos entrevistados apontaram lentidão da polícia no atendimento a emergências via telefone.

Pelo menos 50,7% dos entrevistados dizem discordar da afirmativa de que ‘‘A polícia atende a emergências via telefone de forma rápida’’. Outros 54,2% afirmam discordar com a posição de que ‘‘A polícia aborda as pessoas de forma respeitosa’’, enquanto outros 52,7% entendem que a polícia não respeita os direitos dos cidadãos.

Quando se trata da avaliação dos serviços prestados pela polícia – neste caso, as perguntas foram direcionadas somente aos entrevistados que já passaram pela experiência de um contato com a polícia –, o resultado é positivo.

Pelo menos 43,5% responderam que o serviço prestado foi bom ou ótimo, enquanto 29,5% o consideraram regular e 27,1% disseram ter recebido um atendimento ruim ou péssimo por parte da polícia.

Dados preocupantes da pesquisa, entretanto, vêm a seguir: um em cada 10 entrevistados que passaram por alguma situação de contato com a polícia foi ofendido verbalmente por policiais. Sofreram algum tipo de ameaça 5,8%
dos entrevistados, enquanto 3,4% foram agredidos fisicamente e 4,1% disseram terem sido extorquidos por policiais.

A pesquisa completa encontra-se na íntegra – e com mais análise – no site do Ipea. O endereço é www.ipea.gov.br
 

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