Casagrande defende a valorização dos militares competentes e ação enérgica contra os maus policiais

Ao dar posse ao novo comandante geral da Polícia Militar, coronel Anselmo Lima, o governador Renato Casagrande deixou mensagens importantes para a tropa. Numa delas, disse que a PM precisa privilegiar a competência.

Em outra mensagem, deixou claro que não vai aceitar que a corporação impeça o governo de lutar contra o crime organizado e pela redução da violência.

O próprio discurso do coronel Anselmo Lima foi também um alívio para praças e oficiais. O novo comandante já detectou que precisa investir na saúde dos policiais.

No dia 8 de dezembro, o Blog do Elimar postou reportagem mostrando que um raio X elaborado pela própria Diretoria de Saúde da PMES revelava que, em 2009, pelo menos 5.388 policiais se afastaram de suas atividades por problemas de doença no Espírito Santo. Segundo a DS, normalmente cerca de 1.400 militares estão de licença médica ao mesmo tempo, o que dá para formar três batalhões. Mais informações sobre o assunto no link http://elimarcortes.blogspot.com/2010/12/saude-da-policia-vai-mal-numero-de.html

Ao assumir o comando geral da PM e declarar que vai voltar suas atenções para a saúde dos militares e a qualificação profissional dos policiais, o coronel Anselmo acerta no alvo e reconhece o que tira o sono da categoria.

Oportuna também a fala do governador Renato Casagrande durante a cerimônia de posse, realizada na noite de sexta-feira (07/01), no Quartel do Comando Geral da PM, em Maruípe, Vitória:

“A Polícia Militar faz com que as pessoas de bem e de boa índole vivam e trabalham neste Estado. Nos últimos anos, avançamos, mas sabemos o quanto podemos avançar mais. Segurança pública é um tema complexo e tem diversas interfaces que abarcam áreas como Justiça e sistema prisional. A integração das ações na área também passam por educação, assistência social, cultura, esportes. É assim que atuaremos”.

Casagrande também falou de valorização do profissional, destacando que os praças e oficiais competentes precisam ter seu talento reconhecido. O governador ainda fez referência aos poderes constituídos que participam da segurança:

“Para combater o crime organizado, é fundamental a participação do Poder Judiciário, do Ministério Público e demais instituições. Temos a necessidade de estreitar a articulação com os entes federais para a orientação efetiva sobre as ações para conter a criminalidade. A tarefa do novo comandante é garantir a união de toda corporação em torno de um projeto coletivo, e não pessoal”.


Foi no momento seguinte que o governador mandou um recado para que não anda na linha dentro da PM:

“Coronel Anselmo Lima, o senhor está autorizado por mim a cortar na própria carne, se necessário for, para concluirmos a tarefa que nos confiou o povo do Espírito Santo”.

E a entrevista que o coronel Anselmo Lima concedeu ao jornal A Gazeta na edição desta segunda-feira (10/01) também está sendo fundamental para a sociedade entender – e depois cobrar, caso as ações não se cumpram – como será a sua gestão.

Ele afirma que quer dar à corporação um novo perfil, investindo em ações preventivas. Avalia que o contexto social pede um novo tipo de policiamento, distante daquele pautado apenas em ações repressivas.

Eis, abaixo, o que o coronel Anselmo Lima falou à A Gazeta:

Contexto
Vivemos em uma sociedade pós-moderna, marcada pelo consumismo, pelo individualismo, pela velocidade das informações e que nem sempre compreende sua noção de limites e valores. E mais: na busca pelo prazer imediato, as pessoas acabam enveredando em um mundo de violência e criminalidade. É nesse contexto em que a Polícia Militar atua, um contexto que pede ações diferenciadas.

Ação
Hoje temos uma polícia preparada para lidar com as ações repressivas. Essa é uma função que dá resultado e que não vai deixar de existir, porque no convívio social sempre haverá situações de conflito. Mas a tônica do nosso trabalho será as ações preventivas. Na sociedade em que vivemos, se trabalharmos com o modelo antigo de policiamento - baseado só na repressão -, não vamos avançar em nada no que diz respeito à prevenção da violência e da criminalidade.

Foco
Precisamos mapear a instituição, mas vamos trabalhar a prevenção com a integração, além da articulação com a sociedade e com os diversos segmentos organizados. Vamos dar espaço a projetos que já vêm sendo desenvolvidos, como o Proerd (Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência) e os Territórios da Paz, além de trabalhar com o possível retorno da Polícia Interativa e estar alinhado com o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania).

Comunidade
O bom relacionamento com as comunidades é imprescindível. E, se queremos a sociedade como parceira no combate aos índices de criminalidade, precisamos trabalhar para fortalecer esse relacionamento. Algo que não acontece da noite para o dia, mas de forma natural, à medida que se adquire confiança.

Drogas
O consumo de entorpecentes tem sido um fator agravante nas ocorrências. As de maior poder ofensivo, como roubos, homicídios e latrocínios, giram em torno da necessidade de sustentação do vício. Outro sinalizador do quanto a sociedade está sendo afetada pelas drogas é o volume de pessoas que nos procuram em busca internação para seus parentes viciados no Hospital da Polícia Militar.

Desafio
Talvez seja necessário trabalharmos a responsabilidade com cada profissional e com nossos coronéis, de forma a despertar em cada um seu grau de responsabilidade e comprometimento com a instituição e com a sociedade.

Promoção
O tempo de serviço é importante na Polícia Militar, mas não acredito que o fato de ter sido promovido recentemente e de ser um dos coronéis mais novos interfira no relacionamento com os demais colegas. Prefiro acreditar na maturidade profissional e no comprometimento de cada membro do alto comando da corporação, no sentido de que não me vejam apenas como o mais novo, mas que entendam que estão sendo liderados pelo comandante da Polícia Militar.

Denúncias
Toda denúncia em que há o envolvimento de um policial militar precisa ser apurada. Há denúncias que apontam o envolvimento de coronéis que ainda estão sendo investigadas, mas não há nada comprovado. Se, ao final das apurações, se constatar que são procedentes, a corporação tomará as providências necessárias.

Imagem
Não restam dúvidas de que as denúncias contra os coronéis trouxeram desgaste para a instituição. Mas quero tranquilizar a sociedade e, de certa forma, acalmá-la para que se aguardem os resultados das apurações e que não considerem as denúncias como fato concluído. Tenham paciência. Se ao seu final as investigações concluírem que procedem, então tomaremos as providências, porque a sociedade precisa de uma Polícia Militar confiável.
 

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