Dilma: “Vamos atrás dos traficantes internacionais”

A presidenta Dilma Rousseff prometeu nesta segunda-feira (21/02) intensificar a política de enfrentamento ao tráfico de drogas com o bloqueio das fronteiras para inibir a ação de traficantes internacionais.

Em seu programa semanal de rádio, Dilma afirmou que a política do governo será marcada por três pontas interligadas: a prevenção, a ser feita nas escolas e nas famílias; o tratamento dos usuários; e o cerco à entrada das drogas no País. Com isso, segundo ela, o governo espera impedir o recrutamento de jovens para o "pequeno tráfico".

“Nosso plano prevê ampliação do combate ao tráfico, especialmente nas fronteiras. Veja, vamos atrás do traficante internacional e, ao mesmo tempo, vamos agir para acabar com o pequeno tráfico, aquele que muitas vezes rouba a infância, usando nossas crianças e adolescentes como chamados ‘aviões’”, disse a presidenta no Café com a Presidenta.

“Esta é uma das faces mais cruéis do tráfico de drogas, pois meninos e meninas pobres são atraídos pelo dinheiro fácil e promessas falsas, sem saber dos riscos que estão correndo”, acrescentou.

Ainda em seu programa, Dilma Rousseff destacou a implantação de 49 centros regionais de referência em crack e outras drogas, anunciada por ela na semana passada. A iniciativa tem como objetivo formar profissionais que possam oferecer atendimento e acompanhamento a dependentes.

“Em faculdades espalhadas por todo o Brasil, a partir de agora, médicos, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais vão receber capacitação para atender, de forma eficaz, os dependentes de crack e seus familiares. Eles vão conhecer as técnicas de tratamento e, também, as possibilidades de trazer essas pessoas de volta ao convívio social, ao trabalho e aos estudos”, afirmou.

Leia a íntegra do Café com a Presidenta:

"Apresentador: Oi, gente, eu sou Luciano Seixas e estamos começando mais um encontro semanal com a presidenta Dilma Rousseff. Bom dia, presidenta, tudo bem com a senhora?


Presidenta: Tudo bem, Luciano. Um bom dia para você também e um bom dia para os nossos ouvintes.

Apresentador: Hoje, queremos conversar sobre um assunto que preocupa pais e mães de família por todo o Brasil – as drogas, especialmente o crack.

Presidenta: E preocupa a mim também, Luciano, porque, como presidenta, me sinto responsável, junto com pais, mães e com toda a sociedade brasileira, pelo futuro da nossa juventude, que é a maior vítima das drogas.

Apresentador: Pois é, essa semana o governo anunciou a implantação de 49 Centros Regionais de Referência em Crack e Outras Drogas. Como é que isso vai ajudar a reduzir o consumo de drogas, presidenta?

Presidenta: É o seguinte, Luciano: quem já conviveu com dependente de drogas sabe bem que esse é um problema difícil de ser tratado. Estamos criando, por isso, Luciano, esses 49 centros regionais nas universidades, justamente para formar profissionais capazes de oferecer o atendimento e o acompanhamento que os dependentes precisam. Em faculdades espalhadas por todo o Brasil, a partir de agora, médicos, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais vão receber capacitação para atender, de forma eficaz, os dependentes de crack e seus familiares. Eles vão conhecer as técnicas de tratamento e, também, as possibilidades de trazer essas pessoas de volta ao convívio social, Luciano, ao trabalho e aos estudos. Vão também pesquisar sobre a doença, entendê-la melhor para combatê-la melhor. Já estamos fazendo 13 estudos clínicos sobre o crack em seis universidades federais. No meu governo, Luciano, nós vamos fazer com que as universidades públicas, além de educar brasileiros e brasileiras, respondam às necessidades dos que mais precisam. E aí, combater o crack está entre as nossas prioridades. Esse, Luciano, é o melhor jeito de devolver aos brasileiros um investimento que eles fizeram ao pagar, com seus impostos, a criação das universidades públicas – federais, estaduais e municipais.

Apresentador: Que profissionais vão poder fazer os cursos?

Presidenta: Todos os profissionais, Luciano, que já trabalham diretamente com a comunidade. Sabe, Luciano, ao todo, os centros vão capacitar perto de 15 mil profissionais nos próximos 12 meses.

Apresentador: E que tipo de cursos eles vão fazer?

Presidenta: Olha, Luciano, vão ser oferecidos quatro cursos: um curso para médicos que atendem nas unidades básicas de saúde; outro para profissionais que vão receber pacientes para desintoxicação nos hospitais ou clínicas; um terceiro para agentes comunitários de saúde e profissionais que atendem as pessoas nas ruas; e o último para os profissionais da assistência social.

Apresentador: É preciso cercar as drogas por todos os lados, não é, presidenta?

Presidenta: É, Luciano. E usando ainda todos os recursos disponíveis. Eu quero dizer a você que o nosso plano de enfrentamento ao crack e outras drogas, lançado no ano passado pelo presidente Lula e que eu estou aprofundando, cerca o problema por todos os lados. São três pontas interligadas, Luciano: a primeira é a prevenção, feita na escola e nas famílias; a outra é o tratamento, que estende as mãos às vítimas do crack.

Apresentador: Presidenta, quando a senhora diz “vítimas”, a gente lembra que o crack destrói o dependente e toda a família dele, não é?

Presidenta: É verdade. Estamos enfrentando uma droga capaz de destruir completamente uma família. Começa destruindo a vida do próprio usuário, ele se isola, não quer fazer mais nada. Não estuda, não trabalha, não come, muitas vezes fica violento e, lógico, isso atinge toda a família.

Apresentador: Presidenta, a senhora disse que o enfrentamento ao crack e outras drogas tinham três pontas, qual é a terceira?

Presidenta: Olha, Luciano, é o combate ao tráfico. Nosso plano prevê ampliação do combate ao tráfico, especialmente nas fronteiras. Veja, vamos atrás do traficante internacional e, ao mesmo tempo, vamos agir para acabar com o pequeno tráfico, aquele que muitas vezes rouba a infância, usando nossas crianças e adolescentes como chamados ‘aviões’. Esta, meu amigo, é uma das faces mais cruéis do tráfico de drogas, pois meninos e meninas pobres são atraídas pelo dinheiro fácil e promessas falsas, sem saber dos riscos que estão correndo.

Apresentador: E o mais triste dessa história, presidenta, é que muitos desses jovens nem chegam a virar adultos.
Presidenta: Por isso, Luciano, é que não podemos ser tolerantes com o tráfico. O nosso jovem tem o mundo de possibilidades que vão além das promessas falsas de dinheiro fácil e do prazer imediato que as drogas podem dar. Com a sua inteligência e sua criatividade, o jovem encontra muitas maneiras de se realizar: pode praticar esporte, pode ter um bom emprego, pode conviver com sua família, ir a festas, namorar, e o crack tira tudo isso dele. É justamente isto que não podemos, nem iremos deixar acontecer.

Apresentador: Opa! É com esse incentivo da nossa presidenta que terminamos o nosso programa de hoje. Obrigado, presidenta Dilma Rousseff.

Presidenta: Eu é que agradeço, Luciano. Até semana que vem."
 

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