Mais pessoas poderão ser denunciadas pela morte do juiz Alexandre Martins

Oito anos depois do assassinato do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, o procurador geral de Justiça do Espírito Santo, Fernando Zardini, disse que mais pessoas estão sendo investigadas e que poderão ser denunciadas pela morte do magistrado.

A informação foi dada na manhã desta quinta-feira (24/03), minutos antes de Fernando Zardini abrir sua participação no Seminário da Luta Contra o Crime Organizado, no Centro de Convenções de Vitória, em Santa Lúcia.

O seminário é promovido pelo Instituto Alexandre Martins de Castro Filho, presidido pelo pai do juiz assassinado, o advogado Alexandre Martins de Castro.

Ao final das investigações, 10 pessoas foram indiciadas e processadas pelo assassinato do juiz: quatro homens já foram condenados como executores do crime; enquanto três receberam condenação pela acusação de intermediar o assassinato. Outros três respondem processo em liberdade como acusados de serem os mandantes.

O procurador geral de Justiça, Fernando Zardini, foi questionado pelos jornalistas, antes de sua palestra, sobre as revelações do livro “Espírito Santo”, que traz informações de bastidores sobre as investigações do assassinato do juiz Alexandre Martins, ocorrido em 24 de março de 2003, em Itapoã, Vila Velha.

Uma das informações cita nomes (de forma fictícia) de policiais militares e outras personalidades capixabas que teriam tentado prejudicar as investigações do assassinato.

Porém, os PMs e as demais pessoas não têm seus nomes citados nos inquéritos policiais e nem nos processos judiciais. Foi aí que Fernando Zardini respondeu que novas investigações estão em andamento pelo Ministério Público Estadual:

“Todos os fatos enxergados pelo Ministério Público estão sendo acompanhados por intermédio de investigação feita por um grupo de promotores de Justiça. Vamos esperar os desdobramentos. Se, após a conclusão das investigações, o Ministério Público concluir que essas pessoas tiveram envolvimento direto ou indireto no crime (assassinato do juiz), elas deverão ser denunciados à Justiça”, disse Zardini.

O procurador geral de Justiça preferiu não revelar quantas pessoas a mais estão sendo investigadas. No entanto, lembrado pelos jornalistas que o livro “Espírito Santo – escrito pelo ex-secretário da Segurança Pública e deputado estadual Rodney Miranda, o juiz Carlos Eduardo Lemos Ribeiro e o sociólogo carioca Luiz Eduardo Soares – cita de forma fictícia o nome do ex-comandante geral da PM, coronel Marcos Aurélio Capita, Fernando Zardini confirmou que ele (Marcos Aurélio) é um dos novos investigados.

“Mas há outras personalidades também hoje sendo investigadas pelo Ministério Público. Mais pessoas poderão ser denunciadas, mas para isso vamos depender das investigações”, disse Zardini.

O chefe do Estado Maior da PM, coronel Renato Duguay, compareceu nesta manhã na primeira parte do Seminário da Luta Contra o Crime Organizado. Ele cumprimentou o pai do juiz assassinado, o advogado Alexandre Martins, que também é coronel da reserva da PM do Rio de Janeiro.

Ao final das palestras da manhã – que teve ainda o juiz federal Américo Bedê Freire Júnior e diretor da Faculdade de Direito de Vitória, professor Antônio José Ferreira Abikair –, Renato Duguay conversou com a Rádio CBN:

“Por conta de sua proximidade com a sociedade, a Polícia Militar tem que se fazer presente num evento como esse. Outros eventos midiáticos, contra pessoas de conduta ilibada, podem até encobrir casos mais graves que acontecem no Estado. Eu apoio qualquer trabalho investigativo. Como diz o ex-governador Paulo Hartung, a onça está ferida, mas não está morta. E como diz o ex-secretário da Segurança, Rodney Miranda, o crime organizado existe dentro da PM, mas que é praticado por uma minoria”, disse Renato Duguay.



Em setembro de 2004, os executores do crime, Odessi Martins da Silva, o "Lumbrigão", e Giliardi Ferreira, foram condenados a 23 anos de prisão. Giliardi ganhou progressão de regime no ano passado e cumpre pena em liberdade desde o dia 23 de dezembro de 2010. Lombrigão teve o pedido de progressão negado e continua detido no Presídio de Segurança Máxima em Viana. Quando esteve preso no presído federal de Catanduvas, no Paraná, Lombrigão teria sido flagrado com um quilo de maconha dentro do presídio. Pegou mais cinco anos de condenação por tráfico.

Entre outubro e novembro de 2005, a 4ª Vara Criminal de Vila Velha realizou quatro julgamentos distintos em que foram condenados pelo júri popular os ex-sargentos Heber Valêncio e Ranilson Alves da Silva, e ainda Fernando de Oliveira Reis, o Fernando Cabeção, como intermediários do crime. Os demais envolvidos no assassinato do juiz, André Luiz Barbosa Tavares, o "Yoxito" e Leandro Celestino dos Santos (o Pardal), também foram condenados no mesmo ano.

Ranilson, Heber Valêncio – os dois foram expulsos da PM por ordem da Justiça – e Xoxito receberam progressão de regime e hoje cumprem pena em regime aberto

A Justiça Estadual ainda vai julgar os acusados de serem os mandantes da morte do juiz: o juiz aposentado Antônio Leopoldo Teixeira, o coronel da reserva Walter Gomes Ferreira e o ex-policial civil Cláudio Luiz Andrade Baptista, o Calu. Todos os três, que estão soltos, já foram pronunciados pelo crime para ir a júri popular pela 4ª Vara Criminal de Vila Velha, mas recorrerem da decisão e aguardam uma solução por parte do Supremo Tribunal Federal.
 

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