Secretário quer trazer modelo de Inteligência policial londrino para o Espírito Santo

O mesmo sistema de Inteligência utilizado na Scontland Yard, a polícia inglesa, pode ser aplicado também no Espírito Santo. Em entrevista para o programa Balanço Geral, da TV Vitória, o secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Henrique Herkenhoff, disse que está tentando trazer o modelo para ser implementado no Estado.

O serviço seria utilizado pelo setor de Inteligência da polícia para agilizar e facilitar o processo de investigação dos crimes cometidos.

Segundo o site Abordagem Policial, poucas forças policiais no mundo têm a notoriedade da Scotland Yard. Talvez apenas as SWAT norte-americanas, grupamento tático surgido no Departamento de Polícia de Los Angeles, sejam tão famosas como a tradicional Metropolitan Police londrina. A New Scotland Yard foi fundada em 1829, contando, assim, menos de 190 anos.

Segundo o autor da pesquisa, Danillo Ferreira, cabe ressaltar uma diferença chave entre a New Scotland Yard e as polícias brasileiras, que possuem ciclo incompleto. Por lá, na mesma organização policial, encontram-se serviço de investigação, inteligência e até mesmo perícia – o Forensic Intelligence Team, que é responsável por coletar elementos de prova constantes nas cenas do crime. É o que se chama de “ciclo completo de polícia”, onde a mesma organização policial que detecta a infração penal é responsável pelo registro e investigação da ocorrência.

Como as Polícias Militares estaduais brasileiras, a polícia londrina também dispõe de vários tipos e modalidades de policiamento. É presença constante nas ruas de Londres o policiamento a pé e a cavalo, uma aposta marcante no modelo de polícia com maior proximidade com o cidadão. A cavalaria da polícia londrina dispõe de mais de 120 animais para sustentar o policiamento montado, segundo Danillo Ferreira.

A Scotland Yard possui mais de 35 mil homens atuando na Região Metropolitana de Londres, que possui cerca de 7 milhões de habitantes. A Bahia, com seus quase 14 milhões de habitantes, possui mais ou menos o mesmo efetivo, juntando Polícia Militar e Polícia Civil.

Na entrevista dada ao programa Balanço Geral, o secretário Hernkenhoff também comentou a crise no Ciodes, estabelecida após a suposta omissão de atendimento que terminou na morte do cabo da PM da reserva Djalma José de Oliveira.

“Ninguém nunca imaginou que o problema de vazamento podia acontecer. A partir deste mês a secretaria colocou novo sistema digital e quem fizer a consulta para ouvir determinada informação vai ser identificado”, explicou o secretário.

Herkenhoff comentou a suposta omissão que aconteceu no Ciodes. Segundo ele, o caso aconteceu há dois anos e as providências foram tomadas na época.

Questionado pelo programa se afastaria o chefe do Ciodes, major Nylton Rodrigues Ribeiro, como solicitou o Ministério Público, o secretário Henrique Herkenhoff afirmou que por iniciativa própria não haveria necessidade do afastamento.

“É claro que se vier uma ordem judicial cumpriremos. A secretaria está à disposição do Ministério Público, mas até agora não recebi nenhum pedido de afastamento. Vamos analisar quando ele chegar, mas pelo que vi estou muito satisfeito”.

Sobre a crítica que se faz ao monitoramento das gravações que são feitas no Ciodes, o secretário afirmou que o procedimento é necessário para conferir se o sistema está funcionando corretamente.

“O sigilo é mantido, é uma garantia do cidadão que utiliza o Ciodes. Mas essa fiscalização tem que ser feita até mesmo para corrigir os erros”, explicou.

O secretário voltou a defender o Ciodes. Durante a entrevista, Herkenhoff informou que o órgão recebe 10 mil ligações por dia, sendo quatro mil de trotes. Mesmo assim, o tempo para solucionar a ocorrência é de até nove minutos. “É referência nacional no atendimento”.

Herkenhoff respondeu a diversas perguntas. Afirmou ainda que vai traçar metas para garantir a segurança nas áreas de risco do Estado, intensificação da fiscalização da venda de bebidas alcoólicas em postos de combustíveis e combate aos motoristas bêbados por meio das campanhas Madruga Viva. “Não vamos bobear”, prometeu!

Foi, portanto, muito esclarecedora a entrevista do secretário da Segurança ao prorama Balanço Geral. Ao contrario de seus antecessores, Henrique Herkenhoff não se furta de vir a pública para dar esclarecimento sobre as ações da secretaria.

Nos últimos oito anos, os secretários da Segurança só gostavam de falar em entrevistas coletivas. O hoje deputado estadual Rodney Miranda, por exemplo, encerrava as coletivas abruptamente quando não gostava das perguntas.

Herkenhoff, ao contrário, está se expondo – no bom sentido, diga-se de passagem. O mesmo já deveriam estar fazendo o chefe de Polícia Civil, delegado Joel Lyrio Júnior, e o comandante geral da PM, coronel Anselmo Lima.

Como comandantes das duas forças policiais estaduais, caberia a eles – e a seus chefe de unidades – estarem sempre prestando contas à população.
 

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