Traficante que fugiu do quartel da PM é advogado de Toninho Pavão e ligado a Fernandinho Beira-Mar

O acusado de tráfico Yung Alves Souza, que fugiu da carceragem do Quartel do Comando Geral da Polícia Militar, em Maruípe, é advogado do traficante capixaba José Antônio Marim, o Toninho Pavão, e ligado ao narcotraficante internacional Luiz Fernando Costa, o Fernandinho Beira-Mar,

Ele foi preso na sexta-feira (11/03) pela Polícia Federal, em Conceição da Barra, Norte do Espírito Santo, e escapou do quartel da PM no sábado, durante banho de sol.

Segundo a assessoria de imprensa da PM, Yung foi levado para lá por ordem da Justiça, apesar de a Polícia Federal possuir em sua superintendência, em São Torquato, Vila Vela, uma prisão de segurança máxima, inclusive com celas individuais (especiais).

Menos de um dia após ser levado para a carceragem da PM, Yung conseguiu o que queria: fugir. De acordo com informações de agentes da Diretoria de Inteligência da PM que já investigam a fuga, criminosos ligados a Yung teriam tramado a fuga do advogado-traficante por intermédio de suborno.

Já existem policiais militares sendo investigados por receber propina para facilitar a fuga do criminoso. A Dint descobriu que Yung seria o testa de ferro de Toninho Pavão no Estado. Toninho Pavão se encontra preso em um presídio de segurança máxima federal em outro estado.

Agentes da Dint acreditam que a fuga do advogado dublê de acusado de tráfico tenha custado, no mínimo, uns R$ 200 mil. O chefe dele, Toninho Pavão, é ‘‘experiente’’ em protagonizar ou patrocinar fugas espetaculares no Espírito Santo.

Em 2002, ele conseguiu fugir de uma prisão de Viana depois de subornar a guarda. De lá, ele e outro bandido foram até o Aeroclube da Barra do Jucu, em Vila Velha, onde um avião bimotor os levou para o Rio de Janeiro.

Em 2005, quando estava de novo em uma das cadeias de Viana, Toninho Pavão iria fugir novamente. Contratou dois policiais militares e um ex-PM para corromper a guarda do Presídio de Segurança Máxima I para retirá-lo de lá. Os policiais iriam ficar do lado de fora, num carro, para garantir o sucesso da fuga.

No entanto, a Dint descobriu o plano e impediu a fuga, numa operação que envolveu o Batalhão de Missões Especiais, que cercou uma casa no bairro Vila Capixaba, em Cariacica, onde estavam os policiais criminosos esperando a hora de ir para o presídio.

Houve uma troca de tiros e um ex-PM acabou morto. Os dois PMs foram presos em flagrante, com uma maleta carregada com R$ 150 mil em espécie. Com padrinhos políticos fortes, os dois PMs ficaram pouco tempo na prisão e já estão trabalhando normalmente.

‘‘É provável que eles estejam por trás da fuga do advogado acusado de tráfico, porque já conhecem como funciona o sistema’’, acredita um agente da Dint, em conversa com o Blog do Elimar.

O que preocupa a polícia é que Toninho Pavão, de quem Yung é um dos advogados, e Fernandinho Beira Mar teriam tramado assassinar três autoridades capixabas, mesmo estando presos numa cadeia federal de segurança máxima, em Catanduvas, no Paraná.

Eles chegaram a contratar bandidos para matar o juiz Carlos Eduardo Lemos Ribeiro, o promotor de Justiça e ex-secretário da Segurança Evaldo Martinelli e o ex-subsecretário para Assuntos Prisionais da Secretaria da Justiça, Anderson Perciano Faneli. O plano foi descoberto pelo Ministério da Justiça em janeiro de 2007, que avisou o governo do Estado.

Fuga de criminosos de alta periculosidade da carceragem do quartel da PM não é nenhuma novidade. Novidade vai ser o dia em que o Comando Geral da corporação vir a público explicar que fim levaram as investigações sobre as fugas.

Nos anos 90, tivemos duas fugas estranhas. O sargento Belinossi fugiu numa manhã, logo depois de assistir ao Júri Popular, no Fórum da Serra, onde foi condenado a mais de 50 anos de prisão por participar de uma chacina – ele ajudou a matar três trabalhadores, em Jacaraípe, que voltavam de uma pescaria de fim de semana.

Belinossi chegou de madrugada ao quartel, escoltado por uma guarnição, e foi para sua cela. Pela manhã tomou café, se levantou, teve autorização para ir ao posto do Banestes que fica dentro do quartel, sacou um dinheiro – para não fugir duro, não é mesmo? – e saiu tranquilamente pelo portão das armas – o portão de entrada e saída do quartel, onde sempre ficam dois policiais fardados e armados. Antes, passou pelo Corpo da Guarda, onde também ficam militares – praças e oficiais – fardados e armados.

Nunca mais foi visto. Pelo menos a corporação nunca veio a público para dizer que Belinossi havia sido recapturado e nem informou se alguém foi punido pela fuga do sargento condenado por assassinatos.

Quase que nessa mesma ocasião, o quartel foi palco da fuga do traficante e seqüestrador conhecido como Beto Playboy. Ele havia sido preso por agentes do Serviço Reservado (PM-2) capixaba no Rio, onde mantinha em cativeiro o filho de um empresário mineiro, que possui concessionárias no Espírito Santo e em Minas.

A PM-2 invadiu o cativeiro, libertou o jovem seqüestrado e prendeu Beto Playboy. Ficou pouco tempo na prisão do quartel da PM, para onde foi levado por ordem da Justiça justamente por uma questão de segurança. Seguro de si, Beto escapou tranquilamente e nunca mais foi visto.

A fuga mais recente é de causar revolta. As duas anteriores – do sargento Belinossi e do seqüestrador Beto Playboy – pelo menos foram divulgadas. A fuga que causa revolta é a do ex-PM Lourival Trabach, que provocou pânico em bairros da Grande Vitória enquanto agia livremente como chefe de uma quadrilha de exterminadores.

As condenações de Trabach na Justiça, se somadas todas as acusações, passariam de 100 anos. Há dois anos, Trabach não agüentou a prisão quando mais um crime atribuído a ele foi julgado. Antes de ser anunciada a condenação de 10 anos, Trabach saiu do quartel da PM e até o momento não voltou.

Dizem que Trabachi está ‘‘convertido’’ a uma igreja evangélica. Na verdade, ele nunca foi nada de religioso na vida. Desde que entrou na PM, usou a farda para agir do que jeito que queria: armado sempre com escopeta ou pistola, matava trabalhadores e acusados de crime.

Matava também colegas de farda: como queima de arquivo, para não ser denunciado por colegas, ele certa vez matou dois policiais militares, que faziam parte de seu bando. Depois, enterrou os corpos em cova rasa.

Trabach achava que os dois colegas estavam ajudando a Delegacia de Crimes contra a Vida e a PM-2 com informações sobre os crimes praticados pela quadrilha.

Trabach havia sido condenado também pela chacina que teve como vítimas um casal e a filha deles, uma menina de dois anos. O PM e outros colegas de farda invadiram a residência do casal, em Castelo Branco, Cariacica, e, armados de escopetas, arrombaram a porta do quarto e atiraram no casal e na menina, que dormia na mesma cama dos pais.

Dois outros filhos do casal, que se esconderam debaixo de uma cama, reconheceram Trabach e os demais assassinos, pois, ‘‘audaciosos, corajosos e destemidos’’, eles invadiram a casa fardados e sem esconder o rosto.

Certa vez, Trabach, segundo investigações da Polícia Civil e da PM-2, se travestiu de mulher e participou de um bloco de Carnaval na famosa rua Boa Esperança, em Flexal, Cariacica. Num determinado momento, ele levantou o vestido e sacou uma pistola e matou três acusados de tráfico da região.

O Comando da Polícia Militar deveria ter vindo a público e explicar como se deu a fuga de Trabach e que fim tiveram as sindicâncias ou inquéritos que foram abertos para apurar esta e demais fugas.

Em tempo: até o momento em que este texto foi postado, o advogado dublê de traficante Yung Alves Souza continua foragido. Embora conste como advogado na OAB-ES, o nome de Yung não está no Casdatro Nacional no site da OAB federal.
 

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