Ex-secretário da Segurança é injusto ao cobrar do governo do Estado informações sobre ações de prevenção e combate ao crack

É muito intrigante o que se passa na cabeça da classe política brasileira. Agora mesmo o deputado estadual Rodney Miranda (DEM), que durante seis anos foi secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social do Espírito Santo, está cobrando do novo governo do Estado informações sobre ações de prevenção e combate ao crack.

Rodney Miranda se tornou deputado graças ao governo do Estado do Espírito Santo, que o trouxe de Brasília para trabalhar aqui em 2003 e depois o repatriou de Caruaru, interior de Pernambuco, onde foi secretário Municipal de Defesa Comunitária. Deve sua nova carreira ao governo e ao povo capixaba, que o elegeu.

Ele ocupou a Sesp de 2003 a 2005. Foi exonerado pelo governador Paulo Hartung porque teria mentido para Hartung no episódio do grampo clandestino contra a Rede Gazeta de Comunicação. Voltou, pelas mãos do próprio Hartung, em maio de 2007 e ficou no cargo de secretário até maio de 2010, quando saiu para se candidatar a uma vaga na Assembléia Legislativa.

Deixou em seu lugar o pernambucano André Garcia, outro que veio de fora para ajudar a combater a violência em nosso Estado. E agora é o secretário de Estado de Ações Estratégicas.

Portanto, o deputado Rodney Miranda conhece profundamente a política do governo estadual em relação à prevenção e o combate ao tráfico de crack e de outras drogas.

Ele não está sendo nada cavalheiro e nem justo quando cobra do governo do Estado informações sobre as ações de prevenção e combate ao crack e recuperação de dependentes químicos.

Ele faz o pedido em nome da Comissão de Política Antidrogas da Assembleia Legislativa. Segundo o site do deputado Rodney, o material servirá de alicerce para as iniciativas do parlamento estadual em relação ao tema.

Seria bastante oportuna esta cobrança se o presidente da Comissão não fosse o próprio Rodney:

“As informações servirão de subsídios para nossos trabalhos e também para sabermos o que é feito e identificar como podemos ajudar na implementação das ações”, defendeu o deputado em seu site.

O Legislativo e a sociedade têm a obrigação de cobrar ações de qualquer governante. Mesmo que o novo governo, liderado por Renato Casagrande, esteja há pouco mais de 100dias no poder.

A cobrança de um ex-secretário, no entanto, é injusta. Até porque, Rodney Miranda – embora seja um delegado federal de carreira – certa vez, num discurso, transmitiu método nada convencional quando o assunto foi combate ao tráfico.

Uma prova, que vale destacar, é um discurso que ele fez no Teatro Municipal Fernando Torres, em Guaçuí, em março de 2010, quando já se sabia que ele seria candidato a deputado estadual.

Vestindo uma camiseta com dizeres contra o uso de crack, ele falou para uma plateia formada, em sua maioria, por jovens que acabavam de se formar no Programa Pró-Jovem, idealizado no Espírito Santo pelo deputado estadual Josias Da Vitória.

Na cerimônia, Rodney distribuiu camisetas para os mais de 300 formandos e ainda discursou. Ainda na função de secretário de Estado da Segurança Pública Pública, Rodney disse que a polícia capixaba não fazia sistematicamente operações nas estradas e nem nas divisas do Espírito Santo com outros estados – Rio de Janeiro, Minas Gerais e Bahia – porque não poderia incomodar as pessoas que transitavam de carros ou de ônibus pelas estradas.

Um policial militar que estava ao meu lado, e que fazia segurança de Rodney Miranda, me cutucou, sorriu e disse: ‘‘Eu imaginava que o papel da polícia era proteger o cidadão, mesmo que, para isso, tenha que provocar transtorno. Com esse pensamento, o homem ainda quer ser deputado!’’.

A polícia tem sim o dever e obrigação de incomodar. Quem não se sente mais seguro quando policiais entram nos ônibus e fazem revista nos passageiros para impedir que alguém esteja armado e pratique um assalto?

Seria um duro e forte golpe no tráfico se as polícias Civil, Militar, Federal e Rodoviárias Federal e Estadual fizessem diariamente blitze nas estradas federais e estaduais que ligam o Espírito Santo a outros estados e parassem os veículos para apreender drogas e armas.

Abordar cidadãos de bem, portanto, é uma obrigação do Estado, por intermédio de seu braço armado, que é a polícia. Para o bem da própria sociedade.
 

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