Engenheiros vão ser indiciados por desabamento de creche que matou duas crianças

A Polícia Civil está concluindo o inquérito que investigou o desabamento do telhado do refeitório do Centro Municipal de Educação Infantil Amélia Virgínia Machado, localizado em Cariacica (Sede).


O desabamento da creche matou duas crianças e deixou outras sete feridas. Na tragédia, ocorrida no início de dezembro de 2010, morreram Sofia Schimidt Manhães, 5 anos, e Damares Pires dos Santos, 9. Ficaram feridas as primas Kailaine Caldeira Mateus, 8 anos, e Gabriela Caldeira Paula, 10 anos, Warley da Silva Pereira, 5 anos, Adiel dos Santos Coelho, 5 anos, Wendy Souza, 5 anos, Kainan Conceição Nogueira, 5 anos, e Maria Eduarda Sacco Pereira dos santos, 5 anos.

O delegado Paulo Sarmento, da Delegacia de Crimes contra a Vida de Cariacica, solicitou e o Departamento de Perícia da Superintendência Regional da Polícia Federal no Estado realizou a perícia na creche. A ajuda da Federal foi necessária porque somente ela, como instituição policial, possui um engenheiro perito no Estado.

A perícia da Polícia Federal foi conclusiva: o desabamento aconteceu por falhas no projeto e na execução das obras da creche, que funcionava há três anos.

Depois de analisar o trabalho pericial da Federal, o delegado Paulo Sarmento voltou a ouvir engenheiros, técnicos, empresários e funcionários da Prefeitura de Cariacica.

E decidiu indiciar criminalmente o engenheiro Marcelo Leite Rodrigues, da empresa LM Engenharia, que construiu a creche, e o engenheiro-fiscal da Prefeitura Municipal de Cariacica, José Eduardo Ferreira Leal, que não trabalhava mais na prefeitura na época da tragédia.

Os dois terão que responder pelo desabamento. Serão indiciados por duplo homicídio culposo, ou seja, quando não há intenção de matar.

De acordo com os resultados da investigação da DP de Crimes contra a Vida de Cariacica e da perícia da Polícia Federal, os dois engenheiros “agiram com negligência e imprudência na execução da obra”. Deixaram de obedecer a regras básicas das Normas Brasileiras de Estrutura de Madeira.

Um dos erros dos engenheiros foi o de usar pregos no lugar de parafusos nas madeiras colocadas no telhado. Outra falha é que o projeto original não contemplava o telhado do refeitório, justamente o local que desabou e matou as crianças.

O delegado Paulo Sarmento já relatou o inquérito e até a próxima semana deverá enviá-lo à Justiça.

Aos familiares das meninas mortas e das crianças feridas, resta, agora, entrar na Justiça contra a Prefeitura de Cariacica e a empresa que construiu a creche, com ações cíveis, exigindo indenização.

Ao poder público (Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e Ministério Público Estadual), cabe, agora, fiscalizar demais creches em Cariacica que foram construídas pela LM Engenharia ou outras empresas. É provável que elas estejam na mesma situação que o CMEI Amélia Virgínia Machado.
 

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