“O Estado tem que estar em vigilância sempre”, diz o chefe do Ministério Público Estadual sobre o crime organizado

O procurador geral de Justiça do Espírito Santo, Fernando Zardini, é um profissional que demonstra transparência em seus atos. Mais uma vez, ele abriu as portas de seu gabinete, na sede do Ministério Público Estadual, na Enseada do Suá, para conversar com a imprensa.

O encontro, realizado na terça-feira pela manhã (17/05), foi denominado de colóquio. No colóquio com jornalistas, Fernando Zardini não fugiu de temas polêmicas.

Revelou que novas denúncias serão feitas contra políticos e empresários acusados de corrupção na chamada Operação Moeda de Troca, lamentou o fato de o Espírito Santo estar entre os três primeiros do País em número de inquéritos relativos a assassinatos sem solução e garantiu que o foco das autoridades no combate ao crime organizado tem de ser “alongado”, porque os criminosos também aperfeiçoaram seus métodos:

“Hoje nas investigações sobre o crime organizado têm que ser analisados vários aspectos: econômico, financeiro, enriquecimento ilícito, sonegação fiscal e descobrir quem pratica o crime. Repito: o Estado tem que estar em vigilância sempre”, disse o chefe do Ministério Público Estadual, Fernando Zardini.

No Espírito Santo, a Polícia Civil tem atualmente mais de 15 mil inquéritos relativos a assassinatos sem solução até 31 de dezembro de 2007. Para ajudar o Estado a sair dessa inércia, o MPE criou uma força tarefa, que já começou, desde janeiro deste ano, a analisar inquéritos.

O que o Ministério Público Estadual pode fazer para evitar que essa ineficiência da polícia capixaba se repita nos próximos anos? Fernando Zardini, ao responder a pergunta, fez uma autocrítica, por entender que cabe aos promotores de Justiça cobrar e fiscalizar sempre a Polícia Judiciária a elucidar as investigações:

“No ano passado, criamos um núcleo para fiscalizar as atividades policiais. Não retiro a nossa responsabilidade nesse episódio dos inquéritos sem solução, mas não podemos olhar pelo retrovisor. Temos que olhar sempre para frente.”, disse Fernando Zardini.

O procurador geral de Justiça acredita que a Força Tarefa vai cumprir a determinação do Conselho Nacional do Ministério Público de concluir as análises dos inquéritos até o final deste ano.

“No que diz respeito à nossa contribuição, o trabalho está em ritmo bom. Vamos cumprir a meta”, garante Zardini.

O chefe do MPE falou também ter enviado ao secretário de Estado da Segurança Pública, Henrique Herkenhoff, ofício corroborando com o pedido de afastamento chefe do Ciodes, major Nilton, por ter supostamente se omitido numa ocorrência policial que culminou no assassinato de um policial militar da reserva.

Gravações publicadas recentemente pela imprensa mostram que a mulher do PM telefonou para o Ciodes pedindo a presença de uma viatura em sua casa, porque traficantes estavam rondando a residência.

O Ciodes arquivou a ocorrência, deixando de atender ao pedido da mulher. Minutos depois dos telefonemas dados por ela ao Ciodes, o PM da reserva foi morto a tiros, na Serra. O pedido de afastamento do major Nilton foi feito pela promotora de Justiça Militar Karla Sandoval:

“Assim que recebi o ofício da doutora Karla, oficiei o secretário da Segurança a tomar providência em relação ao caso. Encaminhei para o secretário da mesma forma que o ofício veio para cá (Procuradoria Geral de Justiça)”, disse Zardini.

Mas até este momento o secretário Henrique Herkenhoff não afastou o major Nilton do Ciodes.

Atualmente, o Ministério Público Estadual conta com 291 promotores e 32 procuradores de Justiça. Para o chefe do MPE, o importante é o órgão atender bem às demandas da população:

“No nosso plano de ação, cobramos eficiência no atendimento ao povo. É importante que os promotores de Justiça tenham sensibilidade”, disse Zardini.
 

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