Sites da Polícia Civil, governo do Estado e da Secretaria da Segurança publicam prisão de delegados e policiais civis acusados de crimes

Pelo menos três sites oficiais do governo do Estado do Espírito Santo publicam texto elaborado pela Assessoria de Imprensa da Polícia Civil que informa sobre a prisão de dois delegados, um escrivão e de quatro investigadores acusados de crimes.

Todos são lotados na Divisão de Repressão aos Crimes contra o Patrimônio (DRCCP), localizada no município da Serra. Contra os acusados há denúncias de roubo, extorsão, tortura, violação de domicílio, abuso de autoridade, denunciação caluniosa e fraude processual.

A prisão aconteceu na sexta-feira (13/05) e foi amplamente divulgada pela imprensa capixaba. Saiu primeiro neste Blog do Elimar.

No início da noite de sexta-feira, os sites oficiais da Polícia Civil, do governo do Estado e da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social reproduziram um mesmo texto, informando sobre os as denúncias contra os policiais civis, como foi a prisão e a diretriz dada pelo governo a respeito de servidores acusados de crimes.

Entretanto, diferente do que faz em outras reportagens, quando publica os nomes ou iniciais de acusados de crimes que são presos, com os delegados, os investigadores e o escrivão o texto publicado nos sites oficiais do governo capixaba não traz os nomes das autoridades detidas.

Os delegados presos são Márcio Braga e Luiz Neves de Paula Neto. Também foram presos o escrivão Marcos Marcelo Sartório Ernani e os investigadores Ilário Roger Nascimento Borges, Fábio Loureiro Malheiro, Davi da Silva Carvalho e Alex Sandro Serrano de Almeida.

Este blog não está fazendo defesa de nenhum policial acusado de crimes, mas pondera que a decisão de expor seus servidores em sites oficiais do governo do Estado é prematura, até porque o próprio chefe de Polícia Civil, delegado Joel Lyrio Júnior, e o corregedor geral da instituição, delegado Emerson Gonçalves da Rocha, passaram as últimas 24 horas atendendo a imprensa e falando sobre a prisão e as denúncias contra seus policiais.

Não se deve “queimar” profissionais de uma hora para outra. A todos, tem que ser dado o amplo direito de defesa. Márcio Braga e Luiz Neves têm um passado bonito na Polícia Civil. Até então, eram profissionais respeitados.

Ouvi de pelo menos cinco oficiais e uma dúzia de praças – soldados, cabos e sargentos – da Polícia Militar a palavra surpresa, depois da publicação neste blog da prisão, principalmente, dos dois delegados.

Se caíram em tentação – caso as denúncias contra eles se concretizem mais adiante e eles sejam condenados pela Justiça –, que eles sejam execrados no momento certo. Por enquanto, são apenas suspeitos.

Não adianta alguém vir com a desculpa de que os sites do governo capixaba omitiram os nomes dos policiais, porque não cola. Qualquer interessado em saber de quem se trata precisa dar apenas um clique no google que logo descobre nomes e fotos dos delegados, investigadores e escrivão presos.

Se os sites do governo estadual passarem a publicar informações sobre denúncias contra servidores – sejam eles policiais civis ou militares, agentes penitenciários ou servidor comum –, não haverá mais espaço para as realização positivas do Executivo e suas secretarias.

Recentemente, o próprio diretor geral do Detran, José Scárdua Felício, declarou na CBN – e A Gazeta publicou – que a corrupção no órgão é sistêmica. Na Corregedoria Geral de Polícia Civil há quase mil procedimentos contra policiais. Na Polícia Militar, há centenas de sindicâncias e inquéritos contra oficiais e praças.

Por que só sobrou para Márcio Braga, Luiz Neves e os demais cinco policiais civis? Se a moda pegar, é melhor fechar as polícias, porque na PM, por exemplo, se policial trabalhar com a barba mal feita ou a farda suja, já é considerado um transgressor da disciplina. Se um oficial falar a palavra “merda” para outro militar, é afastado e levado ao Conselho de Justificação.

Sejamos, portanto, razoáveis e justos, não é mesmo?


Abaixo, o texto completo da reportagem publicada nos sites do governo do Estado que informa sobre a prisão dos policiais civis:

Cumprindo decisão judicial, uma ação conjunta realizada nesta sexta-feira (13/05) entre policiais do Grupo Especial de Trabalho Investigativo do Ministério Público, da Corregedoria de Polícia Civil, do Núcleo de Combate às Organizações Criminosas e à Corrupção (Nurocc) e da Delegacia de Crimes Funcionais (DCF) resultou na prisão de dois delegados de Polícia, quatro investigadores e um escrivão, todos da Divisão de Repressão aos Crimes Contra o Patrimônio (DRCCP), localizada no município da Serra.

A operação foi orientada pelo chefe da Polícia Civil, Joel Lyrio Junior, e pelo corregedor geral, Emerson Gonçalves Rocha. Contra os acusados há denúncias de roubo, extorsão, tortura, violação de domicílio, abuso de autoridade, denunciação caluniosa e fraude processual.

De acordo com o corregedor geral, Emerson Rocha, as investigações começaram em fevereiro deste ano, quando uma das vítimas procurou a Corregedoria e formalizou a denúncia. “Investigamos o caso, juntamos as provas e encaminhamos os autos ao Ministério Público, que por sua vez apresentou denúncia e pedido de prisão preventiva de todos os sete envolvidos. Os detidos terão amplo direito de defesa, mas o trabalho da Corregedoria foi feito de forma a demonstrar que o desvio de conduta não será tolerado dentro da Polícia Civil”, disse o corregedor.

Para o chefe da Polícia Civil, a operação que resultou na prisão dos acusados atende a uma orientação de Governo. O Secretário de Segurança Pública e Defesa Social, Henrique Herkenhoff, também reiterou esta decisão: "O Governo do Estado mantém uma postura transparente, ética e de tolerância zero com casos de corrupção e desvio de conduta de servidores públicos, apoiando de forma veemente a atuação das corregedorias de polícia nesse sentido", acrescentou.
 

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