Mais de 200 militares já respondem a processo na Justiça por lesões contra estudantes em frente à Ufes: quando eles vão aprender a lição?

Em postagem anterior, opinei favorável à ação da Polícia Militar no conflito de quinta-feira (02/06) para desobstruir as duas principais avenidas do centro de Vitória, que haviam sido tomadas por um grupo de estudantes que reivindicam redução no preço de passagem. E continuo com a mesma opinião.

No Centro, a ação do Batalhão de Missões Especiais (BME) e da Rotam foi totalmente dentro da lei, sem exageros. Naquele momento, milhares de pessoas estavam impedidas de se locomover em várias partes da Grande Vitória por conta da baderna dos estudantes.

No mesmo dia, os manifestantes fecharam a avenida Fernando Ferrari, em frente à Ufes. Foram novamente combatidos pela PM. Aí, entrou a esperteza ou covardia dos estudantes, que correram para dentro da Ufes porque sabem que lá, por se tratar de uma propriedade da União, a PM não poderia entrar – a PM e a Polícia Civil somente podem entrar na Ufes numa situação de perseguição a bandidos ou para registrar uma ocorrência policial.

De dentro do campus, os estudantes atiraram pedras nos policiais militares do BME e da Rotam. Aí entraram o nervosismo e os exageros dos policiais: se as duas pistas da Fernando Ferrari já estavam desobstruídas – por ordem da própria PM – não haveria mais necessidade da polícia continuar indo atrás dos estudantes.

Se estavam sendo atacados a pedradas, os militares deveriam permanecer calmos. Afinal, eles são treinados para se defender e não para atacar numa situação como à verificada na Ufes. Se tivessem sido atacados a tiros ou com bombas, a reação poderia ser à altura.

Na Ufes, ao atirarem na direção de estudantes baderneiros bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha, os militares acabaram atingindo inocentes.

Muita coisa está por trás da ação dos estudantes e da reação da PM. É bom que o governo do Estado mande apurar, mesmo que para consumo interno, quem estaria orquestrando a baderna de um pequeno grupo de estudantes e a reação – em certos momentos adequada, justa e dentro da lei, mas por alguns momentos inadequada e exagerada – dos policiais.

Pelo lado dos estudantes, A Tribuna revela em suas edições de sexta-feira (03/05) e deste sábado que os líderes da baderna – que foi condenada por demais lideranças sérias de grupos estudantis – são ligados a partidos políticos.

Um veterano que aparece na cena da baderna, identificado por A Tribuna como sendo o sindicalista Luiz Carlos Rangel, era ligado ao DEM. Rangel, aliás, é um sindicalista profissional. Nos anos 80, foi acusado e preso por ferir a tiros um adversário do movimento sindical. Essa turma vai para a rua provocar e fazer baderna. Eles querem aparecer.

Pelo lado da PM, por mais que em notas oficiais o governo do Estado tem demonstrado uma posição firme de não aceitar que badernas prejudiquem a população e que a polícia vai agir sempre à altura para defender a sociedade, é bom também que o Palácio Anchieta fique bem atento às movimentações internas na caserna.

O atual comandante geral da PM, coronel Anselmo Lima, tem sido vítima do fogo amigo. Alguns de seus próprios companheiros de turma o boicotam desde sua indicação. Para amigos próximos fora da caserna, o coronel Anselmo Lima, que é um oficial bem intencionado e procura fazer uma boa administração, tem lamentado o “fogo amigo e o boicote”.

Para a tropa, é bom que todos saibam que existe um decreto do governo do Estado, assinado em 2005, que normatiza as ações da Tropa de Choque. Decreto criado justamente por conta dos exageros cometidos pela mesma Tropa de Choque contra estudantes na avenida Fernando Ferrari, em frente à Ufes, numa manifestação como a ocorrida esta semana.

Na ocasião, os militares revidaram os abuso dos estudantes com balas de borracha. Dezenas de jovens foram feridos. Foi aberto um Inquérito Policial Militar (IPM) contra todos os policiais – praças e oficiais – que participaram da ação.

Hoje, por conta daquele episódio, mais de 200 policiais militares estão sendo processados na Vara da Auditoria de Justiça Militar por lesões graves. De 2005 para cá, em função do processo judicial, esses mesmos militares estão subjúdice, ou seja, impedidos de serem promovidos.

Na quinta-feira, mais de 200 policiais do BME e da Rotam participaram da ação contra os estudantes. Certamente, todos serão submetidos a um IPM e, posteriormente, a um processo judicial.

Cautela, portanto, não faz mal a ninguém. Principalmente para quem está do lado da lei e vai para a rua nos proteger, que é o caso dos policiais militares. Quando nossos oficiais e praças vão aprender a lição?
 

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