Polícia Civil muda da água para o vinho em quatro meses

Em pouco mais de quatro meses, a Polícia Civil do Espírito Santo mudou da água para o vinho. Agora sob o comando de Joel Lyrio Júnior, a instituição decidiu, sob o amparo da lei e a disposição política e legal do secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Henrique Herkenhoff, fazer uma verdadeira devassa na casa.

Nunca em sua história, a Polícia Civil capixaba teve, simultaneamente, quatro delegados presos pela acusação de diversos crimes, como extorsão e ligação com traficantes.

Joel Lyrio assumiu o comando da PC no dia 2 de fevereiro. Junto com ele, assumiu a direção da corregedoria Geral de Polícia Civil o experiente delegado Emerson Gonçalves da Rocha.

O que se vê foi uma mudança de postura por parte da nova cúpula da Polícia Civil, amparada pelo secretário da Segurança, Henrique Herkenhoff, que, desde o início do novo governo, em janeiro, decretou tolerância zero contra crimes cometidos por policiais civis, militares e agentes penitenciários.

O corregedor Emerson da Rocha minimiza o que a sociedade já chama de novo comportamento da Polícia Civil. Para ele, o que acontece é que o novo secretário da Segurança deu maior estrutura à Corregedoria de Polícia Civil, aumentando o número de delegados, escrivões e investigadores, e que a equipe está trabalhando como determina a lei:

“Existem a política de governo e a política de Estado. A política de governo é adotada pelos gestores do Executivo; a política de Estado é feita pelos servidores públicos. De que forma? Cumprindo a lei. É isso que estamos fazendo na Corregedoria”, ensina Emerson Gonçalves da Rocha.

O que se ouve, entretanto, nos bastidores da segurança pública é que, agora, no governo de Renato Casagrande, houve também uma mudança de postura.

O último delegado a sofrer com a nova postura ética da Polícia Civil é Carlos César Silva, 47 anos. Ele foi preso nesta quarta-feira (16/06) dentro do Departamento de Polícia Judiciária de Cariacica, em Campo Grande, pela acusação de liberar armas e drogas apreendidas pela própria Polícia Civil para traficantes do Norte do Estado.

O delegado é acusado também de ligação com o advogado e acusado de tráfico Yung Alves Souto, preso pela Polícia Federal e que fugiu misteriosamente da carceragem do Comando Geral da Polícia Militar, em Vitória – Yung já foi recapturado.

Outros três delegados já estão presos na Delegacia do Centro de Vila Velha. No dia 13 de maio os delegados Márcio Braga e Luiz Neves, da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio, foram presos acusados de vários crimes, entre eles extorsão e tortura.

Na última quinta-feira (09/06) a delegada Tânia Brandão - também plantonista do DPJ de Cariacica - foi presa por suspeita de integrar uma quadrilha de traficantes e homicidas do Morro dos Gama, em Cariacica. Embora ela atuasse na mesma unidade que o delegado Carlos César da Silva, as prisões não estão relacionadas.

O presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil (Sindelpo), Sérgio Nascimento Lucas, disse que é a favor de toda e qualquer investigação contra policiais por desvio de conduta, mas vê com tristeza e apreensão a divulgação de imagens, notícias e determinados detalhes pertinentes a uma investigação que deveriam se ater aos autos do inquérito policial.

“Essa exposição exagerada denigre não só a imagem dos delegados investigados, mas de toda a categoria e da instituição policial civil, que deve ser forte e acreditada perante a sociedade. Todos os delegados que ora se encontram detidos já prestaram relevantes serviços para a segurança pública estadual e devem lhes ser assegurados o amplo direito de defesa e o contraditório, que são preceitos constitucionais”, pediu Sérgio Lucas.

De fato ele tem razão: a polícia não precisa promover show na prisão de qualquer pessoa. Muito menos gente da casa.
 

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