Polícia capixaba caça chefe da quadrilha de playboys que deu golpe milionário na Justiça

Depois de realizar um excelente trabalho – conforme o Blog do Elimar informou em primeira mão em postagem anterior –, em que descobriu uma quadrilha interestadual que deu golpe na Justiça do Espírito Santo, o Núcleo de Repressão às Organizações Criminosas e a Corrupção (Nurocc) está agora à caça do chefão do bando, que é formado, em sua maioria, por jovens playboys de Minas Gerais e Goiás. I processo contra o bando tramita sob o número 0004730-03.2011.8.08.0024 (024.11.004730-5), na 10ª Vara Criminal de Vitória.



O delegado Jordano Leite, titular do Nuroc, da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, apresentou na tarde desta segunda-feira (11/07) os integrantes da quadrilha que chegou a transferir R$ 450 mil de uma canta bancária do Banestes para a conta de um integrante da gangue.

O golpe foi dado por meio de alvarás judiciais falsos que seriam emitidos nos autos de processo judicial que tramita em uma Vara Cível de Vitória.

O chefe da quadrilha foi identificado como Juliadson Alan Silva Araújo, que é de Governador Valadares (Minas). Ele chegou a alugar um apartamento para o bando na Praia da Costa, em Vila Velha, pelo qual pagou R$ 8 mil antecipados referentes a seis meses de aluguel.

Apontado como playboy mineiro e conhecido por dar golpes na região onde reside, Juliadson já conseguiu escapar de uma caçada dos investigadores do Nuroc. Os policiais chegaram a cercar sua casa, mas ele pulou o muro e fugiu.

De acordo com o delegado, que comandou a Operação Alvará, a quadrilha pretendia desviar mais R$ 450 mil de uma conta judicial aberta na agência do Banestes localizada dentro do Fórum Criminal de Vitória, na Cidade Alta. Foi dessa agência que os bandidos já haviam sacado R$ 645.402,10. Este processo possui dezenas de autores - muitos deles já falecidos - que pleiteiam o levantamento de elevados valores depositados em juízo, tendo como ré a pessoa jurídica da Valia Fundação do Rio Doce Seguridade Social.

A investigação do Nuroc revelou que os autores do crime falsificavam alvarás em nome de um juiz que havia atuado na Vara Cível, e de posse de um documento falso - Carteira Nacional de Habilitação ou Carteira de Identidade - um dos integrantes da quadrilha se apresentava na agência do Banestes do Fórum de Vitória para efetuar a transferência do valor para uma conta bancária de outro Estado.

“A ação criminosa logrou êxito no dia 13 de dezembro de 2010, quando uma pessoa portando uma cédula de identidade supostamente falsa, em nome de um dos autores do processo, conseguiu efetuar a transferência bancária da quantia de R$ 450 mil para a conta bancária 013-00041871-8, da agência 0611 da Caixa Econômica Federal localizada na cidade de Morrinhos (GO), em nome de Eleuza Aparecida de Oliveira", informou o delegado Jordano Leite.

No dia 11 de fevereiro de 2011, outro integrante da gangue, identificado como João Batista Gonzaga, esteve na mesma agência do Banestes e tentou levantar a quantia de R$ 645.402,10, utilizando um alvará judicial também falso.

Na ocasião, foi detectada uma irregularidade no alvará, pois o número do processo não conferia. O Nuroc foi acionado, compareceu ao Banestes e prendeu João Batista, dando início às investigações do caso. O Nuroc constatou que o esquema havia sido montado por um grupo da cidade de Governador Valadares (MG) - já conhecidos naquela cidade por envolvimento em diversas fraudes.

As investigações revelaram que a quadrilha falsificava os alvarás do processo judicial da Valia cooptando pessoas que se dispusessem passar por parte do processo que tivesse sido beneficiada nos autos, e realizando transferências de valores para contas bancárias de outros Estados.

Durante as investigações, o Nuroc identificou os envolvidos nas fraudes e a sua respectiva participação:

João Gonçalves Júnior: Esteve no Banestes do Fórum de Vitória e foi o responsável pela transferência bancária da quantia de R$ 450 mil no dia 13 de dezembro de 2010. Foi preso pelo Nuroc na cidade de Itumbiara (GO);

Eleuza Aparecida de Oliveira: Forneceu a conta bancária na Caixa Econômica Federal para que a quadrilha desviasse R$ 450 mil. Depois, efetuou transferências e saques sob orientação de João Gonçalves Júnior, tendo sido presa em Morrinhos (GO). Foi solta por decisão judicial.

João Batista Gonzaga: Teria sido aliciado pela quadrilha para se passar por outro autor do processo. Tentou efetuar nova transferência bancária com uso de alvará falso da quantia de R$ 645.402.10, também no Banestes do Fórum de Vitória, e foi preso em flagrante pelo Nuroc em Vitória no dia 11 de fevereiro, numa sexta-feira. Morreu dois dias depois numa prisão de Viana. Ele sofria de diabetes, segundo o Nuroc, e sua morte foi de causa natural.

Juliadson Alan Silva Araújo: Apontado como um dos mentores de todo o esquema, tendo se aproveitado de uma pessoa de sua família que seria advogada de partes do processo judicial que tramita na Vara Cível, em Vitória, e que se encontra foragido. A avó dele é advogada nos processos contra a Valia. Ela, que é de Governador Valadares, está sendo investigada pelo Nuroc.

Alexandre Lacerda de Andrade: Apontado como um dos mentores do esquema junto com juliadson, foi preso em Governador Valadares (MG) pelo Nuroc;

Ronaldo Ferreira da Silva Gontijo: Apontado pelo responsável pelo aliciamento de João Gonçalves Júnior. para participar da fraude, teria também obtido vantagem financeira com a falsificação de alvará, e se encontra foragido.

Íris Cândido Porto Ramos: Teria colaborado diretamente com Juliadson, tendo inclusive viajado para Vitória quando da transferência de R$ 450 mil. Foi preso pelo Nuroc em Governador Valadares;

Jean Carlos Bernardo: Forneceu conta bancária para Juliadson transferir os valores desviados. Segundo o delegado Jordano Leite, "há claros indícios de sua participação e obtenção de vantagem com o crime praticado". Inclusive, ele teria montado duas lojas de venda de celulares em Governador Valadares (MG), onde foi preso pelo Nuroc;

Paulo Luiz da Silva, o Paulo 171: É apontado como aliciador de João Batista Gonzaga na tentativa da transferência da quantia de R$ 645.402,10 quando ele acabou preso em flagrante pelo Nuroc. Seria responsável pela obtenção de documentos falsos como carteira nacional de habilitação para a quadrilha. Foi preso pelo Nuroc em Governador Valadares (MG).

De acordo com o Nuroc, os indiciados adquiriram diversos bens com o dinheiro desviado, inclusive veículos que foram apreendidos na Operação Alvará e apresentados nesta segunda-feira:

1 caminhonete MMC L 200 Triton 3.2 D, cor prata;

1 Volkswagen Gol 16v Power, cor cinza; 1 Volkswagen Golf 1.6 Sportline, cor prata; 1 Volkswagen Golf 1.6 Sportline, cor preta; e
1 Volkswagen Golf 1.8, cor prata, apreendido na Polícia Rodoviária Federal (PRF) de Goiás.

O delegado Jordano Leite informou que, durante as investigações, concluiu que não houve dolo – intenção de crime – por parte de servidores do Fórum de Vitória e nem do Banestes. Ele entende que nenhum servidor teria sido cooptado para ajudar a quadrilha.

No entanto, ressalvou que cabe ao Poder Judiciário e o Banestes a abrirem processo administrativo para detectar quem cometeu falha que pudesse contribuir, mesmo que involuntariamente, para a ação da quadrilha:

“Concluímos que não houve dolo por parte de servidores, mas houve erro. Esse erro é que deve ser apurado pelo banco e pela Justiça”, disse o delegado Jordano Leite, que está de parabéns, mais vez, pelo trabalho que vem desenvolvendo à frente do Nuroc.
 

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