Bandido que fez 'lista negra' com nome de juíza assassinada no Rio pode ter contado com ajuda de milicianos capixabas em Guarapari

O juiz Fábio Uchôa, em exercício no 4º Tribunal de Júri de São Gonçalo, que comanda a força-tarefa que substituiu Patrícia Acioli, decidiu nesta terça-feira (23/08) que Wanderson da Silva Tavares, o Gordinho, irá a júri popular. Ele, que foi recapturado em janeiro deste ano pela Polícia Civil do Rio em Guarapari, pode ter contato com a ajuda de milicianos capixabas para se esconder no Espírito Santo.

Gordinho é acusado de chefiar um grupo de extermínio e vai a júri pelo assassinato do traficante Antônio Carlos Fernandes, o Bueiro, em setembro de 2010. A sentença de pronúncia foi proferida na segunda-feira (22/08).


“Desse modo, restando demonstrada a materialidade do crime de homicídio, assim como indícios suficientes da autoria e da participação nos crimes contra a vida e nos demais crimes conexos que lhe foram imputados, e, ainda, das qualificadoras descritas no aditamento da denúncia, impõe-se submeter o acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri, pois cabe a este Colegiado a análise das provas e a decisão quanto aos crimes dolosos contra vida e dos que lhe são conexos”, destacou o magistrado, segundo o site de O Dia.

O juiz Fábio Uchôa também manteve a prisão preventiva do réu para assegurar a ordem pública e a conveniência da instrução criminal. Segundo ele, o réu demonstra possuir intensa periculosidade, sendo apontado como participante de um grupo de extermínio do qual participam outros policiais militares e que pratica diversos crimes graves em São Gonçalo.

De acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual do Rio, “Gordinho”, juntamente com Alexsandro Horffam Lopes, vulgo “Zumbi”, cujo processo foi desmembrado, sequestraram “Bueiro” com o fim de obterem R$ 15 mil, além de armas, como condição para sua libertação.

Durante o sequestro, os acusados provocaram na vítima lesões corporais de natureza grave através de tortura praticada com choques elétricos, espancamento com um machado e um cassetete de madeira e queimaduras provocadas com uma colher.

Ainda segundo o MP do Rio, após a tortura, uma terceira pessoa efetuou disparos de arma de fogo contra “Bueiro”, causando sua morte. “Gordinho” e “Zumbi” teriam ocultado o cadáver da vítima em local ermo para facilitar a ocultação do crime de homicídio.

Neste processo, “Gordinho” é acusado dos crimes de homicídio qualificado, extorsão mediante sequestro seguida de lesão corporal grave e vilipêndio a cadáver, todos com agravantes.

Preso em janeiro deste ano em Guarapari, ele é suspeito de integrar grupo de milícias em São Gonçalo e, em seu poder, teria sido encontrada uma lista de 12 pessoas marcadas para morrer, entre elas, a juíza Patrícia Lourival Acioli, assassinada no dia 11 de agosto.

Gordinho foi preso no dia 2 de janeiro no bairro Ipiranga, em Guarapari. A quadrilha de Gordinho contava com a participação de cinco policiais militares cariocas, já identificados e presos, e outros três suspeitos também detidos. Eles foram presos durante a Operação Trindade, responsável pela investigação de uma série de homicídios de traficantes, sequestrados e mortos mesmo após o pagamento do resgate.

Os agentes policiais informaram que no momento da prisão, Gordinho - que estava morando em uma casa alugada no bairro Ipiranga - estava com R$ 31 mil em espécie, joias, e talões de cheque de diversos bancos em nomes de terceiros.

A Polícia Civil do Rio investiga a possibilidade de Gordinho ter contado com a ajuda de ex-policiais militares do Rio e do Espírito Santo, que teriam formado grupos de milicianos na Grande Vitória.

Em Guarapari, Gordinho conseguiu abrir contas bancária e até uma padaria. Levava uma vida normal, como se fosse um cidadão de bem.

 

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