Inquérito conclui que três PMs executaram juíza carioca


O tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sergio Costa Junior e Jefferson de Araujo Miranda — do Grupo de Ações Táticas (GAT) do 7º Batalhão da Polícia Militar (São Gonçalo) — tiveram as prisões temporárias decretadas no domingo (11/09), pelo plantão judiciário de Niterói, acusados do assassinato da juíza Patrícia Acioli.

A magistrada foi atingida por 21 tiros na noite do dia 11 de agosto, quando chegava de carro em Piratininga, Niterói. No pedido de prisão temporária, os policiais são definidos como ‘membros de uma verdadeira organização criminosa de altíssima periculosidade’. As informações são do jornal O Dia.


Os três já estão presos na Unidade Prisional — antigo BEP — acusados ainda da morte de Diego de Souza Beliene, de 18 anos, no Complexo do Salgueiro, São Gonçalo, em junho. As prisões foram decretadas por Patrícia horas antes de ser covardemente executada. Segundo a conclusão do inquérito da Divisão de Homicídios do Rio (DH), um mês antes do assassinato de Patrícia, uma advogada telefonou para o cabo Jefferson Miranda.

Na conversa revelou que a magistrada iria incluir no processo sobre Diego toda a guarnição do GAT que esteve no local. Até então, só os cabos Sammy dos Santos Quintanilha e Flávio Cabral Bastos tinham sido presos. Jefferson foi ao encontro de Sérgio Costa Junior em São Gonçalo. No fim da tarde, ambos marcaram com o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes no Largo do Barrada, Niterói. De lá, os três seguiram para a rua onde Patrícia morava, no bairro do Tibau, e lá permaneceram por cerca de meia hora, retornando para o Largo do Barrada.

No dia 12 de julho, a juíza enviou ofício ao comando do 7º BPM para que fossem informados os nomes e identidades dos integrantes da guarnição do GAT que participaram da operação no Complexo do Salgueiro. Em 11 de agosto, dia do crime, a advogada de um deles foi ao Fórum de São Gonçalo e soube pela própria Patrícia Acioli que ela iria decretar a prisão dos outros policiais.

Foi aí que, de acordo com as investigações, essa advogada telefonou para seu cliente, para o cabo Jefferson e o tenente Daniel Benitez, que estava no 7º BPM, na Rua Doutor Alfredo Backer, no Mutondo. O cabo Sérgio Costa Junior também estava na unidade. Daniel e Sérgio se deslocaram para o Fórum de São Gonçalo, na Avenida Getúlio Vargas, de onde Patrícia Acioli saiu por volta das 23h15 em direção à sua casa onde foi executada.

As origens para o bárbaro crime
Segundo investigações da Divisão de Homicídios do Rio, o assassinato de Patrícia — que não tinha escolta policial — tem como origem um crime ocorrido pouco mais de dois meses antes de sua morte, no dia 3 de junho. Na ocasião, guarnição do GAT do 7º BPM, comandada pelo tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes, fez uma incursão no conjunto da PM, no Complexo do Salgueiro, e matou Diego da Conceição Beliene.

Na 72ª DP (São Gonçalo), os policiais alegaram que a morte foi decorrente de auto de resistência por parte de traficantes. As investigações, porém, não comprovaram a versão dos policiais e dois cabos tiveram a prisão temporária decretada pela juíza. No dia 11, o delegado da 72ª DP representou pela prorrogação das prisões.

Vítima foi seguida desde saída do Fórum
A análise das câmeras de monitoramento de vigilância da região mostra que a juíza foi seguida desde a saída do fórum por seus executores, que estavam em uma motocicleta Honda azul, modelo Falcon. Ao se aproximarem da ponte que dá acesso ao bairro do Tibau, os executores perceberam que Patrícia seguia para casa, onde eles já tinham estado um mês antes, e a ultrapassaram. Ficaram escondidos atrás de uma Kombi estacionada na frente de uma casa vizinha à de Patrícia.

A magistrada chegou e, ao parar seu carro em frente ao portão de casa, foi surpreendida por dois criminosos, que abriram fogo contra a janela e a porta lateral esquerda do Fiat Ideia dirigido por Patrícia. Ela foi atingida por 21 tiros. Os executores deixaram o local calmamente e de lá cada um dos acusados seguiu para a sua casa.

Os peritos da DH recolheram vários estojos e projéteis de calibres 38mm, 40mm e 45mm. A Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC) informou que o lote foi vendido para a PM e parte destinado ao 7º BPM, como O DIA revelou dia 22. Um computador que armazenava imagens das câmeras do local também foi apreendido pelos investigadores. Ainda esta semana, eles esperam encontrar as armas do crime.

O passo a passo de um crime que afrontou o Judiciário e a sociedade
- Em 11 de agosto, a juíza Patrícia Lourival Acioli é morta com 21 tiros, em Piratininga, Niterói. Ela acabara de sair do fórum onde horas antes decretara a prisão de oito PMs acusados de forjar auto de resistência. Entre eles, os três apontados como seus assassinos.

- Após o crime, vêm à tona denúncias de que o Tribunal de Justiça negou escolta à magistrada que havia informado várias vezes à instituição que estava sendo ameaçada de morte. Patrícia estava sem seguranças desde 2007.

- Policiais do 7º BPM (São Gonçalo) foram apontados como principais suspeitos porque Patrícia era considerada linha dura nos processos que julgava sobre alto de resistência envolvendo os agentes do batalhão.

- Exames de balística provaram que as munições usadas no crime eram da PM, como O DIA noticiou em 22 de agosto. Os cartuchos de calibre 40 arrecadados no local da execução eram de um lote de 10 mil projéteis comprados pela PM. Eles foram distribuídos também para o 7º BPM.

- O Tribunal de Justiça enviou ao Ministério Público (MP) lista com 91 nomes de PMs que respondem a processos na 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, onde Patrícia era titular. A lista foi refeita, o número caiu para 34 e 28 tiveram a prisão pedida. Eles foram afastados das ruas.

- Neste domingo entrevista de O DIA com a mãe da juíza foi pregada na cruz, que está na Praia de Icaraí, Niterói, desde o dia do crime. (Texto extraído do site do jornal O Dia)
 

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