Traficante da Ilha do Príncipe trava guerra com bandidos do Morro dos Alagoanos há mais de 20 anos


Apelidado de Antônio Fininho, o traficante Antônio Carlos Teixeira Alvarenga, 52 anos, um dos chefes do tráfico da Ilha do Príncipe, tem seu nome envolvido com a guerra do tráfico com bandidos do Morro dos Alagoanos há mais de 20 anos. Neste período, Fininho, que já foi tachado de “doido” pela Justiça capixaba, já perdeu um irmão e um filho, sem contar os inúmeros “soldados”, que trabalhavam para ele como gerentes e vendedores de drogas – cocaína, maconha e crack.


A última ação de Antônio Fininho teve como alvo o latrocida – quem mata para assaltar – e traficante Stéfano Soares da Silva, o Tubarão, 27 anos, executado com mais de 20 tiros na noite da última segunda-feira (26/09), no Morro dos Alagoanos.

Tubarão havia sido condenado pela 6ª Vara Criminal de Vitória a 23 anos e seis meses de reclusão pela participação em um assalto à agência do Bradesco da rua General Osório, no Centro de Vitória, em 2004. Nesse assalto, Tubarão e seus cúmplices – todos já condenados também – mataram o policial militar Rocha, que passava em uma viatura no local, desceu do carro e tentou evitar o roubo. Na mesma ação, um assaltante também foi morto.

Recentemente, Tubarão foi beneficiado pela legislação penal brasileira – que é uma verdadeira mãe com bandidos –, tendo direito à progressão de pena. Passou do regime fechado para semi aberto. Autorizado pela Vara de Execuções Penais, Tubarão saía da cadeia durante o dia, para trabalhar, com a ordem de voltar à noite. Tinha que estar na prisão até as 20 horas, segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Justiça (Sejus). Mas na última segunda-feira Tubarão decidiuu não voltar e acabou sendo morto.

Mesmo de dentro da prisão – ou trabalhando, conforme foram seus últimos dias de vida –, Tubarão era um dos chefes do tráfico dos Alagoanos, segundo relatam moradores do morro. Segundo eles, Tubarão foi morto porque no dia 30 de junho deste ano teria ordenado o bonde dos Alagoanos invadir a Ilha do Príncipe para matar um dos filhos de Antônio Fininho, o também traficante Antônio Carlos Majeski Alvarenga, o Fininho, 26 anos.

No dia 19 de julho, o mesmo bonde desceu de novo o morro e tentou matar Antônio Fininho, o pai, dentro do Mercado da Vila Rubim. Cercado pelos criminosos, Fininho foi baleado, socorrido e continua internado.

Mesmo do hospital, ele deu ordem para sua gangue invadir o Morros dos Alagoanos e matar Tubarão. Para isso, o bando de Fininho contou com a ajuda de traficantes de Santo Antônio, como o bandido conhecido como Chacal, que comanda pontos de vendas de drogas na Prainha e em Itanhenga, na mesma região.

Na quarta-feira (28/09), a Polícia Militar fez uma operação nos Alagoanos e prendeu suspeitos de tráfico e de envolvimento na morte de Tubarão.

O envolvimento de Antônio Fininho na guerra do tráfico já dura mais de 20 anos. Em 1989, um irmão dele, o metalúrgico Valdecir Alvarenga, que trabalhava na antiga CST, foi seqüestrado pela quadrilha do traficante conhecido como Cheli e esquartejado. Cheli e seus comparsas cortaram várias partes do corpo de Valdecir, mesmo com o metalúrgico ainda vivo. Depois, colocaram as partes do corpo em um saco de trigo e desovaram na maré de Santo Antônio.

Na época, Fininho se passou por vítima. Afinal, Cheli, para se vingar do rival, preferiu matar o irmão de Antônio Fininho. Na verdade, os dois se duelavam na disputa de pontos de vendas de drogas nos Alagoanos e na Ilha do Príncipe.

Como diz Pedro Maia, Cheli e seu bando já “partiram dessa para melhor”. Mas, antes da partida, Cheli e seus comparas repetiram a dose: sequestraram um outro traficante dos Alagoanos, o levaram para um barraco no morro e o esquartejaram. Jogaram o corpo também na maré de Santo Antônio.

Em 1990, o Serviço de Inteligência da Polícia Militar entrou em ação. Colocou agentes secretos no morro e, durante pelo menos três meses, os policiais realizaram investigações. No dia decisivo, a PM ocupou o morro para prender Cheli e seu bando, mas os bandidos reagiram e quatro deles morreram. Como diz o Amaro Neto, do Balanço Geral, “cantaram para subir”.

Antônio Fininho ficou livre para agir. Chegou a ser preso em 1994 pelo delegado Danilo Bahiense, numa operação em Praia Grande, Fundão. Fininho se passava por empresário do ramo de pesca e possuía barcos. Numa dessa, a polícia lhe deu o bote e o prendeu com quase 10 quilos de cocaína dentro de um dos barcos.

Antônio Fininho foi condenado, mas a Justiça de Fundão, em 1997, considerou que ele tinha problemas psiquiátricos, baseando em laudos assinados por dois psiquiatras forenses, e o mandou para o Manicômio Judiciário, onde ficou pouco tempo. Voltou para as ruas e, mesmo com os “problemas psiquiátricos, Fininho continuou vendendo  drogas e duelando com seus inimigos. Hoje, segundo o site do Tribunal de Justiça, ele responde a dois processos por tráfico.

É, portanto, uma guerra sem fim.
 

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