Mesmo lento, governo Casagrande também merece trégua por parte de lideranças dos policiais civis

As categorias de classe dos policiais civis e militares passaram, praticamente, os oito anos do governo Paulo Hartung quase que em silêncio. Um o outro sindicalista, como o Júnior Fialho, representando a Associação dos Investigadores, vinham a público denunciar as mazelas no setor de segurança pública.

Entra Renato Casagrande, que tem uma postura bem mais democrática do que seu antecessor, e os sindicalistas policiais saem da toca.

Recentemente, lideranças dos policiais civis e militares “denunciaram” na imprensa que guarnições da PM têm que se deslocar quase  300 quilômetros para entregar suspeito de crime preso em flagrante a uma delegacia.

Exemplo: um suspeito é preso em Barra de São Francisco num fim de semana. A delegacia local está fechada. A PM é obrigada a se deslocar para Colatina e, às vezes, até a Serra para entregar o criminoso.

É uma situação gravíssima, mas que, “justiça seja feita”, vem ocorrendo há mais de oito anos. Portanto, não é uma situação criada pelo governador Casagrande.

Agora é a vez do Sindicato dos Policiais Civis do Estado (Sindipol) pressionar o governo a nomear os cerca de 380 investigadores, dando prazo de 10 dias, caso contrário, fará uma paralisação geral na instituição.

Os investigadores a serem nomeados esperam pelo ato há mais de 18 anos. Somente agora, Casagrande, reconhecendo o problema, decidiu dar um basta. Outros governantes não estavam nem aí para a tal promoção.

Casagrande cumpriu sua palavra. Nomeou os 380 investigadores, que já passaram, inclusive, pela fase de investigação social na Polícia Civil. Entretanto, para começarem a trabalhar, é preciso que a Justiça faça a homologação, já que todos haviam entrado, no decorrer das duas décadas, com ação na Justiça contra o governo do Estado.

Dando uma de bombeiro, o presidente da Comissão de Segurança, deputado Gilsinho Lopes (PR), com quem os líderes do Sindipol se reuniram nesta semana, está atuando junto ao governo do Estado para agilizar as nomeações. Segundo Gilsinho, para que os novos investigadores sejam nomeados falta apenas a homologação, na Vara da Fazenda, de acordo que já foi assinado.

“Vamos conversar com a juíza para tentar sensibilizá-la sobre a urgência de nomear os novos investigadores. Precisamos agilizar estas nomeações, pois faltam investigadores no Estado. Em 24 horas houve nove homicídios, segundo os jornais de hoje”, argumentou Gilsinho Lopes.

É certo que o governo de Renato Casagrande, nesses primeiros 10 meses, não demonstra o mesmo dinamismo de seu antecessor. Até porque, Paulo Hartung soube colocar as pessoas certas no lugar certo.

Casagrande não tem, na área de segurança pública, alguém capaz (e com autonomia necessária) para negociar com as categorias. A lentidão é, portanto, um mal muito grande.

Embora o momento teria que ser de trégua entre governantes e sindicalistas, o governo do Estado demonstra, 10 meses depois da posse, que a lentidão faz parte de suas ações.

Somente agora o secretário de Estado de Gestão e Recursos Humanos (Seger), secretário Heráclito Pereira Júnior – que já era do governo passado –, sinalizou para as categorias que o governo do Estado contratou a Fundação Instituto de Administração (FIA), que está realizando levantamento da situação de todas as carreiras de Estado de servidores públicos do Executivo capixaba, dentre elas estão policiais militares e civis e bombeiros militares.

Na última reunião que teve com a Comissão de Segurança da Assembleia Legislativa e com representantes de classe dos policiais militares, o secretário disse que o governo está trabalhando para a implantação de carreira em todas as áreas. Garantiu que a primeira carreira de Estado a ser analisada e reformulada será a da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, onde estão ligadas às Polícias Militar e Civil e o Corpo de Bombeiros. Essa agenda, porém, começará até janeiro de 2012.

Outro detalhe que os líderes da categoria têm que observar: há pessoas infiltradas no movimento que desejam o insucesso do atual chefe de Polícia Civil, delegado Joel Lyrio Júnior, por questões politiqueiras. Joel Lyrio vem realizando um excelente trabalho à frente da instituição e seu cargo sequer deveria ser questionado.
 

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