Parte II: Pesquisa revela que população defende prisão perpétua para criminosos no Brasil

A pesquisa CNI-Ibope Retratos da Sociedade Brasileira: Segurança Pública, que acaba de ser divulgada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), revela que a população brasileira defende maior rigor com os criminosos. Maior rigor significa,inclusive, a adoção da prisão perpétua e até da pena de morte.


Dentre os entrevistados, 79% concordam total ou parcialmente que penas mais rigorosas reduzem a criminalidade. Corroborando a demanda por maior rigor nas penas, 69% dos entrevistados são favoráveis à prisão perpétua. No entanto, 15% são totalmente contra essa medida. A pesquisa completa está no site da CNI.

A demanda por maior rigor não chega ao ponto de se apoiar a pena capital. A população brasileira está dividida quanto à adoção da pena de morte. Dentre os entrevistados, 46% mostram-se a favor (31% totalmente e 15% parcialmente), outros 46% são contrários (34% totalmente e 12% parcialmente).

Ainda segundo a pesquisa, a população brasileira defende penas mais rigorosas para os crimes violentos. No caso de crimes leves, 82% dos entrevistados são a favor total ou parcialmente da aplicação de penas alternativas à prisão como, por exemplo, trabalho comunitário.

Dentre os entrevistados, 83% concordam que a responsabilidade penal somente após os 18 anos tem incentivado o uso de menores em crimes. A preocupação com a participação de menores de idade em crimes reflete-se na defesa da redução da maioridade penal para 16 anos por 86% dos entrevistados, sendo que 75% são totalmente a favor da medida.

A sociedade manifesta sua preocupação com os crimes praticados por menores também ao apoiar fortemente o julgamento de menores como adultos no caso de crimes violentos ou hediondos.

Dentre os entrevistados, 91% concordaram total ou parcialmente com a afirmação: “Os menores de idade que cometam crimes violentos/ hediondos devem ser julgados como adultos”.

Os brasileiros querem mais rigor nas ruas, mas sem violência policial ou população armada. Ressalte-se, contudo, que a defesa de maior rigor não se traduz em defesa de violência policial. A população mostrou-se dividida diante da frase “A violência dos criminosos justifica uma ação violenta dos policiais”. Metade da população concorda com a afirmação (apenas 25% totalmente), enquanto 36% discordam (19% totalmente).

Convivência da população com a violência e a criminalidade

Segundo a pesquisa CNI/Ibope, dentre os entrevistados, 9% foram furtados, assaltados ou agredidos, 19% possuem um parente que sofreu algum desse tipo de violência e em 2% tanto o entrevistado como um parente seu sofreram diretamente com a violência nos últimos 12 meses.

No total, 30% da população sofreram diretamente com a violência. Considerando o entrevistado e algum parente, o percentual dos que reportaram terem sido furtados, assaltados ou agredidos nos últimos 12 meses é de 43% no conjunto das regiões Norte e Centro-Oeste e de 33% no Nordeste.

O percentual também é elevado entre os residentes nas capitais (42%) e nas cidades grandes, ou seja, com mais de 100 mil habitantes (38%).

Outro dado da pesquisa é que grande parte da população brasileira presenciou a violência ou a criminalidade nos últimos 12 meses. Dentre os entrevistados, 79% presenciaram pelo menos uma ocorrência de delito. A ocorrência mais comum é o uso de drogas na rua, presenciado por 67% da população.

Além disso, 51% já viram a polícia prendendo alguém e 41% alguém sendo agredido. Alguém sendo assassinado foi presenciado por 8% da população. A presença da violência é maior nas capitais. Entre seus moradores, 82% presenciaram alguém usando drogas na rua, 63% viram a polícia prendendo alguém e 51% assistiram alguém sendo agredido.

Ainda nas capitais, 16% presenciaram alguém recebendo um tiro e 12% testemunharam um assassinato. A exposição à violência dos residentes nas regiões Norte e Centro-Oeste para cada uma das ocorrências listadas, excetuando-se o uso de drogas, supera a média nacional.

Quase metade da população aumentou os cuidados com a segurança nos últimos três anos

Dentre as pessoas entrevistadas pela pesquisa CNI/Ibope, 45% aumentaram os cuidados com segurança nos últimos três anos, enquanto 49% os mantiveram inalterados nesse período. Apenas 4% diminuíram os cuidados com segurança.

O percentual de respondentes que afirmou ter aumentado os cuidados com segurança cresce de acordo com a renda, alcançando 56% das famílias com renda superior a 10 salários mínimos e 55% das famílias com renda entre 5 e 10 salários mínimos.

O aumento dos cuidados com a segurança foi mais comum na Região Nordeste (54%), nas cidades grandes – com mais de 100 mil habitantes – e nas capitais. Em ambos os casos, 49% dos moradores afirmaram terem aumentado os cuidados com segurança.

Ainda segundo a pesquisa, 80% da população mudaram seus hábitos devido à violência. A mais frequente mudança de hábito causada pela violência é “evitar andar com dinheiro”. Essa opção foi assinalada por 63% dos entrevistados. Além disso, mais da metade da população aumentou o cuidado ao sair de e entrar em casa, trabalho ou escola (57%).

(Fonte: Site da Confederação Nacional da Indústria)
 

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