Por que o delegado Dirceo perdeu o cargo de secretário de Defesa Social da Serra

O delegado Dirceo Antônio Leme de Mello sempre se destacou na Polícia Civil do Espírito Santo como um lutador em favor da categoria. É um sindicalista na concepção da palavra. Também é professor de Direito. Chegou ao posto de delegado especial na Polícia Civil do Espírito Santo. Dirceo Leme é um homem do bem, diga-se de passagem. Mas saiu pela porta dos fundos da Secretaria de Defesa Social da Prefeitura Municipal da Serra, cargo que ocupou por apenas seis meses, depois de ter sido indicado por seu amigo e colega Joel Lyrio Júnior, que deixou a mesma secretária em janeiro para assumir a chefia de Polícia Civil.


O jeito de trabalho de Dirceo Leme, entretanto, desagradou ao prefeito Sérgio Vidigal (PDT). O “Doutor Dirceo”, como ele gosta de ser chamado politicamente – Dirceo Leme já foi candidato a vereador em Vitória e tudo indica que deverá repetir o gesto em 2012, haja vista os adesivos já encontrados em carros por aí –, também desagradou seus colegas da Polícia Civil e o comando da Polícia Militar da Serra.

Como secretário, ele organizou inúmeras blitze nos bairros da Serra. Saía como verdadeiro xerife – embora não colocasse colete de “Rambo” – e, para surpresa e preocupação dos comandantes militares do município, permitiu que agentes da Secretaria Municipal de Defesa Social se armassem com escopetas de calibre 12 durante as operações.

Fontes ligadas ao gabinete Sérgio Vigidal informam, no entanto, que este não foi o principal motivo para a queda do “doutor Dirceo”. Envolvido com outras atividades pessoais, Dirceo Leme estava encontrando pouco tempo para despachar na Secretaria de Defesa Social.

O próprio Dirceo disse ao jornal A Tribunal que precisou sair da Secretaria porque tem que continuar seus projetos pessoais, como o de realizar palestras sobre os perigos do uso de drogas. É bom lembrar que Dirceo Leme foi delegado da antiga Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes por três meses, quando o distrito funcionava anexo à Delegacia de Jucutuquara.

Exigente – como deve ser qualquer administrador, seja público ou privado –  com seus secretários, o prefeito Vidigal chegou a recorrer até ao circuito interno de TV instalado na sede da Secretaria de Defesa Social para ter uma justificativa para cobrar de Dirceo Leme sua presença na Pasta. O CFC, montado pelo próprio Dirceo Leme, acabou “dedurando” a ausência do secretário em seu gabinete.

Sérgio Vidigal já estava sendo cobrado por aliados políticos para trocar seu secretário de Defesa Social. Desta vez, coube ao ex-secretário de Estado da Segurança Pública e hoje deputado Rodney Miranda (DEM), que é delegado de Polícia Federal licenciado, indicar o sucessor de Dirceo Leme. E o novo titular da Pasta é o coronel da reserva remunerada José Carlos Carneiro. Chega com bom trânsito nas duas polícias, algo que o “Doutor Dirceo”, apesar de todo seu passado como sindicalista, não tem.
 

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