Heróis da PM salvam menina de 16 anos da morte na Cinco Pontes

Domingo (20/11), por volta das 20h50, o sargento Elísio Nunes de Souza e o soldado Walter Matias Lopes foram chamados pelo Centro Integrado Operacional de Defesa Social (Ciods) para atender ao chamado de taxista que havia acionado o botão de pânico. Rastreado pelo Ciods, o botão de pânico assinalou para a Polícia Militar que o táxi estava parado nas proximidades da Rodoviária de Vitória, na Ilha do Príncipe.

Ao chegarem ao táxi, que é um Doublé, o sargento Elísio e o soldado Matias, que são lotados na 2ª Companhia (Santo Antônio) do 1º Batalhão da PM (Vitória), se surpreenderam com a resposta do taxista:

“Não está acontecendo nada. Como ainda sequer sei onde fica o botão de pânico dentro do carro, creio que eu tenha acionado o aparelho sem intenção. Vocês me desculpem”, disse o taxista, que faz ponto na Rodoviária da Ilha do Príncipe, onde estava parado aguardando passageiro.

Enquanto o taxista se desculpava, Elísio ouvia, dentro da viatura, outro chamado do Ciods, que comunicava que ali bem próximo, na Ponte Florentino Avidos (Cinco Pontes), uma pessoa estava cometendo suicídio.

O sargento Elísio e seu parceiro, o soldado Matias, entraram imediatamente na viatura prefixo 2525 e correram em direção a Cinco Pontes. Desceram do carro e se depararam, na metade da ponte, na pista de sentido Vitória/Vila Velha, com uma jovem já quase caindo no mar.

A menina estava pendurada na grade de proteção de passeio, já do lado externo da ponte:

“Não tivemos nem tempo de conversar com a jovem. O soldado Matias puxou a moça pela cintura e eu pelos braços. Puxamos tão forte que ela caiu em cima de nós”, recordou o sargento Elísio.

A adolescente tem 16 anos e foi levada pelos dois policiais para o Hospital Infantil. O sargento disse que a jovem fazia tratamento psicológico no Posto de Saúde da Ilha do Príncipe, onde reside, mas acabou se afastando do tratamento.

A menina é uma estudante e estaria sempre em atritos com a mãe por causa de namoro. Depois de receber os primeiros atendimentos médicos, do Hospital Infantil a jovem foi levada para tratamento com psiquiatra no Hospital Adalto Botelho, em Cariacica.

Os dois novos heróis da Polícia Militar trabalham na Companhia de Santo Antônio e são comandados pelo capitão Almir. A sede da 2ª Cia fica próximo ao Cais do Hidroavião, ao lado do Clube da Pesca.

Com 49 anos de idade, 25 dos quais dedicados à PMES, o sargento Elísio Nunes de Souza e o soldado Walter Matias Lopes – ele tem 4 anos e meio de PM e 32 anos de idade – relembram com emoção o momento em que salvaram a adolescente na Cinco Pontes. Aliás, no sábado (19/11), eles já haviam evitado que um taxista também se matasse, só que na Segunda Ponte.

“Somente neste ano, já atendi pelo menos 10 ocorrências de homicídios. Esse ato (salvar a adolescente) foi o que superou todos os fatos negativos que já presenciei. Temos consciência de que cumprimos nosso dever, nossa missão, que é a de preservar a vida”, comentou o sargento Elísio para o Blog do Elimar Côrtes.

“Foi Deus que nos levou até a rodoviária. Ele nos usou como instrumento para atender um chamado de botão de pânico que, na verdade, não se concretizou, justamente para salvar aquela jovem”, completou o sargento.

No sábado, mesma equipe evitou a morte de taxista


No sábado (19/11) – um dia antes de salvar a adolescente de 16 anos –, o sargento Elísio e o soldado Matias estavam trabalhando pela manhã na área da 2ª Companhia (Santo Antônio), quando receberam um chamado do Ciods, informando que um “andarilho” tentava se matar na Segunda Ponte.

Entraram na viatura 2525 e pararam na pista de sentido Vitória/Vila Velha, quase no trevo de descida para Cariacica. De dentro do carro, os militares viram um homem sentado no parapeito da ponte:

“Nem chegamos a descer do carro. De dentro da viatura, comecei a conversar com o cidadão e perguntei o que ele estava fazendo no parapeito da ponte. Pedi e ele desceu. Aí, saímos do carro e começamos a conversar e ele disse que era taxista-defensor. Levamos o cidadão depois para a sede da 2ª Companhia”, informou o sargento Elísio.

Segundo o soldado Matias, o taxista reside em Santo Antônio, tem 49 anos de idade e foi para a Segunda Ponte a pé, depois de, provavelmente, discutir em casa com a família.

O taxista alegou que saiu de casa e nem soube dizer como foi parar na Segunda Ponte. Estava “meio desligado”. Por mais de meia hora, o taxista desabafou com os policiais militares, dizendo que sua vida perdeu o sentido, pois ninguém da família acreditava mais nele:

“Falei para o taxista para ele buscar a Deus. Falei que só ele (taxista) poderia mudar sua vida, mas desde que buscasse, primeiramente, o caminho de Deus”, disse o sargento Elísio, que é membro da Igreja Messiânica Mundial do Brasil.


IMPRENSA CAPIXABA VALORIZA QUEM SALVA CÃO, MAS SE CALA DIANTE DO ATO DE HEROÍSMO DOS MILITARES


Colegas dos dois militares que tomaram conhecimento das duas ocorrências preferem não criticar a imprensa capixaba, mas lamentaram o fato de nenhum jornal, rádio ou TV ter tido interesse em publicar as duas ações.

“Liguei para a redação de A Gazeta ainda no domingo à noite, mas quem me atendeu disse que já estava tudo fechado. Se fosse um policial que tivesse matado alguém, eles colocariam gente para trabalhar a madrugada toda”, manifestou, ao blog, um colega dos dois novos heróis da PM.

“Liguei ainda no domingo para A Tribuna, mas uma pessoa me informou na redação que o jornal não publica suicídio. Respondi que não se travava de suicídio. Tratava-se de um ato heróico e de bravura de dois cidadãos, que são policiais que haviam acabado de salvar a vida de uma jovem de 16 anos. Quem sabe essa jovem não será, no futuro, uma grande heroína de nossa Nação?”, completou outro militar.

“Liguei para o Balanço Geral (TV Vitória) na segunda-feira por mais de meia hora, mas ninguém atendeu os telefonemas”, acrescentou outro militar.


Notas do blogueiro

1) O ideal, para a imprensa, é deixar de publicar notícias de suicídio para não estimular esse tipo de ação por parte de pessoas que estejam descontroladas emocionalmente. Mas a imprensa tem o dever de divulgar atos de bravura e heroísmo de qualquer cidadão. É melhor transformar em heróis policiais que praticam atos de bravura – salvam vidas, resgatam vítimas de seqüestro ou e obrigam bandidos a libertar reféns, dentre outras ações – do que pessoas que agem à margem da lei. O mundo político brasileiro – e o capixaba também – está cheio desses falsos heróis nas páginas dos jornais, com direito até fotos.

2) Aliás, nem o site da Polícia Militar do Espírito Santo ainda publicou as duas ocorrências em questão. Prefere dar espaço para ações que culminam com prisões de suspeitos de crimes e apreensões de drogas e armas;  ou competições esportivas que tenham participação de policiais militares.

3) Detalhe: no final de dezembro do ano passado, os jornais de Vitória e o site da PMES destacaram, em suas capas, a ação também heróica de dois policiais militares da 4ª Companhia do 1º Batalhão (Vitória) que evitaram que um cão fosse morto por seu dono, na Ponte da Passagem. Nos dias seguintes, A Tribuna fez uma campanha para ver quem queria adotar o infeliz cãozinho. Isso que é inversão de valores.
 

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