Inquérito da Polícia Federal revela a suposta ligação de autoridades políticas e policiais com máfia do jogo do bicho e caça níqueis

Uma investigação que começou na Polícia Civil e terminou na Federal acaba de chegar à Justiça Federal. Revela a suposta ligação de autoridades policiais e políticas com os grupos que exploram os jogos de azar no Espírito Santo: bingos, caça níqueis e jogo do bicho. As investigações são referentes aos anos de 2007 a 2010. Significa que, quando assumiu o governo em janeiro deste ano, Renato Casagrande já teria encontrado a "casa arrumada" pelos bicheiros, que agora ele terá que "desarrumar".



As investigações fazem parte do mesmo processo da Operação Safári, que, no dia 20 de outubro deste ano prendeu 16 pessoas – uma em São Paulo e 15 no Espírito Santo – acusadas de integrar uma organização criminosa com atuação na exploração de jogos de azar a partir da utilização de máquinas caça níqueis com componentes de origem estrangeira.

Um dos homens presos é investigador da Polícia Civil capixaba. Ele já foi solto, depois de pagar fiança de R$ 50 mil arbitrada pela Justiça Federal – o salário dele, como investigador, é inferior a R$ 5 mil mensais.

O processo, neste momento, tramita sob segredo de justiça. Por isso, o Blog do Elimar Côrtes teve acesso restrito à parte de seu conteúdo, repassada por fontes ligadas ao Judiciário e às instituições policiais.

O relatório da Polícia Federal, que teve ajuda da Procuradoria Regional da República nas investigações, cita nomes de autoridades policiais e políticas. Também cita nomes de empresários e até de um advogado, que seria o representante do famoso contraventor carioca Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães – que é de Niterói –, no Espírito Santo.

Segundo as mesmas fontes, as investigações mostram como os criminosos “aliciavam” autoridades policiais e políticas e de que forma faziam o pagamento de propina para continuar operando suas atividades ilícitas em terras capixabas. Os detalhes não foram revelados ao Blog por conta do segredo de justiça.

As investigações são resultado também de escutas telefônicas autorizadas pela Justiça. Nos inúmeros volumes do processo, há várias horas de diálogos telefônicos analisados pelos agentes federais, delegados da Polícia Civil e procuradores da República que comprovariam, em tese, a existência de crimes.

As investigações começaram ainda em 2007, com a prisão de quatro policiais militares que controlavam as máquinas de caça níqueis na região da Grande São Pedro, em Vitória.

Esses policiais, que já foram expulsos, contavam com a ajuda de um investigador da Delegacia de Costumes e Diversões, que foi aposentado tão logo suas ações foram descobertas. Essas duas informações já tinham sido amplamente vinculadas na imprensa em 2007.

As investigações, que acabam de chegar à Justiça Federal, foram feitas, inicialmente, pela DP de Costumes e Diversões da Polícia Civil e pelo Núcleo de Repressão a Organizações Criminosas (Nuroc), da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social (Sesp).

Logo, as investigações foram transferidas para a Polícia Federal, que entrou no caso para “identificar a quadrilha que está por trás da importação, distribuição e administração de máquinas de caça níqueis do Estado do Espírito Santo”.

A Polícia Federal entrou no caso porque a Polícia Civil se deparou com crimes federais, como contrabando de materiais importados – peças para máquinas de caça níqueis.

As quadrilhas foram identificadas, assim como seu modo de ação. Foram identificados bicheiros capixabas e cariocas que atuam no Espírito Santo. Há informações de que contraventores do jogo do bicho também atuam com as máquinas de caça níqueis.

Ainda de acordo com as investigações, a segurança dos estabelecimentos onde operam as máquinas de caça níqueis, geralmente é feita por policiais civis e militares. Exemplo disso é o investigador da Polícia Civil que acabou de pagar R$ 50 mil de fiança e foi solto, depois de ter sido preso com mais 15 pessoas, em outubro. Ele era pago para dar consultoria aos grupos criminosos, além de repassar informações privilegiadas sobre operações policiais aos donos de caça níqueis.

No dia 20 de outubro deste ano, a Polícia Federal do Espírito Santo deflagrou a Operação Safari, que teve o objetivo de desarticular uma organização criminosa com atuação na exploração de jogos de azar.

A Operação contou com a participação de cerca de 100 policiais, dentre delegados, peritos, agentes, escrivães e papiloscopistas. Os envolvidos com a quadrilha, segundo a PF informou na ocasião, atuam como verdadeiros empresários do jogo, tanto na operacionalização das casas, quanto no fornecimento de peças e capitalização financeira do grupo, inclusive com a participação de servidor público na atividade de consultoria e segurança.

Os crimes apurados são o de contrabando, formação de quadrilha, corrupção ativa/passiva e lavagem de dinheiro.

Dados preliminares dão conta de que as casas de jogos envolvidas faturam mais de R$ 1 milhão anualmente, utilizados na formação de patrimônio dos principais líderes da organização.

Dezesseis pessoas foram presas e cerca de 70 máquinas caça-níqueis foram recolhidas em quatro casas de jogos na Grande Vitória na Operação Safári. Um dos empresários presos chegou a confessar em depoimento à Polícia Federal que atuava há mais de 16 anos no ramo de jogos de azar e nunca havia sido incomodado pela polícia.

 

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