Justiça manda prender investigador, soldado da PM e servidor público da Prefeitura de Vitória acusados de proteger traficantes de Vitória

Uma operação policial, coordenada pelo Grupo Especial de Trabalho Investigativo (Geti) do Ministério Público Estadual, acaba de prender um policial e um servidor público da Prefeitura Municipal de Vitória. Um terceiro policial (um soldado da PM), que está foragido, são acusados de proteger chefões do tráfico de Vitória. O Geti e a PM cumprem 30 mandados de busca e apreensão e 24 mandados de prisão.


Foram presos o investigador Celso Machado Castelane, o Alemão, e o servidor público em cargo comissionado na PMV Ismael Cirilo Vieira, o Gordinho. Já o soldado da PM Wagner Guimarães Rocha, o Waguinho, foi caçado, mas não foi encontrado. Ele está foragido, mas já mandou avisar que a qualquer momento se entregará à Corregedoria Geral da PM, assim que arrumar um advogado.

A operação está sendo efetuada em conjunto por agentes da Diretoria de Inteligência da PM (Dint), investigadores da Corregedoria  Geral da Polícia Civil e promotores de Justiça do Geti. A operação foi feita nos bairros da Penha, Bonfim e Tabuazeiro, na capital capixaba.

Também foram presas mais cinco pessoas. Entre os detidos está o acusado de tráfico conhecido como Pedro Vieira, o Tonho, do Bairro da Penha.

O Geti também pediu e a Justiça expediu mandados de prisão para outros seis acusados de tráfico que já estão cumprindo pena no sistema prisional capixaba. São bandidos considerados de alta periculosidade que, mesmo de dentro da cadeia, comandam o tráfico de drogas em Vitória, utilizando, para isso, telefones celulares.

Os promotores de Justiça do Geti e a Polícia Militar deflagraram a denominada OPERAÇÃO TÁRSIS, destinada a prender uma organização criminosa que domina o tráfico de drogas no Bairro da Penha e Morro de São Benedito, em Vitória.

Após dois meses de investigação em que os integrantes da Polícia Militar que compõe a estrutura de Inteligência do MPES e que funciona no Geti conseguiram mapear a atuação da quadrilha, são cumpridos 30 mandados de busca e apreensão e 24 mandados de prisão preventiva expedidos pelo Juízo da 4ª Vara Criminal de Vitória, (Privativa de Tóxicos).

Entre os acusados está o PM Waguinho, que teria sido flagrado negociando munição para abastecer traficantes e atuar em prol do grupo criminoso prendendo rivais dos investigados.

Também foi preso o policial civil Celso Castelan, o Alemão, que, segundo o Geti, tinha atuação mais sofisticada. De acordo com o Ministério Público, Castelan auxiliava na lavagem de recursos oriundos da venda de drogas, pois trocava cheques para os traficantes, “logrando com isso auferir elevados lucros com a compra de imóveis na região de Maruípe”.

Também foi preso Ismael Cirilo Vieira, o Gordinho, funcionário da Prefeitura de Vitória. Apesar de nomeado em cargo em comissão, Gordinho, segundo o Geti, atuava no comando do tráfico de drogas. Destacam os promotores de Justiça do Geti que durante todo o tempo em que perduraram as investigações, “Gordinho nunca foi visto trabalhando e agora investiga-se como se dava a fiscalização de sua atuação laboral junto a municipalidade”.

Ainda segundo o Geti, as investigações permitiram ainda identificar que “alguns indivíduos eram contratados por chefes do crime organizado que estão reclusos no sistema penitenciário para promoverem suas imagens junto à comunidade local, seja através da confecção (música) de funk’s ou de vídeos postados na internet onde traficantes do jaez de JOÃOZINHO DA DOZE eram adorados como líderes, inclusive, crianças vestidas com uniformes de escolas públicas tomavam parte nos vídeos idolatrando os criminosos.”

Os promotores de Justiça do Geti asseveram que “graças à colaboração da Polícia Militar nas investigações, seja por intermédio da Assessoria Militar ao MPES ou da Diretoria de Inteligência Penitenciária, foi possível esclarecer que os criminosos não atuavam somente em apologia a crime ou a criminoso, mas recebiam dinheiro do tráfico para propagar a liderança dos chefes da organização criminosa que mesmo estando presos conseguiam controlar a venda de drogas e estabeleciam áreas territoriais de atuação, inclusive, famílias que se suspeitava colaborassem com a Polícia ou que não concordavam com às práticas criminosas eram expulsas de onde viviam sobre ameaças de morte”.

O Ministério Público e à Polícia Militar pedem que a população denuncie outros envolvidos nos esquemas ilícitos, já que há a desconfiança da participação de outros agentes públicos que receberiam propina para facilitar o tráfico de drogas. O MPES não descarta a possibilidade de que novas prisões venham a ocorrer nos próximos dias.
 

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