Novo diretor de Ensino da Polícia Militar desabafa: “Passei quatro anos de humilhação e constrangimento”

“Passei quatro anos de angústia, constrangimento e humilhação. Durante dois anos, fiquei pelo Quartel do Comando Geral (em Maruípe) vagando pelos corredores, sem ter sequer uma cadeira para me sentar”. O desabafo é do novo chefe da Diretoria de Ensino da Polícia Militar do Espírito Santo, coronel João Henrique de Castro Cunha.

O desabafo foi feito depois que ele leu reportagem postada neste blog, relatando o drama que sofreu a partir de dezembro de 2007, quando foi preso por ordem do então comandante geral da PM, coronel Antônio Carlos Coutinho.

João Henrique, a princípio, evitou dar entrevista, alegando que “esse assunto já está encerrado”. Com a insistência do blog, ele acabou concordando em fazer pelo menos um desabafo, já que, quando foi preso em 2007, a PM passou a notícia para a imprensa.

O drama só terminou no dia 27 de setembro de 2011, quando a Vara da Auditoria Militar concluiu, quatro anos depois, que o coronel João Henrique não havia cometido nenhum crime. Coutinho mandou prender o oficial – na época, João Henrique era tenente-coronel -, por suposto crime de desobediência.

“Enquanto a Justiça Militar não analisou o processo e concluiu o julgamento, fiquei subjúdice – situação em que um militar não pode ser promovido por estar respondendo processo na Justiça. Foram quatro anos de total humilhação e constrangimento. Em determinado período, eu não tinha nem cadeira para eu sentar. Ficava vagando pelos corredores do QCG. Não pude assumir comando de nenhuma unidade. Eu sofri, minha família sofreu e meus amigos sofreram”, disse o coronel João Henrique, que, depois de ser absolvido por um processo que julgou um crime que sequer aconteceu – leiam postagem anterior –, João Henrique foi promovido a coronel e, enfim, pôde assumir um cargo na PM: hoje ele é o diretor de Ensino.

Com 49 anos de idade, 27 dedicados à PMES, João Henrique relembra os dias finais de dezembro de 2007, quando passou a ser perseguido pelas ruas da Grande Vitória, por ordem do comandante Coutinho, “como se eu fosse um bando de alta periculosidade”. Até vizinhos de João Henrique foram incomodados pela Polícia Militar:

“Policiais militares do BME (Batalhão de  Missões Especiais ) e agentes do Serviço Reservado (Dint) invadiram residências de dois amigos meus, em Amarelo, onde eu tenho uma propriedade e resido. Eles vasculharam as casas desses meus amigos enquanto estavam me caçando”, recorda João Henrique.

“Como senão bastasse, o coronel Coutinho entrou na rede de rádio da PM determinando a qualquer militar (praça ou oficial) que me encontrasse a me dar voz de prender e me entregar ao QCG. Isso demonstra o despreparo do Coutinho para ser comandante geral da PMES. Um militar ou qualquer outro cidadão só pode dar voz de prisão a um oficial militar estadual de qualquer parte do Brasil em flagrante delito. Ou seja, se o oficial estiver na prática de um crime. Caso contrário, a prisão só pode ser efetuada por um oficial com patente superior”, ensina o coronel João Henrique.
 

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