Eleições acirradas no Ministério Público e possível influência de Paulo Hartung mobilizam promotores e procuradores de Justiça

Nos últimos dias, o Ministério Público capixaba encerrou as inscrições para escolha da lista tríplice ao cargo de chefe da Procuradoria Geral de Justiça. As últimas inscrições – das procuradoras de Justiça Licéa Maria de Carvalho e Catharina Cecin Gazele – nas últimas horas de encerramento do prazo caíram como uma bomba, cujo efeito retardado pode levar ao Ministério Público Estadual estragos sem precedentes, segundo fontes do órgão.


A eleição será no dia 9 de março. Podem votar todos os promotores e procuradores de Justiça da ativa. Depois da eleição, que estabelecerá uma lista tríplice (com os três mais votados), o governador Renato Casagrande (PSB) terá 15 dias para escolher o novo chefe do Ministério Público, conforme determina a legislação. A posse do substituto do procurador-chefe Fernando Zardini está prevista para 2 de maio.

Uma consulta informal a vários promotores de Justiça aponta para a rejeição das duas procuradoras, ao lado dos promotores de Justiça Jeferson Valente e Dilton Depes, inexperientes e pouco conhecidos.

Catharina Gazele aparece como detentora de experiência de uma gestão, mas os seus próprios colegas admitem que sua administração foi muito controvertida e não pretendem repetir a dose.

Licéia Carvalho, até os últimos dias antes do final do prazo, declarou aos colegas que jamais se lançaria na disputa. Corre nos bastidores que Licéia, preferida de alguns desembargadores, foi pressionada a se inscrever, demonstrando que a instituição poderia estar recebendo influência externa.

As reações negativas aos candidatos procuradores de Justiça já se mostraram claras na semana passada quando a imprensa noticiou que Fábio Vello pediu benção ao ex-governador Paulo Hartung (PMDB), com quem se reuniu para anunciar sua candidatura. Fontes contam sua candidatura, até então com boas preferências, é carta fora do baralho.

Além de Fábio Vello, Catharina Gazele vem anunciando, sem segredos e reservas, que é candidata preferencial do ex-governador Paulo Hartung, segundo promotores de Justiça ouvido pelo blog. Os dois se esqueceram que o governador do Espírito Santo se chama Renato Casagrande (PSB).

Nas mesma linha de Fábio Vello, Licéia Carvalho é também considerada a pule da vez do atual procurador geral de Justiça, Fernando Zardini, e uma criação da política hartunguista.

Fontes seguras revelam que Zardini acredita que Paulo Hartung terá mando completo no processo sucessório da instituição, mais uma vez, completando um ciclo de subjugação de 10 anos do Ministério Público. Contam com o eventual desinteresse de Renato Casagrande na questão e trabalham – e muito – nos bastidores tentando pulverizar as candidaturas dos nomes mais fortes: Jean Claude, Zenaldo e Eder Pontes da Silva - todos promotores de Justiça.

A alteração do quadro sucessório parece mais nítida com as reações contra as candidaturas de procuradores de Justiça e colocam na cota de Zardini, além do promotor Dilton Depes Tallon Netto, que teria entrado no cenário de eleição, surpreendendo a todos. Dilton já foi candidato à vaga de desembargador do Tribunal de Justiça e a Conselheiro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e é olhado pela maioria dos colegas como franco atirador e opção de poucos votos.


A PREFERÊNCIA DO ELEITORADO


Os candidatos Jean Claude e Eder Pontes saíram na frente e apresentaram propostas para a gestão do Ministério Público que em breve serão divulgadas no Blog do Elimar Côrtes. Os promotores se ressentem de propostas concretas dos demais candidatos e provocam o debate institucional.

Continuam na cabeça da disputa, como preferidos do eleitorado, Jean Claude, Zenaldo de Souza e, alterando o quadro anterior, Eder Pontes, cuja candidatura se torna mais concreta. Todos os três são experientes promotores de Justiça e devem angariar votos da maioria dos eleitores, até procuradores que não olham com bons olhos as candidaturas de seus colegas de segundo grau.

Na margem de todo o acirrado processo, o promotor de Justiça de Santa Leopoldina, Jeferson Valente Muniz,  é o nome como maior índice de rejeição de procuradores e promotores de Justiça. Os eleitores não querem ver na lista tríplice um candidato que não seguiu a carreira e  continua em primeira entrância, ao contrário dos demais, já no último grau da carreira, na entrância especial.

Não são mencionados os nomes do procurador de Justiça José Cláudio Pimenta  e do promotor Emmanuel Gagno, cujas chances são remotas.


O GOVERNADOR AGORA É CASAGRANDE


Os últimos acontecimentos eleitorais mostram uma preocupação no Palácio Anchieta. Alguns candidatos, principalmente Catharina Gazele, Licéia Carvalho e Fábio Vello, preferem a liderança de Paulo Hartung, colocando em situação delicada toda a instituição e deixando à margem do processo a autoridade do governador Renato Casagrande.

Essa busca de apoio de PH causou instabilidade em todo o quadro sucessório, colocando na ponta da disputa e possíveis integrantes da lista, os três mais experientes e independentes promotores de Justiça: Jean Claude, Zenaldo e Eder.

É quase unanimidade, até mesmo entre os 33 procuradores de Justiça, que os três, principalmente Jean Claude, que atua no controle das polícias Civil, e Eder Pontes, que atua na Corregedoria há 10 anos, são os promotores mais talhados para o cargo e representam uma postura diplomática, cordial e segura para o futuro do Ministério Público. Zenaldo de Souza visto como habilidoso na arte de fazer contatos e tenta costurar a todo custo, apoio político fora do Palácio Anchieta.

Os eleitores aguardam o término do processo e se preocupam com as candidaturas descompromissadas e sem base de apoio, que poderiam causar a dispersão de votos que, até mesmo por puro protesto contra Fernando Zardini e os candidatos procuradores, podem ser desperdiçados.
 

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