Militares grevistas que ocupavam Assembleia Legislativa da Bahia se rendem ao Exército: líderes do movimento já estão presos

A sede da Assembleia Legislativa da Bahia, em Salvador, foi liberado na manhã desta quinta-feira (9/02) pelos policiais militares grevistas que mantinham a ocupação desde 31 de janeiro. Apontado como líder do movimento, o ex-policial militar Marco Prisco e o PM Antônio Angelim já estão presos desde que deixaram o local. A greve pode acabar a qualquer momento.


Os militares rebelados decidiram se render depois que o Jornal Nacional, da Rede Globo, divulgou, na quarta-feira (8), conversas telefônicas gravadas entre os chefes os grevistas na Bahia combinando a realização de ações de vandalismo em Salvador.

O líder da Associação dos Praças da Bahia (Aspra/BA), Marco Prisco, foi flagrado em um dos telefonemas. Tanto ele quanto Angelim estavam na lista dos 12 integrantes do movimento que eram alvo de mandados de prisão. Todos já foram presos pelo Exército e pela Polícia Federal.

O tenente-coronel Márcio Cunha, relações públicas do Exército, informou que os dois presos líderes foram encaminhados para a Polícia do Exército, na capital baiana. Ambos saíram pelos fundos da Assembleia, evitando o contato com a imprensa. A estratégia foi uma exigência de Prisco, que liderava a ocupação. Pelo menos 240 pessoas foram retiradas do prédio.

A denúncia do Ministério Público Estadual informa diz que os militares presos vão responder por roubo qualificado com uso de arma de fogo, disparo de arma de fogo em via pública, ameaça e formação de quadrilha.

A movimentação de rendição começou nesta madrugada, quando cinco manifestantes deixaram o acampamento. As negociações de rendição foram conduzidas pela Secretaria de Segurança Pública (SSP), Polícia Federal (PF) e Exército. Por volta de 1 hora, advogados chegaram ao local para negociar a entrega de Marco Prisco.

Segundo Rogério Andrade, advogado de Prisco, o ex-PM  decidiu se entregar por conta da "inflexibilidade do governo para negociar" e com o objetivo de evitar um conflito armado. Andrade informou que a rendição inviabiliza a continuidade da greve. "Na teoria o movimento acabou, porque o comando é retirado do movimento, que está fragilizado", explica.

A desocupação começou por volta de 6h25, com a saída de mulheres e homens da Assembleia. Os manifestantes passaram por um cordão de isolamento formado por homens do Exército e em seguida passaram por revista feita por policiais federais, onde é verificado se eles têm mandado de prisão em seus nomes.

Os grevistas saíram em pequenos grupos. Entre 250 e 300 policiais e familiares estavam acampados no Parlamento, segundo o site A Tarde.


GRAMPO TELEFÔNICO INCRIMINA LÍDERES DE MOVIMENTO DA BAHIA E DO RIO


O Jornal Nacional teve acesso a gravações feitas com autorização da Justiça de conversas de líderes dos movimentos grevistas da Bahia e do Rio de Janeiro.
No primeiro trecho, Marco Prisco combina uma ação de vandalismo com um de seus liderados. Prisco nega ter participado de atos de violência.

Leia abaixo um dos trechos de conversa:

- Prisco: Alô, oi. Desce toda a tropa pra cá meu amigo. Caesg e você. Desce todo mundo para Salvador, meu irmão... Tou lhe pedindo pelo Amor de Deus, desce todo mundo para cá...
- David Salomão: Agora?
- Prisco: Agora, agora. Embarque...
- David Salomão: Eu vou queimar viatura... Eu vou queimar duas carretas agora na Rio/Bahia que não vai dar tempo...
- Prisco: fecha a BR aí meu irmão. Fecha a BR.

Em outra gravação, quem aparece falando é o cabo bombeiro do Rio de Janeiro, Benevuto Daciolo, que já está presos. Ele já foi candidato a deputado estadual no Rio e foi um dos líderes do movimento grevista da corporação no ano passado.

Daciolo conversa com um homem a quem ele classifica de "importantíssimo" a respeito de uma possível votação da PEC 300, a emenda constitucional que garantiria um piso salarial único para bombeiros e policiais de todo o Brasil. Nesta conversa fica claro que o objetivo é estender a greve de policiais e bombeiros a Rio de Janeiro, São Paulo e outros estados com o objetivo de prejudicar o carnaval.

Dacilolo: Pergunto ao senhor que é pessoa importantíssima a respeito da nossa PEC...pergunto: qual é a verdadeira possibilidade de nós conseguirmos passarmos em segundo turno na semana que vem? Não sei se o senhor sabe. Eu estou com uma assembleia Geral amanhã no Rio de Janeiro, com a abertura de uma greve geral no Rio também, com probabilidade de não ter carnaval nem na Bahia nem no Rio esse ano. E São Paulo acho que está para dar uma resposta agora e os outros estados também. Nós acreditamos que, se tivesse uma resposta do governo, assinalando numa possibilidade de votação no segundo turno da PEC, acalmaria muito, muito o que está acontecendo na Federação.

Em outro trecho, o cabo Daciolo, que estava em Salvador, ouve de uma mulher uma recomendação para que tente influenciar o movimento dos grevistas baianos a não fechar um acordo com o governo. Segundo esta mulher, isto enfraqueceria uma possível greve no Rio.

Mulher: Daciolo, Daciolo, presta atenção. Está errado fechar a negociação antes da greve do Rio...
Daciolo: Tudo bem, tudo bem... sabe o que vou fazer agora??? Ligue para ele que eu vou embora daqui, não vou ficar mais aqui.
Mulher: Eles não querendo que você avalize um acordo antes da greve do Rio. Depois da greve do Rio, muda tudo. Sabe como você vai ajudar eles? Voltando para o Rio, garantindo aqui. O governo vai fazer uma propostinha rebaixada para vocês, vai melhorar um pouquinho esse negócio que eles colocaram. E acho...se vocês garantirem a greve aqui, a mobilização aqui, vocês vão ajudar eles a liberar o Prisco, a ter uma negociação...
 

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