Quem ganha e quem perde com a greve de policiais militares

A greve de policiais militares da Bahia é mais uma demonstração de descaso do governo federal com a segurança pública em todo o Brasil. Políticos que hoje estão no poder vinham apoiando desde 2008 a chamada PEC 300 (Proposta de Emenda Constitucional), que prevê isonomia salarial para policiais militares, bombeiros militares e policiais civis de todo o País.


Os militares estaduais brasileiros acreditaram na “boa fé” da classe política, que já chegou a aprovar a PEC 300 no Senado e em primeiro turno na Câmara Federal. Hoje, entretanto, a PEC está parada porque nem os políticos do PT, nem do PSDB e nem tampouco do PMDB e do PSB – os que mandam na maioria dos estados – querem aprovar a proposta. Antes, os manda-chuvas desses partidos tiravam até fotos com a camisa da PEC 300. Hoje, viram as costas para o projeto.

Ao virarem as costas para a PEC 300, todavia, os políticos acabaram proporcionando revoltas de militares pelo Brasil afora. Policiais militares de estados como o Ceará, Maranhão, Rondônia e agora a Bahia já cruzaram os braços nos últimos meses. Outros estados, como Rio de Janeiro e Espírito Santo, fazem a mesma ameaça.

A história se repete nos estados onde os PMs promovem paralisação. Eles iniciam negociação por melhores salariais com os governadores, mas não têm seus pleitos – que são sempre justos – atendidos. Se unem, fazem assembleia geral e decidem pela paralisação.

Em seguida, o governador do Estado onde a PM está parada entra na Justiça e um juiz de plantão decreta ilegalidade da greve, como se fosse preciso – porque a Constituição Federal já proíbe greve para militares estaduais e militares das Forças Armadas.

Os governadores pedem ajuda do Exército e da Força Nacional de Segurança, ao mesmo tempo em que declaram que vão punir com rigor todos os militares “grevistas”.

Desta vez, no caso da Bahia, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que já fez o pedido de reserva de vagas em presídios de segurança máxima para encaminhar os policiais militares que tenham cometido algum tipo de crime durante a mobilização grevista que já dura cinco dias na Bahia.

Quando chega o fim da greve, porém, deputados estaduais e  federais, senadores e outros políticos entram com seu time em campo e começam a pressionar o governador para anistiar os militares grevistas. O governador reluta, mas depois de muita “pressão” encaminha projeto para a Assembleia Legislativa e anistia os grevistas, mesmo quem cometeu badernas e atos de terrorismo, como vêm ocorrendo agora na Bahia.

Enquanto isso, a população perde e fica aterrorizada e insegura com as ações irresponsáveis de alguns grevistas. O que se viu nos últimos dias na Bahia é de dar inveja aos bandidos comuns: vimos, pela TV, pseudos policiais militares escondendo seu rosto com camisa e dando tiros para o alto.

Em outros casos, vimos pseudos policiais militares parando viaturas e furando pneus; em outras ações, se viu um grupo fechando ruas e anunciando arrastões por bairros de Salvador e em demais cidades baianas. E mais: nas últimas 30 horas, a Bahia registrou mais de 30 assassinatos.

Em tempo: a reivindicação dos policiais militares é justa; injustas e criminosas são as ações que eles vêm praticando contra a Corporação e a população baianas.

O governo federal, da dona Dilma Rousseft (PT), enquanto isso continua virando as costas para a segurança pública com cortes de verbas, principalmente, e sem uma política mais consistente de combate à criminalidade.

Sobra, então, mais uma vez para os governadores e para a população.
 

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