Chefão do jogo do bicho no Espírito Santo é condenado a mais de 48 anos de cadeia

Apontado como um dos chefões do jogo do bicho no Espírito Santo, o carioca Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, foi condenado a mais de 48 anos de prisão pela Justiça Federal do Rio de Janeiro. Capitão Guimarães responde também a processos no Espírito Santo. No link http://elimarcortes.blogspot.com/2011/11/inquerito-da-policia-federal-revela.html, postado em novembro de 2011, o Blog do Elimar Côrtes revela como anda o processo que tramita no Estado contra Capitão Guimarães e como funciona seu esquema em terras capixabas.


Ele foi condenado juntamente com outros homens fortes do jogo do bicho e da contravenção do Rio, que integram, segundo a Justiça, uma organização criminosa conhecida como Clube Barão de Drummond — uma espécie tribunal do crime, responsável por julgar quem explora o jogo ilegal em vários territórios da quadrilha.

Os demais condenados são os contraventores Aniz Abrahão David, o Anísio, patrono da Beija-Flor; e Antônio Petrus Kalil, o Turcão, que, assim como Capitão Guimarães, foram presos na terça-feira (13/03), depois de serem condenados a penas que, somadas, ultrapassam 144 anos de reclusão. Cada um recebeu uma pena de 48 anos, oito meses e 15 dias de prisão.

A punição se estendeu ainda ao bolso: eles foram condenados a pagar, juntos, R$ 33 milhões em multas.A decisão foi tomada pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Criminal Federal, 19 anos depois de outra juíza, Denise Frossard, ficar conhecida nacionalmente por condenar e mandar prender 14 contraventores, integrantes da cúpula do bicho, em 1993 — incluindo Anísio, Guimarães e Turcão.

Na decisão de agora, a juíza Ana Paula condenou 23 integrantes da máfia do jogo e determinou a prisão de dez pessoas. Além de Guimarães, Anísio e Turcão, foram presos Júlio César Guimarães Sobreira, Jaime Garcia Dias, Marcos Antônio dos Santos Bretas, Nagib Teixeira Suaid e João Oliveira de Farias. Dois mandados ainda não foram cumpridos: o de José Renato Granado Ferreira, que está viajando com autorização judicial, e o de Marcelo Calil Petrus, filho de Turcão, que ainda não foi localizado e é considerado foragido pela Polícia Federal.

A decisão da Justiça Federal é consequência da Operação Hurricane, desencadeada pela Polícia Federal no dia 13 de abril de 2007 e realizada em três etapas, depois de uma investigação que durou um ano e três meses. Entre escutas telefônicas e ambientais, foram registradas cerca de 40 mil horas de diálogos.

A Hurricane também atingiu o Judiciário, com o envolvimento do então ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina; de seu irmão, o advogado Virgílio Medina; do então desembargador da 2ª Região do Tribunal Regional Federal José Eduardo Carreira Alvim; do então juiz do Tribunal Regional do Trabalho de Campinas Ernesto Luz Pinto Dória; e do então procurador regional da República João Sérgio Leal Pereira.

Os cinco foram acusados de venda de sentenças para permitir o funcionamento de jogos ilegais e ainda respondem a processo no Supremo Tribunal Federal (STF).

Paulo Medina responde a processo por corrupção passiva e prevaricação; Virgílio, por corrupção passiva; Carreira Alvim, por corrupção e formação de quadrilha, crime de que também são acusados Dória e Pereira.

A investigação começou em 2008, depois de os ministros do Supremo entenderem que havia indícios suficientes para aceitar a denúncia do Ministério Público Federal. Durante a investigação, a PF identificou que os membros do Judiciário receberiam propinas de até de R$ 1 milhão para dar sentenças favoráveis à quadrilha.

O advogado Nélio Machado, que defende Capitão Guimarães, de 70 anos, disse que já entrou com um pedido de habeas corpus no Tribunal Regional Federal em favor de seu cliente, preso ontem de manhã. O bicheiro foi condenado por formação de quadrilha e corrupção.

Machado também entrou com uma reclamação no Supremo Tribunal Federal contra a juíza Ana Paula. O advogado alega que o STF decidiu, em 2007, que todos os réus do processo aberto com base na Operação Hurricane deveriam responder em liberdade.

Em sua fundamentação para a ordem de prisão dos condenados, a juíza Ana Paula escreveu que os bicheiros Anísio, Capitão Guimarães e Turcão são os chefes da quadrilha de contraventores, “autores mediatos dos crimes, cometidos pela quadrilha”, que “comandam um verdadeiro aparelho organizado de poder, que se caracteriza, como se viu, pelo emprego da violência e da corrupção”.

Na condenação, a juíza atribui ao bando crimes como formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, corrupção, contrabando e homicídios. No seu despacho, a magistrada afirma que a ordem de prisão é essencial para impedir que tais crimes continuem ocorrendo.

Na mesma decisão, a juíza ressalva que os acusados “transmitem a exploração do jogo nestes territórios através de contratos de compra e venda ou, em caso de morte, de testamentos”.

E acrescenta: “Por fim, (a quadrilha) insere o dinheiro ilícito da exploração do jogo na economia formal através de inúmeras empresas, que vão de restaurantes e hotéis a transportadoras e clínicas médicas, instaurando concorrência verdadeiramente desleal com os demais empresários”.

(Com informações também do jornal O Globo)

 

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