Governador pede o fim da "acomodação" das polícias e apela para que Estado melhore o combate à impunidade para reduzir a violência

O governador Renato Casagrande reconheceu nesta terça-feira (06/03), durante cerimônia de formatura dos novos 312 investigadores da Polícia Civil, que a polícia capixaba precisa melhorar o combate a  impunidade para que os resultados de combate à criminalidade passem a ser positivos. Casagrande também atacou o que chamou de “acomodação” de alguns setores da área de segurança pública diante aos altos índices de violência no Espírito Santo:


“Não posso aceitar que oficiais da Polícia Militar e delegados e investigadores da Polícia Civil, por exemplo, fiquem acomodados vendo os homicídios e outros tipos de crimes aumentarem. Todos precisam se mobilizar. A acomodação não resolve o problema da violência. Fazer o feijão com arroz todos os dias é bom, mas é preciso resolver o problema com outras alternativas. A vida dá oportunidades a quem não se acomoda”, disse o governador.

Renato Casagrande pediu aos novos investigadores que assumam um pacto com o Estado do Espírito Santo para reduzir a impunidade, com investigações eficientes que possam ajudar a Justiça a condenar acusados de crimes. Pela primeira vez, Casagrande dá ênfase ao termo "combater a impunidade":

“O Estado só conseguirá reduzir a violência se reduzir a impunidade. Por isso, o trabalho de investigação dentro da estrutura policial é fundamental”, ensinou Casagrande.

“Quando uma pessoa sabe que a impunidade está sendo combatida, ela pensa duas vezes antes de cometer um assassinato. Quando vê que os assassinatos são investigados e seus autores punidos, o cidadão evita se tornar um homicida”, disse o governador.

A cerimônia de formatura – ocorrida no salão nobre do Clube Álvares Cabral – foi bastante concorrida e contou com a presença de lideranças sindicais, de coronéis da PM – como seu comandante geral, Ronalt Willian – e deputados estaduais, como Josias Da Vitória, Marcelo Santos, Luiz Durão, Luzia Toledo e Gilsinho Lopes.

O primeiro orador foi o diretor da Academia de Polícia Civil, delegado Helly Schmittel, que parabenizou os formandos e garantiu que todos os 312 investigadores estão aptos para exercer a profissão.

Coube a Alessandro da Vitória, um dos líderes do movimento que brigou por 18 anos pela nomeação dos investigadores, falar em nome do grupo.

“Alguns não acreditavam mais nessa conquista, que foi conseguida graças ao governador Renato Casagrande. Deus estava conosco, porque escolheu um governador de palavras para dirigir o Estado. Quando ainda era senador, Renato Casagrande prometeu resolver o problema da falta de nomeação dos investigadores, levando em consideração sempre a lei. E ele cumpriu a palavra. O senhor, governador, pode acreditar que aqui tem um pequeno Exército capaz de lutar para que o Estado resolva os problemas da violência”, prometeu Alessandro.


JOEL LYRIO REPETE JUIZ E GARANTE: “A VIOLÊNCIA NÃO VAI NOS INTIMIDAR”

Em sua fala, o chefe de Polícia Civil, delegado Joel Lyrio, assegurou que a instituição tem compromisso com o resultado, que são as investigações. Ele destacou os investimentos que o governo realiza na segurança pública e ainda alfinetou quem torce contra a atual administração:

“Não podemos deixar que os críticos de plantão atrapalhem o trabalho da segurança pública”, afirmou o chefe de Polícia.

Joel Lyrio lembrou uma frase que marcou os últimos dias de vida do juiz Alexandre Martins de Castro Filho, que, um mês antes de ser assassinado – em março de 2003, em Itapoã, Vila Velha –, declarou em entrevista a A Tribuna que “nada vai nos intimidar”, numa referência ao crime organizado que ele tanto combatia no Espírito Santo:

“Lembrando o doutor Alexandre Martins, não vamos nos deixar intimidar pela violência; não vamos nos intimidar por aquelas pessoas que querem destruir a paz social. Repetindo o que nos ensina a policióloga Jaqueline Muniz, a polícia no Brasil precisa ser profissionalizada. É isso (profissionalização) que o governo atual está fazendo em nosso Estado”, assegurou Joel Lyrio, que, em seguida, encerrou seu discurso com um aviso aos novos investigadores:

“Vocês têm que ter em mente o seguinte: nosso maior cliente não é o Ministério Público e nem o Judiciário; nosso maior cliente é a população capixaba”.

Josias Da Vitória falou em nome dos deputados. Lembrou ter participado desse concurso, em 1996, foi aprovado e chegou a fazer Academia de Polícia. Ele lembrou ao governador Renato Casagrande que ainda restam ser nomeados 108 investigadores, cujas vagas já foram criadas pelo atual governo.

“Ouvi muitos comentários de que essa turma de novos investigadores seria formada por pessoas de uma idade avançada. Não dêem ouvido a isso. Vocês, com seu vigor, determinação, capacidade e profissionalismo vão oxigenar a Polícia Civil. Vocês vão mostrar que a juventude não está na idade; está, sim, na disposição de trabalhar e ajudar a sociedade”, disse o deputado Da Vitória.


HERKENHOFF LEMBRA QUE SERVIÇO PÚBLICO NÃO É LUGAR PARA FICAR RICO


O secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Henrique Herkenhoff, mostrou aos formandos que “hoje é um dia muito importante para o Espírito Santo, porque recebeu novos 312 investigadores; muito importante para vocês, porque realizam um sonho; e muito importante para mim, que recebo 312 novos amigos que vão me ajudar na árdua tarefa de melhorar a segurança pública”.

O secretário, no entanto, fez questão de lembrar aos novos investigadores que eles devem abdicar do sonho de ficarem ricos com a profissão que escolheram:

“Tive um professor na Faculdade de Direito – o desembargador Álvaro Bourguignon – que nos dizia que serviço público não é lugar para ficar rico. Muita gente pensou diferente e hoje está na cadeia”, disse Herkenhoff, que emendou:

“O serviço público é um lugar onde podemos ser muito úteis para a população. Na polícia, vocês serão o braço da sociedade e da Justiça. Se uma pessoa ganha muito dinheiro e gasta com remédio,ela é rica?”, questionou o secretário,que começou:

“O que nos torna ricos são as coisas de que podemos abrir mão. O valor da riqueza de uma pessoa não é o que ela tem, mas as coisas que ela abre mão”.


"QUAL A RAZÃO DE TANTA VIOLÊNCIA NO ESPÍRITO SANTO?", QUESTIONA CASAGRANDE


Em sua mensagem, o governador Renato Casagrande lembrou que o imbrólio do concurso que se encerra agora começou quando ele foi vice-governador. “Eu sempre falei que, havendo um caminho legal, iria resolver o problema”.

Casagrande elogiou a dedicação com que os novos investigadores lutaram para começar a trabalhar, mas cobrou: “Amanhã, quando vocês começarem a trabalhar, espero que dêem uma bela contribuição a este Estado. Espero que tenham a mesma determinação na luta para reduzir a criminalidade. Conclamo vocês a fazer um pacto com o Estado do Espírito Santo; apresento o desafio a vocês no sentido de nos ajudar a reduzir a violência”.

O governador disse que não custa repetir “que temos um índice de criminalidade insustentável. Um homicídio é o maior prejuízo que uma família pode sofrer. Perder a vida por violência está fora da lógica humana”.

Renato Casagrande questionou ainda as autoridades, que estão sempre informando que o tráfico de drogas é responsável por pelo menos 80% dos assassinatos no Espírito Santo:

“O Espírito Santo é um estado moderno, mas a média em número de homicídios aqui é o dobro em relação a outros estados. A culpa sempre é o tráfico de drogas, mas tráfico também existe em grande número em outros estados. Qual, então, a razão de tanta violência no Espírito Santo?”.

Casagrande criticou também a acomodação das autoridades capixabas diante dos números da violência:


“A Polícia Militar tem 177 anos de existência. A Polícia Civil já está bem estruturada. Não posso aceitar que oficiais da Polícia Militar e delegados e investigadores da Polícia Civil, por exemplo, fiquem acomodados vendo os homicídios e outros tipos de crimes aumentarem. Todos precisam se mobilizar. A acomodação não resolve o problema da violência. Fazer o feijão com arroz todos os dias é bom, mas é preciso resolver o problema com outras alternativas. A vida dá oportunidades a quem não se acomoda”.

O governador voltou a defender a integração das polícias Militar e Civil e chamou de “bobagem” o que integrantes das duas instituições cometem para evitar a união:

“Parem com bobagem; vocês devem parar com qualquer disputa; precisamos da integração entre as duas polícias. Integração não precisa ser somente de delegados com coronéis; pode e deve ser de investigadores com outros oficiais ou sargentos ou soldados. A integração na Grande Vitória e nos demais municípios é fundamental para obtermos resultados positivos”, disse Casagrande.

Por fim, o governador Renato Casagrande convidou os novos investigadores a acompanharem, na noite desta terça-feira, o lançamento do projeto Esporte Pela Paz, em Nova Almeida, na Serra. O projeto faz parte do Programa Estado Presente, que tem o objetivo de ajudar na redução da violência com projetos sociais:

“Se o Estado não levar condições para os jovens vulneráveis, os criminosos, que são lideranças em suas comunidades, capturam esses jovens”, disse Casagrande.

O secretário Henrique Kerkenhoff garantiu, após a solenidade, que Casagrande não está mudando o foco da segurança pública ao falar de combate à impunidade. "Combatendo a impunidade, o Estado tem condições de reduzir a criminalidade. Não basta só policiamento nas ruas; temos que também elucidar os crimes, que, com o reforço dos novos investigadores e os novos delegados que vêm por aí, será muito mais possível", assegurou o secretário.
 

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