Policiais militares usam a internet para comemorar morte de menino de 14 anos e instigar colegas a “derrubar mais um monte”

A Constituição Federal, promulgada em 1988, garante a todos os brasileiros a liberdade de expressão. Nas casernas, entretanto, policiais militares têm que medir as palavras para não serem punidos. Para corrigir essa distorção, ao final de seu governo o presidente Lula sancionou uma portaria que, dentre outras conquistas, garante aos profissionais da segurança pública o exercício do direito de opinião e a liberdade de expressão, especialmente por meio da internet, blogs, sites e fóruns de discussão.


Entretanto, a morte do menino Andriew Henrique Barroso Santos, o Dudu, 14 anos,  mostra que, no Espírito Santo, um grupo de policiais militares está abusando da liberdade de expressão concedida pela Presidência da República.

Em página criada no Facebook, com o título de Rotam, eles estão elogiando a ação dos policiais militares que mataram o menino, numa suposta troca de tiros – a família e moradores de Jardim Tropical, na Serra, onde Dudu foi morto, garantem que o menino foi executado pelos policiais.

De acordo com os jornais A Gazeta e Notícia Agora desta quinta-feira (01/03), a morte de Dudu foi comemorada por vários policiais militares no perfil da  Ronda Ostensiva Tática Motorizada (Rotam) no Facebook, página de relacionamentos da internet.
Ainda segundo os dois jornais, os protestos realizados pelos moradores do bairro, revoltados com a morte do menino, também foram alvo de críticas no site de relacionamentos. Já a ação da PM, que usou balas de borracha para tentar conter a população, foi aprovada em vários comentários.

Um dos comentários diz o seguinte: “Menos um FDP. Esse não vai dar mais trabalho. Vai pro inferno, capeta”, diz um comentário de um jovem que se identifica como militar.

Logo depois, outro militar diz: “Parabéns a gloriosa PM. E vamos derrubar mais um monte! Podem tentar a sorte contra nós que o azar já é certo!”.

Em outra mensagem, o texto diz: “Eles nunca vão saber que é honrar a farda, o prazer que é ver o bandido no cofre. Parabéns por mais uma ação padrão. Menos um para dar trabalho”.

Muitos comentários, segundo A Gazeta e o Notícia Agora, aparecem acompanhados pela sigla PNCL. Gíria entre os militares, a sigla seria a abreviação de “p... no c... do ladrão”.

Sempre que podem, as Polícias Militar e Civil prendem pessoas que cantam ou escrevem músicas fazendo menção a ataques a policiais ou viaturas. São presas e processadas por fazerem apologia ao crime. Há letras de funk, principalmente, em que os criminosos descrevem ação em que policiais são mortos. Quando pegos, esses bandidos vão parar merecidamente na cadeia.

Quando policiais militares utilizam redes sociais, como Facebook, para parabenizar colegas que matam outras pessoas – não importam se bandidos ou não – ou que sugerem que a matança deve continuar, eles estão se igualando a bandidos comuns e praticando o mesmo delito: apologia ao crime.

Com certeza, o comandante geral da PM, coronel Ronalt Willian, saberá coibir esse tipo de indisciplina e crime com o rigor que a lei exige. Da mesma forma que o comandante Willian e seus oficiais deram “a cara a tapa”, vindo a público para explicar como foi a ação policial que culminou na morte do menino de 14 anos, virão agora para mostrar que não aceitam que seus subordinados desobedeçam a lei e fazem apologia à matança.
 

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