Soldado faz desabafo, cobra da sociedade reação quando bandidos matam inocentes e garante que a polícia não é culpada pela violência

Nesta quinta-feira (15/03), o Blog do Elimar Côrtes recebeu uma carta, via email, de um soldado da Polícia Militar do Espírito Santo. Para evitar possíveis represálias o policial não está sendo identificado. No email, ele se identificou normalmente. Muito interessante o desabafo do militar. Veja abaixo: “Li a sua ultima matéria hoje cedo que diz o seguinte: ‘Polícia precisa ir toda para a rua para acabar com onda de latrocínio na Grande Vitória’


Concordo plenamente, não pelo fato de ser uma opinião pessoal, mas pelo fato de haver uma previsão constitucional.

No seu texto você cita diversas dificuldades, tais como falta de efetivo, atraso de concursos no governo anterior, falta de efetivo da PC (Polícia Civil), mas a verdade deve ser dita e a verdade é que o problema não é falta de efetivo nas polícias e sim a falta de um Estado ‘Brasileiro Ordeiro’, se ocorreram três vítimas de latrocínio no Espírito Santo.

Desculpe-me a franqueza, mas isso ocorreu é porque todos os infratores ja não sentem a sensação de impunidade, mas a certeza da impunidade. E o pior que a sociedade quer isso, senão vejamos meu caro jornalista:

Quando o menor de 14 anos, aquela ‘singela e inocente criança’,foi morto pela PM em Jardim Tropical – e não vou aqui entrar no mérito de como foi o desfecho da ocorrência, mas tudo indica que a ‘singela criança’ pegou um carro ‘emprestado’, acredito eu que deve ter sido para brincar com os amiguinhos de escola e quando também ‘brincava de troca de tiros’ com a PM acabou vindo a falecer – toda sociedade protestou.

Nesse momento toda a sociedade de Jardim Tropical se mobilizou com manifestações, vindo inclusive ter necessidade da intervenção do BME (Batalhão de Missões Especiais).

E agora meu caro, te faço uma pergunta: me diz quando a sociedade capixaba fez alguma manifestação não somente pelas três últimas vítimas de latrocínio, mas também pelas incontáveis centenas de vidas inocentes perdidas nas mãos desses delinquentes que matam, estupram, violentam, assaltam, furtam e que, muitas vezes protegidos até mesmo por grupos e sociedades civis que se intitulam protetores dos ‘Direitos dos Manos’.

Aliás gostaria muito de ver esse pessoal se mobilizar nos corredores de hospitais, onde dezenas de pessoas ficam pelos corredores, nas filas da madrugada em escolas para conseguir vaga para uma criança estudar...

Me diz: quando a sociedade capixaba fez alguma manifestação pela pouca vergonha que é a mudança da possibilidade do indivíduo que pratica ilícitos pagar fiança que está em vigor desde a data de 5 de julho do ano anterior, lei 12.403/2011?

O instituto da fiança, por exemplo, é alargado, pois na antiga lei o delegado de Polícia só podia arbitrar fiança nos crimes apenados com detenção. Agora, ele poderá fazê-lo também nos crimes apenados com reclusão, desde que a pena máxima não seja superior a quatro anos, os crimes afiançáveis pelo delegado de polícia e os crimes de competência do Juizado Especial Criminal em que o autor do crime é liberado sem pagamento de fiança, bastando assinar o Termo de Compromisso de Comparecimento ao Juizado Especial.

Isso é cômico. Se você tiver dinheiro paga e fica solto e se não tiver vai ficar solto do mesmo jeito. ‘PQP’, desculpe-me o palavrão, mas tem idiota que ainda acha que o crime não compensa, como diz um nobre delegado da PC do Rio: "O crime compensa e como compensa" que saiu da polícia por frustração ante a estrutura do Estado.

E veja meu caro Elimar Côrtes como a sociedade é hipócrita. Os  crimes de reclusão devem ser cumpridos em regime fechado, ou seja, geralmente isso ocorre para os crimes de maior gravidade e hoje as ‘pobres criancinhas injustiçadas’ podem chamar seus ‘papais’ para pagar a fiança e chamar os ‘amiguinhos’ e fazer outra ‘brincadeirinha’ de Robin Hood, só que nesse caso os produtos da famosa brincadeirinha não vão para os pobres. Mas tudo isso é perfeitamente entendível, se eu não tenho presos, não preciso construir presídios.

Me diz, caro Elimar Côrtes: quando a sociedade capixaba fez alguma manifestação contrária à visita íntima do preso? Acredito que nesse Brasil afora o preso mantém relações sexuais com mulheres de alto nível, que até o ator pornográfico Rocco sentiria inveja, mas tudo bem!!! Fez a carteirinha pressupõe ser esposa, mas nos países ditatoriais, a exemplo dos EUA, isso não existe, mas como disse anteriormente esse país não democrático como o Brasil e sim, ditatorial.

Me diz: quando a sociedade capixaba fez alguma manifestação de repúdio ao auxílio reclusão?Meu nobre, veja como o assunto de segurança pública é tratado: o cara assalta, mata e faz todas as desgraças possíveis e a família do preso recebe uma bolsa reclusão e que sempre é corrigido.

Meu nobre, é churrasco o ano todo, como eu disse: ‘o crime compensa’ meu nobre jornalista.

Nossa, como tudo isso é lindo, a família da vítima sequer recebe uma visita de conforto do dito Estado Democrático de Direito, diga-se de passagem que a família continua sofrendo mesmo após o fato, pois o cidadão se depara com o descaso estatal quanto a solução dada ao problema e, geralmente, o infrator fica em liberdade e outro sofrimento é o desamparo a família, ou seja, a família do infrator recebe uma bolsa-reclusão...

Caro Elimar Côrtes, poderia passar a manhã toda questionando porque a sociedade que se diz desassistida por falta de policiamento não se manifesta sobre as diversas ridicularidades que assolam o País, tais como: corrupção, leis penais brandas que não surtem efeitos desejados, escândalos na política, obras superfaturadas.

Mas tudo bem, vamos voltar a questão de polícia.

O problema não é número de polícias nas ruas, mas sim de que questão de política criminal.

O Estado não pode colocar o presidiário para capinar ruas, abrir valas, quebrar pedras, pois isso é entendido como tratamento cruel e desumano, mas o trabalhador normal tem que fazê-lo, pois não terá como sustentar sua família. Mas é engraçado nos EUA e outros países de 1º mundo o preso trabalha acorrentado, eu acredito que deve ser pelo fato desses mesmos países serem ditatoriais com viés ao nazismo e fascismo.

O Estado não pode adotar prisão perpétua, pois não seríamos um Estado Democrático de Direito, pois no nosso Estado Democrático de Direito em hipótese nenhuma podemos admitir corrupto preso por toda a sua vida linda.

O Estado não pode adotar pena de morte, brincadeirinha esta bastante adotada nos Estados Democráticos de 1º Mundo, e diga-se de passagem que os EUA é o Estado Democrático por excelência, mas que aqui não pode, pois estamos voltando a ditadura militar, ou seja, O Estado atual diz o seguinte: "meu filhinho se você matou tudo bem, mas sua integridade física é intocável" e a desculpa é que a Constituição Federal de 88 não permite, pois é clausula pétrea, tudo bem, mas o que impede surgir uma nova constituição e consequentemente um novo Estado para moralizar esse País podre.

Assim sendo, meu caro ELIMAR CôRTES não posso aceitar de guela abaixo  de que o problema da criminalidade é da PM ou outras Polícias, como se nós fôssemos os responsáveis pela onda de crime que assola o país e o nosso Estado, pois a polícia não fabrica ou incentiva a fabricação de bandidos. Diga-se de passagem que quem fabrica bandido é a desídia da sociedade que se acomoda e somente grita quando o calo é pisado.

No meu modo de entender o que tem que ser feito é dar estrutura para as famílias, escolas, descentes, pagamentos aos professores da rede pública dignamente, aliás não somente aos professores mas todos os trabalhadores da rede pública e privada, pois não temos consciência do dinheiro público que é despejado nos cofres particulares dos milhares de corruptos no Brasil e assim caminharemos para uma sociedade mais tranquila e principalmente aplicação dos recursos do Estado de uma forma uniforme e honesta.

Tenho fé que ainda atingiremos um estágio de um país desenvolvido, pois o principal é termos uma boa educação nos primeiro anos de vidas que a probabilidade de cometermos erros será diminuto...e não precisarei mais ler discursos vazios, tendenciosos e hipócritas dizendo que o problema da criminalidade é a falta de polícias nas ruas, pois polícia já tem em número suficiente, o que não existe é uma política dura em relação ao infrator, o problema da criminalidade é a falta de vergonha na cara das pessoas que não têm consciência no período de eleições e votam em pessoas desonestas e descompromissadas com a construção de um Estado justo, isso quando não vendem seus votos por cesta básica ou promessa de emprego comissionado nos Órgãos Públicos”.
 

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