A quem interessa a saída de Henrique Herkenhoff da Secretaria da Segurança Pública?

No final dos anos 90 e início de 2000, o hoje secretário de Estado da Segurança Pública e Defesa Social, Henrique Herkenhoff, atuava no Espírito Santo como procurador regional da República. Integrou a equipe do procurador Ronaldo Meira Albo. Posteriormente, assumiu o comando da Procuradoria Regional da República no Estado, mantendo sempre os ideais de combater, com rigor, o crime organizado.

Esteve sempre ao lado dos juízes Alexandre Martins de Castro Filho, Carlos Eduardo Lemos Ribeiro, Marcelo Loureiro e outros que atuavam na recém criada Vara de Central de Inquéritos. Henrique Herkenhoff dava suporte aos agentes e delegados da Polícia Federal, que vieram para o Estado, numa Missão Especial, para aumentar a repressão ao crime organizado.

A ‘Missão’ ficou por aqui até o final do governo José Ignácio Ferreira. Infelizmente, foi embora com a posse de Paulo Hartung, porque, como escreveu a jornalista Andréia Lopes em sua coluna dominical de A Gazeta, “é preciso levar em conta que desde 2003 os que se intitulam como representantes do novo Espírito Santo tiveram a chance de tentar resolver o problema" da criminalidade no Estado.

Desguarnecido com a saída da Missão Especial, o Estado voltou a ficar à mercê do crime organizado. Tanto que, três meses após a posse de Hartung, o juiz Alexandre Martins de Castro Filho foi assassinado a tiros, em Vila Velha. E, de acordo com a versão oficial, o magistrado foi vítima do crime organizado.

Nesse período, tive um contato telefônico, para uma entrevista, com o já subprocurador geral da República Ronaldo Albo, que, promovido, foi transferido para Brasília.

Num certo momento – o diálogo ocorreu um mês antes da morte do juiz Alexandre Martins –, Ronaldo Albo me respondeu: “Na política do Espírito Santo não há mais sangue puro”. A frase, meio emblemática para aquele momento do Espírito Santo, só começou a fazer efeito em minha cabeça anos depois.

Por aqui, o cachoeirense Henrique Herkenhoff continuou atuando e incomodando, até que acabou sendo promovido e se tornou desembargador federal, indo atuar em São Paulo.

Herkenhoff volta ao Estado, agora para outra missão, que é a de combater a impunidade e a criminalidade do dia a dia. Mas há quem não o engole como o secretário da Segurança Pública.

Alguns motivos são simples de compreender: ao assumir a Pasta, Herkenhoff deu carta branca às Corregedorias da Polícia Militar e da Polícia Civil para agirem contra os maus policiais.

Com menos de três meses de Herkenhoff na Segurança Pública, toda a cúpula da Divisão de Repressão a Crimes Contra o Patrimônio – inclusive seus dois delegados – foi presa, acusada de diversos crimes que teriam sido cometidos no governo passado, quando o combate a maus policiais era quase que imperceptível. Ou, invisível.

No decorrer dos meses, mais dois delegados foram presos por crimes que há muito tempo “a base” ouvia falar que eram cometidos, mas que ninguém, no passado, tinha coragem, autoridade, determinação, independência e competência para combater e punir.

Ao mesmo tempo, policiais militares foram expulsos e oficiais denunciados  com processos na Justiça e afastados de suas funções. O resultado de anos de impunidade é que somente agora os casos estão vindo a público e os maus policiais sendo punidos. Recentemente, um capitão acusado de desvio de combustível, ocorrido entre 2006 e 2007, foi condenado a quatro anos de prisão e à perda da farda.

E graças à liberdade que o atual secretário da Segurança permite às polícias de agirem contra crimes cometidos por seus pares, um relatório elaborado pela Polícia Federal, com base em investigações da Polícia Civil, foi entregue à Justiça Federal mostrando de que forma bicheiros do Rio de Janeiro – que exploram também o jogo do bicho e os caça-níqueis no Espírito Santo – estariam corrompendo autoridades policiais e políticas capixabas.

O governo Renato Casagrande tem também feito investimento alto na linha de frente da segurança pública, como a contratação de mais policiais civis e militares e aquisição de equipamentos para a perícia e mais armamento.

Em 2011 e agora em 2012, o governo colocou R$ 140 milhões na Pasta. É pouco? Pode ser, se levarmos em conta os problemas graves na área, mas é o maior investimento já feito no setor.

De uma só vez, o secretário da Segurança, Henrique Herkenhoff, entregou à Polícia Civil 120 novas viaturas. Todas equipadas com sistema de radiocomunicação digital, GPS e computadores de bordo com acesso online aos bancos de dados da Sesp, Detran e Denatran. Os veículos foram entregues em solenidade do Estado Presente, sábado (31/03), em Jacaraípe, na Serra.

E mais uma vez, Henrique Herkenhoff conclamou os policiais civis e militares a atuarem sem trégua no enfrentamento da violência em todo o Estado, agora que a Polícia Militar e a Polícia Civil estão reequipadas.

“Nosso desafio é reduzir o índice de homicídios e isso não se faz só com viaturas e reforço no efetivo, mas também com ações como esta do Estado Presente, com investimentos nas áreas sociais para redução das desigualdades”, frisou o secretario.

Por tudo isso, cabe a pergunta: a quem interessa a saída de Henrique Herkenhoff da Secretaria da Segurança Pública? Vale a reflexão.

 

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