Imprensa também pode ajudar a reduzir a sensação de impunidade


A Tribuna traz neste domingo uma reportagem em que questiona às autoridades porque se mata tanto no Espírito Santo. Diversos são os motivos apontados. Neste blog já foram feitas várias análises, relatando que a violência no Estado é histórica. Já foi mostrado que o Estado começou a se fazer presente, de fato, nas regiões longínquas somente a partir dos anos 40/50. O interior capixaba era, portanto, uma terra sem lei.


Pelas palavras da maioria dos especialistas ouvidas por A Tribuna o mal maior estaria na impunidade. Talvez, na sensação de impunidade que as pessoas têm e, por isso, cometem os crimes sem ter medo de serem presas e ou punidas pela Justiça.

Os governantes têm sua parcela de culpa. O Estado começou a conhecer uma política de segurança pública somente entre os anos de 1999 e 2002, quando o então governador José Ignácio Ferreira criou o Pro-Pas. Depois, passamos oito anos de um hiato na segurança pública.

Na era Paulo Hartung e Rodney Miranda, o Estado não teve uma política de segurança. Falou-se muito que o mais importante era combater o crime organizado. O que se vê, agora, todavia, que o crime organizado não foi combatido com eficiência – vide a situação de Presidente Kennedy.

O Estado passou, realmente, décadas convivendo com a impunidade. A situação está mudando. Depois dos oito anos de um hiato no setor, surge, de novo, um programa de governo (e de Estado) voltado para a asegurança. É o Estado Presente, adotado em 2011 e que visa ocupar, com a repressão policial e programas sociais, áreas de grandes índices de criminalidade.

Há duas semanas, sem estardalhaço e sem a presença de um “Rambo” nas ruas, as polícias Civil e Militar voltaram a realizar operações em diversos bairros da Grande Vitória, dando início ao cumprimento de centenas de mandados de prisão e de busca e apreensão expedidos pela Justiça.

São ações que fazem parte do Protocolo de Intenções que tem por finalidade fortalecer a articulação institucional entre os órgãos responsáveis pela segurança pública, objetivando o planejamento estratégico e a implementação de ações conjuntas de controle da violência, de intensificação do combate ao crime organizado e do combate a todo e qualquer tipo de crime fiscal, visando otimizar a parceria entre as Varas de Justiça Criminal e demais os Órgãos de Segurança Pública.

O Protocolo foi firmado entre o Poder Judiciário, governo do Estado, Ministério Público Estadual e as  Polícias Federal e Rodoviária Federal.

A imprensa, entretanto, tem parcela importante na luta pelo fim da impunidade. A falta de acompanhamento diário nas páginas de jornais de crimes ocorridos no Estado só fazem aumentar a impunidade.

Os jornais, rádios, TVs e sites raramente dão destaque a sentenças judiciais, em que um Juízo pune os criminosos. Deveriam informar constantemente os resultados de júris e outras condenações dadas a assaltantes, latrocidas, estupradores, traficantes, estelionatários e outros.

Bandidos de periferia também lêem jornais, ouvem rádios e assistem TV. Programa policiais de rádio e TV – como o Balanço Geral, da TV Vitória, que tem uma extraordinária audiência – poderiam reservar um espaço para divulgar, diariamente, as sentenças condenatórias.

Quando as condenações se tornam públicas, as pessoas passam a pensar duas vezes antes de cometer um crime. Não basta divulgar somente as desgraças; é preciso dar publicidade também às soluções.

Que tal o assunto entrar na pauta do dia, caros colegas?

 

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