Delegado Gilson Gomes é preso pela Polícia Federal


O chefe da Delegacia de Defraudações e Falsificações da Polícia Civil capixaba, delegado Gilson Gomes, que já foi deputado estadual por quatro mandatos, foi preso na manhã desta quarta-feira pela Polícia Federal sob acusação de integrar uma quadrilha responsável por dar um golpe milionário no Espírito Santo. Ele foi preso junto com sua escrivã, Maria Léia, e mais dezenas de outras pessoas também suspeitas de integrar a quadrilha. A operação, denominada de Peculatus, é destinada a dar cumprimento a 16 mandados de prisão e 19 mandados de busca e apreensão, expedidos pelas Justiças Federal e Estadual.

Gilson Gomes iniciou sua trajetória política em 1990, quando foi eleito pela primeira vez para deputado estadual. Sempre teve seu mandato renovado, mas perdeu a eleição em 2006. Responde a outros processos na Justiça pela acusação de improbidade enquanto foi deputado na chamada Era Gratz. Em 2006, após perder o mandato, voltou a trabalhar como delegado de Polícia Civil.

A Defa é justamente a delegacia responsável pela apuração de crimes como estelionato (golpes, fraudes). Gilson Gomes também foi secretário de Estado da Segurança Pública durante o governo do petista Vitor Buaiz. Deixou o cargo depois de assumir publicamente que já havia integrado os quadros da extinta Scuderie Detetive Le Cocq. 

A operação, que contou com a participação do Ministério Público Federal, destinava-se a desarticular uma quadrilha com atuação em fraudes contra a Caixa Econômica com participação de funcionário da empresa pública e outros envolvidos.

Durante os seis meses de investigações foram identificadas fraudes contra outras pessoas, o que redundou em decisão da Justiça Federal, dividindo a investigação, com uma parte dela tramitando na Justiça Estadual em parceria com o Gaeco, do Ministério Público Estadual.

Foram presos um servidor efetivo da Caixa, um contador, vários estelionatários e dois servidores da Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo, em razão de suspeita de corrupção.

A ação da quadrilha causou prejuízo estimado à Caixa da ordem de R$ 1 milhão, podendo ser bem superior, fato que será avaliado após análise do material apreendido.

Parte da quadrilha também foi responsável pelo desvio de cerca de R$ 250 mil através de fraudes no pagamento por meio de cartões de crédito em um posto de gasolina na Serra.

É nessa paetem segundo a Polícia Federal, que entram o delegado Gilson Gomes

e a escrivã Léia são acusados pela Polícia Federal e Ministério Público Estadual de receber propina para atrasar as investigações em relação à fraude em um posto de combustíveis, localizado na Serra.

Segundo a Polícia Federal, durante as investigações, que duraram seis meses, ligações telefônicas interceptadas com autorização da Justiça revelam diálogos entre os estelionatários. As conversas apontam a ligação dos policiais civis com membros da quadrilha, que provocou um prejuízo de R$ 250 mil no posto.

A Defa, na época, foi acionada para averiguar o crime no estabelecimento comercial. Um inquérito foi aberto pelo delegado Gilson Gomes, mas de acordo com o superintendente da Polícia Federal no Espírito Santo, delegado Erivelto Leão de Oliveira, o trabalho da delegacia não avançou.

“Houve a instauração de um inquérito por parte da Polícia Civil para apurar a fraude no posto de gasolina. Esse inquérito não andou, as investigações não avançaram. Alguns diálogos que foram interceptados apontaram que existia um estreito relacionamento entre essas pessoas da quadrilha e os policiais civis”, disse o superintendente Erivelto de Oliveira. Segundo a PF, o delegado e a escrivã receberiam propina dos estelionatários para diminuir o ritmo as apurações.



Os presos, dependendo da participação de cada um, responderão pelas condutas tipificadas nos art. 171 § 3º, 288, 299, 304, 312, 317, 333 todos do CP, cujas penas somadas podem ultrapassar 15 anos de reclusão.

A palavra peculato origina-se do latim peculatus, pecus, primitivamente, era a denominação da moeda corrente. Daí porque peculatus, desde os primeiros tempos de Roma, exprimia o furto de dinheiros públicos.

Segundo a assessoria de imprensa da Polícia Federal, a OPERAÇÃO denominada PECULATUS, pautada em Inquérito Policial instaurado para apurar a existência e atuação de organização criminosa no Estado do Espírito Santo que pratica os crimes de peculato, formação de quadrilha, falsificação de documento público, uso de documento falso, falsidade ideológica e estelionato qualificado contra a Caixa Econômica Federal, a partir de saques de valores advindos de precatórios judiciais e aposentadorias, mediante uso de documentos falsos, bem como saques de valores de contas bancárias mediante uso de cheques furtados e falsificação de assinaturas, além de outras prováveis condutas delituosas, mediante informações/documentos fornecidos ilicitamente por funcionário da CEF.

Procurado pelo Blog do Elimar Côrtes, o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil, delegado Sérgio do Nascimento Lucas, informou agora cedo que o Departamento Jurídico da entidade já está atuando no sentido de tomar conhecimento das acusações que pesam contra Gilson Gomes, a fim de tomar providências.
 

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