Segurança pública em Vila Velha vive uma nova era: Santa Rita e Terra Vermelha vão ganhar Unidade da Guarda Pacificadora

O município de Vila Velha está mais uma vez inovando no quesito segurança pública. Depois de levar para junto de sua Pasta o coronel da reserva da Polícia Militar e professor  Júlio Cezar Costa – um dos idealizadores da Polícia Interativa e um dos mentores do Pro-Pas –, o secretário de Defesa Social, Ledir Porto, vai mais além. Em entrevista ao Blog do Elimar Côrtes, ele anuncia a instalação, em breve, de duas Unidades da Guarda Pacificadora: uma em Santa Rita e outra na Grande Terra Vermelha.

Ledir Porto deixa claro que a intenção da Guarda Civil Municipal de Vila Velha (GCMVV) não é de concorrer com as polícias Militar e Civil. Pelo contrário, é servir de apoio para que as duas instituições possam executar suas missões com mais tranquilidade:


“Com as ações de Inteligência de segurança pública que podemos e já realizamos através do Policiamento Eletrônico, sobrará mais tempo para que as polícias otimizem as ações ostensivas e de investigação dos homicídios e de outros crimes. Estaremos vendo e fornecendo os melhores dados e as melhores imagens para o Estado agir de modo implacável contra o tráfico de droga e de armas”, afirma Ledir Porto.


“Vamos fazer o primeiro atendimento no lugar da Polícia Militar. Vamos assumir as ocorrências assistenciais e agir de modo bem preventivo, fazendo com que na prática  os crimes deixem de ocorrer em seu nascedouro – faremos a segurança do pode acontecer e não a do já aconteceu. Vamos nos esforçar para chegar antes”, ensina o secretário de Defesa Social de Vila Velha.


Blog do Elimar Côrtes – Por que o senhor acredita que a Guarda Civil Municipal de Vila Velha é uma resposta à sociedade?
Ledir Porto – A Guarda Civil é mais um compromisso cumprido pelo executivo municipal junto à sociedade de vila velha, pois desde o primeiro mês de governo implantamos uma ação efetiva, através do videomonitoramento, das frentes de enfrentamento ao crack, da busca de espaços urbanos seguros na cidade.


Fizemos tudo isto não para substituir o estado, mas para apoiar as suas polícias no combate vigoroso à criminalidade, visando melhorar a qualidade de vida e dar tranquilidade ao cidadão que vive ou vem a Vila Velha, a passeio ou a trabalho.

Nossa tarefa é complementar, ou seja, é de ajuda aos órgãos de segurança sediados em nosso município.


– Quais são as ações e onde atuará a guarda municipal?
– A determinação do prefeito Neucimar Fraga é evitar quaisquer choques de atribuições entre a guarda e os órgãos de segurança pública sediados em Vila Velha. O município quer oferecer a sociedade uma nova instituição encarregada da segurança, que esteja pautada no respeito á cidadania e que atue para proteger, socorrer e assistir as diversas comunidades. Estamos criando um novo conceito de prestação de serviços para a segurança pública dentro de nossa cidade.

Queremos com os novos guardas civis municipais gerar uma perfeita integração com os órgãos de segurança, agindo em lugares e situações que podem ser administradas sem conflitos.

Não vamos fazer policiamento. não seremos mais uma polícia, mas vamos atuar como uma agência de segurança complementar. Isto significa que vamos endereçar os nossos serviços com a guarda para o atendimento de situações de menor potencial ofensivo, como primeiros atendedores (um tipo de first responders”) desonerando a polícia militar desses encargos, que são responsabilidades dos órgãos de segurança, mas que podem ser complementados pelo município, agindo preventivamente e de modo comunitário e interativo. poderemos evitar que uma simples briga acabe se transformando em mais um homicídio.

 O que seria esse atendimento a situações de menor potencial ofensivo? 
– Em todo o mundo sabe-se que a atividade clássica da segurança pública é o socorro, a proteção e a assistência. isto é um encargo dos orgãos policiais, mas que nem sempre pode ser realizado, pois são tantas as tarefas que falta tempo e meios para esse atendimento às comunidades, principalmente as periféricas que tem sido assoladas pelo tráfico de drogas.

Segundo a doutora Jacqueline Muniz, renomada especialista em segurança pública no Brasil, 88%  de tudo o que a polícia faz no mundo são atendimentos assistenciais, ou seja, somente 12% dos atendimentos policiais são de risco ou de enfrentamento com a marginalidade.

– O que vem a ser a planta de policiamento que vocês querem implantar?
Vila Velha terá em breve, próximo à Rodovia Darly Santos, o seu centro de operações nos mesmos moldes do rio de janeiro e londres. com o advento de modernas tecnologias de supervisão. o policiamento eletrônico é uma delas, pois potencializa a inteligência de segurança pública em uso na área da segurança pública, tornou-se indispensável que o município tenha bem definido quais são os seus equipamentos (inclusive os das polícias), quantificando-os e especificando-os, a fim de poder melhor organizar as políticas públicas de combate ao crime.

Somente se organizando, a fim de evitar desperdícios e de mapear todos os fluxos da criminalidade e da prestação de serviços à população, visando aumentar a oferta de segurança é que o município terá condições de estabelecer planos e metas mais adequadas para o enfrentamento  implacável ao crime, tornando os espaços urbanos ainda mais seguros.

Enfim, esta é mais uma novidade que Vila Velha terá a serviço da sociedade, alcançando um espaço de salubridade e segurança apropriados e bem definidos, disponível para o órgão gestor da segurança municipal e de seus parceiros – as polícias.

É o que em grande escala foi feito em nova iorque com o “comp stat, que vem a ser uma planta digital do aparato de segurança pública, disponível para uso pela população, através de totens instalados na cidade.

Nossa equipe está envolvídissima na construção dessa ferramenta gerencial que ajudará bastante no reforço ao combate eficaz ao crime na cidade.

– Seria a volta do Pro-Pas?
O Pro-Pas foi um bom programa, mas que se esgotou no tempo, embora os seus conceitos de convergência, interconexão e interativadade social continuem atuais.

Vamos modelar uma forma nova de ação para a nossa guarda, unindo os conceitos à tecnologia de ponta hoje disponível, através do policiamento eletrônico e de outras ferramentas metodológicas existentes para esse fim.

Tenho aprendido com as constantes reuniões nas comunidades que o cidadão tem o direito de ver a polícia sempre.  É o Estado Presente! A nossa ideia é de aumentar a capacidade dos guardas em serem vistos e estarem bem posicionados, otimizando o atendimento à população de forma eficiente e rápida.

– A Guarda vai usar armas de fogo?
– A Guarda vai começar a atuar sem armas de fogo, mas com o tempo poderemos agir no sentido de armar alguns de seus segmentos para enfrentamentos mais duros e perigosos. Foi assim em Londres com a Scotland Yard, será assim também conosco. Vamos começar usando armas não letais, tal como a pistola “taser”. Tudo dentro de um tempo de crescimento na vivência do fazer e do prestar segurança com qualidade à sociedade vila velhense.


– Que incremento será dado à segurança da população?
– Com o Policiamento Eletrônico e com a frente de enfrentamento ao crack já estamos inovando, mas acredito que a cidade vai estar ainda mais salubre, vigiada e protegida a partir do momento em que colocarmos o nosso efetivo de guardas municipais nas ruas.

Estamos trabalhando para que isto ocorra o mais breve possível, e dentro de um conceito de proteção comunitária estendida.

– Quais ocorrências a Guarda atenderá de fato?
– A Guarda de Vila Velha vai atuar no circuito turístico, de lazer e, sobretudo, nas áreas em que a criminalidade está acima de índices aceitáveis. Nossa prestação de segurança é indireta, completar e em apoio às polícias.

Vamos fazer o primeiro atendimento no lugar da Polícia Militar. Vamos assumir as ocorrências assistenciais e agir de modo bem preventivo, fazendo com que na prática  os crimes deixem de ocorrer em seu nascedouro – faremos a segurança do pode acontecer e não a do já aconteceu. Vamos nos esforçar para chegar antes.

A Guarda vai ter uma forte vocação para atuar como mediadora de conflitos, principalmente nos locais onde os homicídios ocorrem por motivos banais, tais como embriaguês, violência doméstica, bares abertos sem estarem autorizados para tal e muitas outras ações que serão alcançadas no dia a dia dentro e interação com as comunidades.

Veja que em recente decreto o governador Casagrande (Renato Casagrande), ao reorganizar a Polícia Militar, criou uma Diretoria de Direitos Humanos e Comunitária Interativa. Vamos estar assim ajudando o Estado e a polícia ainda mais na questão da segurança pública.

A nossa presença dentro das comunidades inibirá a chegada de agentes que vivem à margem da lei, dos vulgos “bandidos” que atemorizam e intranquilizam a sociedade.

É importante ressaltar que a Guarda Civil fará Inteligência de segurança pública, abrindo espaço para a investigação policial e para ações de enfrentamento a criminalidade pelas polícias. Quem está dentro das comunidades sabe que a presença do Estado – neste caso, o nosso município –, convivendo com os moradores, comerciantes, etc. faz a diferença. A sociedade quer se sentir protegida. É isto que a Guarda Civil de Vila Velha fará.

– Como funcionará o Grupo Especial da Guarda que trabalhará na identificação preventiva de usuários de drogas nas residências dos locais onde a Guarda venha ter a sua unidade pacificadora?
– É sabido que no lugar em que existe uma repartição de segurança que seja ativa os traficantes acabam por deixar esse espaço territorial. A  nossa intenção futuramente é que com a implantação da Guarda, e em parceria com o governo do Estado, venhamos a instalar, inicialmente, duas Unidades da Guarda Pacificadora (UGP). Uma em Santa Rita e a outra na Grande Terra Vermelha.

Essas unidades terão cada uma um número razoável de guardas municipais que estarão efetuando as ações preventivas de segurança dentro das comunidades. Atendendo as ocorrências de menor vulto e assistindo a comunidade.

Vamos deixar que as instalações da Guarda Pacificadora sejam vigiadas ininterruptamente pela segurança privada e vamos para as praças, escolas  e ruas, além de outros próprios municipais dentro dos bairros de maior ocorrimento (ocorrência) de violência criminalizada, atuando em proteção ao cidadão de forma bem ostensiva. Não seremos uma polícia, mas sabemos que podemos ocupar o espaço que o crime organizado tem se apropriado em alguns locais.

Com as ações de Inteligência de segurança pública que podemos e já realizamos através do Policiamento Eletrônico, sobrará mais tempo para que as polícias otimizem as ações ostensivas e de investigação dos homicídios e de outros crimes.

Estaremos vendo e fornecendo os melhores dados e as melhores imagens para o Estado agir de modo implacável contra o tráfico de droga e de armas.

– Como será feita a integração dos novos guardas com os atuais guardas de trânsito?
– Eu e o secretário Bruno Lorenzuti (Transporte e Trânsito) temos discutido muito esta questão. Todos estarão sendo treinados dentro de uma formação única e de vanguarda. será uma só guarda com dois segmentos distintos, porém integrados pela formação e ação conjunta dentro das comunidades.

Veja que com a instalação dos parquímetros vila velha passou a oferecer mais segurança aos usuários de seus estacionamentos públicos, pois o parquímetro elimina a figura do flanelinha e gera empregos formais.

O cidadão tem medo de flanelinhas e se sente inseguro nas ruas quando tem que estacionar seu veículo. Em muitos lugares da cidade essa realidade está mudando. Isto é segurança pública por via indireta.

Organizar o espaço urbano e ter uma cidade mais orientada no trânsito urbano é uma tarefa que o município, através da Secretaria de Trânsito Urbano, vem também implementando.

A Guarda Municipal agregará os atuais agentes de trânsito e fará a diferença com uma formação bem dirigida para a proteção da sociedade.

– Qual o prazo para implantação de todo o projeto da GCMVV?
– O projeto já está implementado através do trabalho da equipe executiva da Guarda Civil Municipal de Vila Velha. A fase atual é de planejamento estratégico das ações e está previsto para setembro o início do curso de formação do efetivo de agentes da Guarda Municipal, que terá a duração de três meses para os novos Guardas Comunitários.

– Haverá necessidade de novo concurso público? O efetivo é suficiente?
– O efetivo hoje é necessário, uma vez que vamos trabalhar em parceria com as demais instituições de segurança pública. No próximo ano faremos mais um concurso para completar as vagas restantes, dentro da disponibilidade orçamentária do município.
 

Blog do Elimar Côrtes Copyright © 2011 -- Template created by O Pregador -- Powered by Blogger