Policial militar usa sua própria casa como unidade militar em Cariacica

Parece que policiais militares  encontraram um jeito mais eficiente de denunciar seus pares. Desacreditando na própria instituição – o que é gravíssimo e lamentável – quando o assunto é buscar o que chamam de justiça, eles agora buscam nas Ouvidorias do Ministério Público Estadual e da própria Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social para denunciar o que consideram irregular.


Foi assim que um cabo lotado no 7º Batalhão da PM (Cariacica) está sendo acusado de usar sua própria residência, no bairro Vasco da Gama, como sede da unidade militar em que presta serviço diariamente.

Deixa a viatura com que ele deveria estar policiando as ruas do bairro na garagem de sua casa e que de lá só sai quando ele (policial) quer.

As duas Ouvidorias informaram já ter recebido a denúncia e já tomaram providências.

Abaixo, a íntegra da denúncia feita às Ouvidorias da Sesp e do Ministério Público:


“Venho respeitosamente denunciar os fatos que ocorrem no bairro Vasco da Gama em Cariacica, no qual sou morador e que me envergonha de ter que denunciar as irregularidades cometidas por um cabo da Polícia Militar e de seus comandantes.

Ocorre que o Cabo Jeferson tem uma viatura e uma moto que ficam à sua disposição em um SAC ou DPM que o próprio policial militar estabeleceu em um compartimento de sua propriedade que é anexo à sua residência.

Até aqui tudo bem, se o policial exerce sua função de servidor estadual público de dentro de sua residência com o consentimento de seus comandantes, principalmente de seu comandante direto, Capitão Risse que comanda a Quinta Cia do Sétimo Batalhão, companhia essa que o Cabo Jeferson também faz parte, não cabe à minha pessoa julgar e sim, divulgar os fatos para quem de direito, possa analisá-los.

O fato é que no dia 19 de outubro, houve uma confusão na qual foi gerada uma ocorrência no 190 do Ciodes, na rua atrás do SAC ou DPM que fica situado na rua principal do bairro Vasco da Gama em frente a um posto de gasolina, estando dentro do SAC o Cabo Jeferson juntamente com um Sargento, sendo que a viatura de prefixo 1913 encontrava-se estacionada em frente ao SAC.

O cabo Jeferson juntamente com o Sargento que o acompanhava, permaneceram no interior do SAC que possui os vidros totalmente escuros, mesmo sabendo que próximo do SAC, mais precisamente na rua de trás, havia uma ocorrência em andamento.

O Ciodes enviou outra viatura ao local para que pudesse atender à ocorrência que estava na porta do SAC ou DPM.

Resolvi ligar para a sede da Quinta Companhia para relatar o fato e pedir explicações do porquê aquela viatura que estava parada em frente ao SAC e os policiais que permaneceram em seu interior, não puderam atender a comunidade no momento em que ela mais precisou de auxílio.

Fui informado pelo policial que me atendeu que não se identificou, que aquela viatura de prefixo 1913 bem como seus militares, não podiam atender ocorrências e que a sua única função é a de permanecer parada em frente ao SAC de Vasco Da Gama, o que na verdade é praticamente a residência do Cabo Jeferson, visto que o espaço que serve de DPM é de sua propriedade e é anexo à sua residência, sendo que a função dos componentes da viatura 1913 é ficar parado por 12 horas de serviço em frente à residência do Cabo Jeferson em detrimento da comunidade.

Quero denunciar também que é de interesse do Cabo Jeferson permanecer todo o seu serviço com a viatura parada em frente ao SAC, pois o militar recebe valores pecuniários do dono do posto de gasolina que fica em frente ao SAC para realizar a segurança particular do local utilizando-se do aparato estatal, a viatura de prefixo 1913 para receber vantagem indevida que fere a ética em seu âmago e urge uma solução para tal prática criminosa e até mafiosa.

É vergonhoso que nos dias atuais ainda existam tais práticas criminosas exercidas por aqueles que deviam proteger a sociedade e principalmente a comunidade em que moram. Despeço-me e aguardo uma solução para esse lamentável episódio.”

Cópia da denúncia feita à Ouvidoria da Secretaria de Estado da Segurança Pública e Defesa Social e à Ouvidoria do Ministério Público Estadual.


 

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